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Maioria dos brasileiros é contra temas que podem ser prioridade no governo Bolsonaro, diz Datafolha

A pesquisa realizada demonstra a opinião da população sobre algumas questões polêmicas
22:19 | Jan. 16, 2019
Autor David Moura
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Tipo Notícia

O Instituto Datafolha publicou nessa terça-feira, 15, uma pesquisa referente à opinião dos brasileiros sobre as possíveis pautas de prioridade do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o resultado, a agenda de propostas do governo federal está longe de concordar com a pretensão da população brasileira sobre os temas, por exemplo, como a flexibilização da posse de armas, privatizações, licenciamento ambiental, entre outros. 

Foram analisadas 12 frases para que os entrevistados declarassem se concordam ou não de cada uma delas. Sete teve índices de divergência, em quatro a taxa de concordância foi maior que a de discordância e apenas uma os indicadores foram próximos. 

Sete frases com índices de discordância majoritários foram:

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É preciso facilitar o acesso de pessoas às armas'. 68% discordam (17% em parte e 51% totalmente) e 30% concordam (16% totalmente e 14% em parte); 

O Brasil deve dar preferência ao governo dos EUA em relação aos outros países’. 66% discordam (19% em parte e 47% totalmente) e 29% concordam (15% totalmente e 14% em parte); 

O governo deve reduzir as áreas destinadas às reservas’. 60% discordam (13% em parte e 46% totalmente) e 37% concordam (22% totalmente e 15% em parte); 

O governo deve privatizar, ou seja, vender para empresas particulares, o maior número possível de empresas estatais’. 60% discordam (17% em parte e 44% totalmente) e 34% concordam (19% totalmente e 15% em parte); 

A política ambiental atrapalha o desenvolvimento do Brasil’. 59% discordam (19% em parte e 40% totalmente) e 35% concordam (18% totalmente e 17% em parte); 

É preciso ter menos leis trabalhistas’. 57% discordam (14% em parte e 43% totalmente) e 40% concordam (22% totalmente e 17% em parte); e, 

Mulheres estupradas que engravidem não deveriam abortar e sim receber ajuda financeira para ter o filho’. 51% discordam (10% em parte e 40% totalmente) e 46% concordam (34% totalmente e 12% em parte).

As quatro frases em que a taxa de concordância foi maior que a de discordância foram: 

O Brasil deve controlar mais a entrada de imigrantes’, 67% concordam (42% totalmente e 24% em parte). 1% não concorda e nem discorda e 30% discordam (12% em parte e 18% totalmente); 

 ‘Se o Brasil se envolvesse em uma guerra, hoje, eu estaria disposto a lutar pelo país’. 62% concordam (46% totalmente e 16% em parte) e 37% discordam (9% em parte e 28% totalmente);

Assuntos políticos devem ser tema de aula nas escolas’. 71% concordam (54% totalmente e 17% em parte) e 28% discordam (8% em parte e 20% totalmente); e, 

Educação sexual deve ser tema de aula nas escolas’. 54% concordam (35% totalmente e 19% em parte) e 44% discordam (10% em parte e 35% totalmente). 

Quanto à frase ‘Mulheres ganharem menos do que os homens é um problema das empresas e não do governo’, os índices são próximos: 47% concordam com ela (34% totalmente e 13% em parte), 1% não concorda e nem discorda e 50% discordam (12% em parte e 38% totalmente). Em ambas as frases não foram observadas diferenças significativas nas taxas de concordância ou discordância pela variável de sexo.

Além disso, segundo o Datafolha, o resultado da pesquisa demonstra que uma parcela significativa dos brasileiros adultos é favorável à restrição do aborto para qualquer situação, inclusive para os casos em que o aborto é previsto em lei - estupro e de risco de morte da mãe. 

Quatro em cada dez (41%) apoiam a proibição do aborto para qualquer situação, 34% são favoráveis ao aborto apenas nos casos já previstos em lei, 16% apoiam a ampliação do aborto para mais situações e 6% a ampliação do aborto para qualquer situação. Uma parcela de 2% não respondeu.

O levantamento foi realizado do dia 18 ao dia 19 de dezembro de 2018, sendo realizadas 2.077 entrevistas com pessoas de 16 anos ou mais em 130 municípios, com margem de erro em 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%.


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