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Quais figurinhas você está colando no álbum do seu filho?

Confira o artigo escrito pela educadora diretora do Colégio Santo Inácio, Albanisa Gomes, sobre o Dia das Mães

18:55 | 11/05/2018
A criança cresce estimulada por experiências importantes que constituem um álbum de figurinhas capaz de marcar um antes e um depois na nossa vida. Tais experiências fazem parte de uma história pessoal e pertencem ao todo que utilizamos para construir a nossa personalidade.

Crianças que crescem em ambientes de integração, partilha, atenção, brincadeiras, ludicidadde e, consequentemente, em meio a uma infância feliz, têm plantado em seu equilíbrio emocional e físico um legado capaz de fazê-lo decodificar o mundo.

Todos nós temos a imagem da infância guardada. Armazenamos lembranças que utilizamos ao longo de nossas vidas como pilares básicos para o enfrentamento de muitas situações.

É curioso observar pais e mães preocupados com a formação acadêmica dos  filhos, com a educação para o futuro sucesso profissional, enchendo o dia a dia das crianças com atividades extracurriculares, mas esquecendo-se muitas vezes, de criar momentos de ócio juntos, de promover situações em que a infância dos pais misture-se à dos filhos, desenvolvendo aprendizados sobre muitos aspectos como valores, afeto, parceria, cuidado e estratégias para resolução de problemas.

A lembrança de como brincávamos com os nossos pais na infância ficam guardadas em nossas recordações como um memorial afetivo e cognitivo.

Sabemos que a “vida corrida” na qual estamos inseridos, rouba de nós o tempo para saírmos para o mundo, realizando o desejo dos nossos corações e exercitando aquilo que seria o ideal. Damos “desculpas verdadeiras”: “Precisamos trabalhar para pagar as contas”, “tenho que estudar para acompanhar os desafios do mercado”, “não tenho tempo”, “não há dinheiro”, “a cidade está violenta”… Enfim, o que criamos de maneira natural vai  - se constituindo como o álbum de figurinhas da infância dos nossos filhos. E, lá na frente quando o tempo não mais nos beneficiar, pediremos desculpas, justificaremos ausências, diremos “eu te amo”, porém  as lembranças que marcam verdadeiramente o desenvolvimento social, emocional e cognitivo  dos nossos filhos se manterão escondidas, podendo, algumas vezes, comprometer  os relacionamentos que eles terão na vida adulta.

Talvez, uma das lembranças mais poderosas e importantes que temos seja o tempo que recebemos dos nossos pais, a expressão do dar e receber amor, a brincadeira em família, o sagrado da relação, o tempo “gasto” com a gente.

Claro que não temos controle de quais momentos nossos filhos se lembrarão, mas essa é a melhor parte: Construir memórias afetivas que os filhos guardam de diferentes formas.

Não sabemos quais experiências de hoje serão importantes para eles amanhã, no entanto, podemos escolher entre oferecer um “pacote” de bons momentos que os ajudem a enfrentar a vida ou simplesmente dizer-lhes: Eu não posso! E dependendo dessa escolha, as figurinhas das lembranças da vida dos nossos filhos conosco  podem ser a presença ilustrativa de um álbum vazio.
 
Albanisa Gomes
Educadora Diretora do Colégio Santo Inácio
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