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Somava informação à indignação por onde ia

20:45 | 11/02/2019
Na bancada do Jornal da Band, entre um ácido comentário e outro, Ricardo Boechat desenhava. Um elefante, nuvens, furacões. "Eram incríveis, me arrependo de nunca ter feito uma pasta guardando todos (os desenhos)", conta a apresentadora Mariana Ferrão, hoje na TV Globo, que trabalhou ao lado do jornalista por quatro anos na Band.
Boechat foi para a empresa em 2005 e, além da TV, assumiu um programa matinal na Rádio Band News FM. Foi pelos microfones da rádio que ele distribuiu os célebres palavrões ao pastor Silas Malafaia, em mais um de seus incontáveis momentos de informação somada à indignação. Após décadas de jornalismo e de ter sido demitido do Grupo Globo, se reinventou no rádio, acumulando fãs e desafetos.
Boechat já havia feito história em grandes jornais, como O Globo e Jornal do Brasil, onde revolucionou as colunas sociais, dando a elas caráter noticioso. No Estado, foi diretor da sucursal no Rio e, em 1989, ganhou o prêmio Esso, o mais conceituado do jornalismo, com a cobertura de um caso de extorsão na Petrobrás. Aluizio Maranhão, ex-diretor de Redação do Estado, que conheceu Boechat em 1970 em um curso para aspirante de repórter no Jornal do Brasil, diz que o amigo era "indomável". "Não só eletrizava a reportagem, como fazia apurações paralelas, mesmo sendo chefe."
Filho de diplomata brasileiro, Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. Teve 6 filhos, Beatriz, Rafael, Paula, Patrícia, Valentina e Catarina, as duas últimas da atual mulher, Veruska Boechat. "Pior dia da minha vida", disse ela em uma rede social. Também tinha uma neta, de 6 meses. "Não era um profissional da imprensa, era autoridade da notícia, era o Boechat", define o colunista de O Globo Ancelmo Gois.
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