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Fotógrafo que teve olho atingido em protesto tem indenização negada pela Justiça

É a segunda vez que o profissional tem resposta negativa no Tribunal. Ele solicitava R$ 1,2 milhão

15:31 | 29/11/2017
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A Justiça decidiu que o fotógrafo Sérgio Silva, de 36 anos, não deve receber indenização por ter perdido o olho esquerdo durante um conflito em uma manifestação em São Paulo, em 2013. O fotógrafo diz que teve o olho atingido por uma bala de borracha disparada por um policial. A informação é do UOL.

O fotógrafo queria uma indenização de R$ 1,2 milhão e pagamento de pensão. Conforme decisão divulgada nesta quarta-feira, a Justiça entendeu que não há provas de que o profissional foi atingido por uma bala de borracha disparada por um policial.

O relator do caso e desembargador João Batista Morato Rebouças de Carvalho argumentou que mesmo que a situação seja dramática, não é possível descobrir se o objeto que atingiu o olho esquerdo do fotógrafo é ou não uma bala de borracha. O desembargador Oswaldo Luiz Palu, que também participou da decisão, afirmou que, somado a falta de provas, o fotógrafo assumiu os riscos ao comparecer no protesto.

Após o ferimento que sofreu na noite do dia 13 de junho de 2013, o fotógrafo Silva disse que ficou um ano sem trabalhar e se viu obrigado a uma readaptação física e psicológica. Ao UOL, Silva disse que teve o globo ocular esquerdo danificado e, por isso, retirado. "Além da perda da visão, tive uma perda estética. Então, coloquei uma prótese".

O fotógrafo de imprensa estava na manifestação fazendo uma reportagem. O protesto, contrário ao aumento da tarifa dos transportes públicos no Estado, se tornou violento e policiais entraram em ação para dispersar a multidão.

Hoje, Silva tem mais cuidado para fazer qualquer atividade, desde a mais simples possível, como atravessar a rua e até mesmo exercer sua profissão de fotógrafo.

Silva diz que fica revoltado, já que milhares de pessoas sabem o que aconteceu naquela noite. Para ele, o que acontece é que não há provas, nexo casual de que foi um agente do Estado que disparou. "Aí fica a pergunta: quem manipula bala de borracha? Quem são as pessoas feridas naquela noite?". Ele diz que a medida em que o tempo passa, a ação policial está se legitimando.

Silva relatou que tem dificuldade e angústia de enfrentar judicialmente o Estado. "O peso da caneta, o peso da mão do Estado quando se defende, é duro", afirmou.

Ano passado

No dia 8 de outubro de 2013, o fotógrafo acionou o governo do Estado na Justiça. Ele pediu R$ 1,2 milhão pelo que sofreu, além da pensão de R$ 2,3 mil por mês pelos danos causados. Em 10 de agosto de 2016, o juiz Olavo Zampol Junior, da 10ª Vara da Fazendo Pública, negou o pedido.

Na decisão do ano passado, o magistrado defendeu que Silva era o responsável pelo incidente, já que poderia ter evitado estar na linha de frente.

Diferente a deste ano, a decisão do ano passado não se baseou na impossibilidade de provar que o ferimento foi causado por projétil de borracha disparado pela PM.

 

Redação O POVO Online 

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