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Vídeo com comentários xenofóbicos causa polêmica na internet; autores foram identificados

Um deles é empresário do ramo de venda de pedras preciosas; já o outro é servidor do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e também doutorando da UFMG

17:21 | 10/01/2019
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Circula nas redes sociais vídeo de dois homens proferindo comentários xenofóbicos contra nascidos no Norte e no Nordeste brasileiro. Autores são mineiros e já foram identificados. Um deles é Lucas Paolinelli Campos, sócio-proprietário de empresa de venda de pedras preciosas. Já o outro é Vinicius Silveira Raposo, servidor do Instituto Federal (IFMG) e aluno de doutorado da Universidade Federal (UFMG) do estado.
  
Nas imagens, Lucas Paolinelli diz que, com a vitória do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL), os nordestinos “serão excluídos”. “Ele acabou de me mandar um WhatsApp, pessoalmente, e falou o seguinte: ‘Agora é faca na caveira’”, declarou em tom de chacota. Ele complementou ainda: “A gente não vai mais suportar esse pessoal de Acre, de Roraima… Esse pessoal do Norte”.
 
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O comentário é seguido pela fala de Vinicius Silveira Raposo, que está vestido com a camisa do Clube Atlético Mineiro. “Essa galera do Nordeste tem que parar de gastar o dinheiro que o Sudeste produz, porra”, vociferou.
  
Imediatamente, o IFMG Campus Bambuí – cidade distante 270 km da capital Belo Horizonte – lançou nota de repúdio após Vinicius ser identificado. “O IFMG está tomando as providências legais cabíveis em relação ao fato ocorrido envolvendo servidores de nossa instituição. Continuaremos lutando por uma educação inclusiva, livre de ‘amarras’ e pautada na ética, moral e civilidade”, escreveu.
  
Buscas pelos nomes
  
O vídeo causou bastante polêmica nas redes sociais, tanto é que usuários cooperaram em busca da identidade dos homens. Exemplo da nadadora Joanna Maranhão que, em seu perfil do Twitter, cobrou ajuda aos seus 54,9 mil seguidores. “Hora de expor, procurar onde trabalham e mostrar pro chefe”, comentou.
  
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Após algumas horas, Vinicius Silveira Raposo e Lucas Paolinelli foram identificados.
  
O primeiro possui graduação em Medicina Veterinária e mestrado em Zootecnia, ambas pela UFMG. Seu nome é ligado ainda à Connect Horse, empresa voltada à inovação e tecnologia para equestres. Cobrada por usuários, a organização lançou nota pública no Instagram Stories rejeitando a atitude.
  
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A empresa diz que “sempre trabalha de forma ampla os treinamentos e reciclagens de seus colaboradores e consultores”. “Infelizmente não temos controle sobre atitudes individuais e isoladas dos mesmos”, lamentou.
  
Já Lucas Paolinelli é sócio-proprietário da empresa mineira Ramos e Campos Importação e Exportação Ltda, conhecida como Primus Gemstones, cujo foco seria a venda de pedras preciosas. A empresa está com seu perfil do Instagram “trancado” e não se posicionou sobre o caso.
  
Tanto Vinicius quanto Lucas teriam excluído suas redes sociais após terem sido identificados.
  
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Empresa Dragão
  
Com a polêmica circulando na internet, usuários atrelaram um dos autores do vídeo à empresa de produtos químicos Dragão, a qual lançou em seu perfil no Facebook nota de repúdio negando envolvimento. Explicando ser “genuinamente nordestina com muito orgulho”, ela caracterizou ainda sua suposta ligação com os homens de “fake news”.
  
A resposta, no entanto, não convenceu alguns clientes, que ameaçaram boicote à marca.
  
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Pedido de desculpas

Na tarde desta quinta-feira, os autores do vídeo divulgaram pedido de desculpas, segundo o site Pragmatismo Político. Em nota, Lucas e Vinícius informaram que objetivo não era expressar “sentimento de ódio, preconceito, discriminação ou incitação de violência”. “Aludido vídeo foi gravado em uma roda de amigos, e visava uma brincadeira privada, brincadeira essa que, reconhecemos ser infeliz e de péssimo gosto”, declararam.
  
Eles informam também que vídeo foi gravado em 30 de dezembro passado e que a “brincadeira” contida nele teria sido veiculada de maneira “descontextualizada”, tomando proporções “inimagináveis”. “Reiteramos o pedido de sinceras desculpas a todos aqueles que, por qualquer motivo, se sentiram ofendidos com as palavras ditas por nós, que não condizem com as nossas convicções.”
  
Complementam mais: “Expressamos aqui a nossa certeza de que esse tipo de assunto não deve ser motivo de brincadeiras, mesmo que internas”.
  
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