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Ministério Público faz vistoria e avalia interditar CT do Flamengo

19:23 | 11/02/2019
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) considera pedir a interdição do Centro de Treinamento (CT) do Flamengo, cujo alojamento das categorias de base pegou fogo na sexta-feira, deixando dez mortos e três feridos. A interrupção das atividades no local dependerá de vistoria que peritos do MPE-RJ e de outros órgãos público vão fazer na manhã desta terça-feira. Na segunda, o clube carioca assumiu publicamente a responsabilidade pela tragédia e se comprometeu a indenizar os sobreviventes e os familiares das vítimas.
"A presidência do Flamengo assumiu todas as suas responsabilidades em relação ao evento (incêndio do CT), se comprometeu a dar todo tipo de acolhimento às famílias e entregou à Defensoria Pública do Estado a condução dessa negociação com os parentes para um reparo imediato", informou o procurador-geral de Justiça do MPE-RJ, Eduardo Gussem. O procurador comandou encontro na tarde desta segunda com a cúpula do Flamengo e com representantes da Defensoria Pública, do Corpo de Bombeiros, do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Prefeitura do Rio e do governo do Estado.
A reunião na sede do MPE durou pouco menos de duas horas, e serviu para que o clube e órgãos públicos assumissem providências imediatas em relação ao incêndio. O Flamengo informou que, por ora, suspendeu todas as pernoites no Ninho do Urubu. E firmou compromisso de indenizar de forma célere os familiares das dez vítimas e os sobreviventes da tragédia.
"O Flamengo se comprometeu a compor uma câmara de conciliação, junto com a Defensoria Pública, o MPE-RJ e o MPT, a fim de que não só os atletas sobreviventes, mas os familiares, principalmente, tenham uma justa e rápida indenização", declarou Rodrigo Pacheco, que é o defensor público Geral do Estado. Ele explicou que o Termo de Ajustamento de Conduta que será assinado não vai se restringir à reparação financeira apenas - cujo valor ainda não foi definido. "Haverá também acompanhamento psicológico, social e de saúde."
A indenização não afasta a possibilidade de dirigentes do clube terem de responder criminalmente, já que a Polícia Civil seguirá realizando o inquérito para apontar as causas do incêndio e, se for o caso, indiciar os responsáveis. Hoje, a 42ª DP deverá ouvir cinco pessoas, incluindo um dirigente do clube.
PERÍCIA - Peritos do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Prefeitura do Rio, do governo do Estado e do MPE e do MPT visitam nesta terça-feira o Ninho do Urubu. "Vamos realizar perícias amplas no CT, com todas as estruturas governamentais, a fim de que possamos analisar em quais condições se encontra o CT, e se há necessidade de interrupção plena ou parcial das atividades", explicou Gussem.
O procurador-geral não quis responder por que o MPE-RJ não agiu antes, considerando que o Flamengo já havia sido autuado 31 vezes por diversos órgãos devido a irregularidades no CT. Mas assegurou que o Ministério Público poderá agir a partir das análises dos peritos.
Na segunda, o Flamengo foi representado pelo presidente Rodolfo Landim, pelo CEO do clube, Reinaldo Belotti, pelo vice Rodrigo Dunshee e pelo presidente do Conselho Deliberativo, Antônio Alcides. O ex-vice-jurídico Flávio Willeman também esteve presente. Ao fim da reunião, Landim falou por três minutos sobre a "vontade de indenizar essas famílias (das vítimas) o mais rapidamente possível."
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