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Telegrama secreto dos EUA cita corrupção durante a ditadura militar

O relato põe a corrupção com indissociável da política e da economia devido ao %u201CJeitinho brasileiro%u201D

15:44 | 04/06/2018
Presidentes João Figueiredo e Ronald Reagan passeiam a cavalo na Granja do Torto, em dezembro de 1982.
Presidentes João Figueiredo e Ronald Reagan passeiam a cavalo na Granja do Torto, em dezembro de 1982.
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Obtido pelo jornal O Globo, o telegrama secreto dos Estados Unidos é um dos 694 documentos enviados em um lote pelo governo do então presidente Barack Obama ao de Dilma Rousseff. Ao explicar o “jeitinho”, como fenômeno social brasileiro, o documento o associa à corrupção no País, que influencia na política e na economia. Entre 2014 e 2015, três remessas foram enviadas à Comissão da Verdade, que investigou abusos de direitos humanos no período ditatorial.  

De forma didática, o telegrama introduz o termo “jeitinho” a burocratas de Washington, o seu papel na prática e como, devido a isso, a corrupção seria indissociável da política e da economia brasileira. Posto isso, a descrição expõe os sintomas de decadência do governo Figueiredo, ao citar séries de acusações de corrupção.  “No nível nacional existem muitos escândalos que lançam nuvens sobre o governo Figueiredo”, diz o informe.

Delfim Netto,o homem mais poderoso na economia durante o regime militar, é citado em dois casos como exemplo de alvo das acusações. A primeira contradição em torno de Delfim é conhecido como o caso das polonetas; havia suspeitas sobre o empréstimo de US$ 2 bilhões à Polônia a taxa de juros considerada baixas. A segunda, um documento nominalizado como “relatório Saraiva” — tendo a íntegra nunca vindo a público —, o acusava de receber propina para mediar negócios entre estatais brasileiras e bancos estrangeiros

Defesa

As polonetas o governo da Polônia pagou, em um momento de grande dificuldade para o Brasil, US$ 3 bilhões. O relatório Saraiva foi arquivado pelo SNI porque não havia nada de concreto — diz Delfim, que minimiza o papel dos informantes norte-americanos. "Esses funcionários vinham para o Brasil e fingiam trabalhar enviando a Washington informações que já estavam em todos os jornais”. Delfim Neto nega qualquer relação ou irregularidade em ambos os casos. 


O Ministério da Defesa há conhecimento sobre as informações desde 2015. De acordo com a pasta, não há nenhum novo posicionamento a fazer. No último mês, ao comentar os documentos da CIA, o ministro interino, general Joaquim Silva e Luna, afirmou que o assunto é de responsabilidade de historiadores e, “se houver demanda”, da Justiça.
 
Redaçao O POVO Online 
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