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Projeto goiano contrata presidiários para produção de artesanato

Milena Curado, criadora da empresa que abriga o projeto, explica que a relação não é baseada na caridade. "O que me levou ao presídio foi saber que eles teriam tempo disponível", explica

13:10 | 22/07/2016
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Em Goiás Velho, interior de Goiás, uma iniciativa chamou atenção. A empresária Milena Curado, dona da Cabocla Criações, decidiu contratar mão-de-obra proveniente do presídio local. Inicialmente, eram contratadas apenas mulheres, mas, atualmente, o projeto emprega 20 detentos, e há apenas uma mulher. Milena afirma que em 2008, quando iniciou o projeto, foi um susto em sua família. “Um tio meu disse: 'você está ficando louca? Como é que você vai mexer com preso?’".

A Cabocla Criações trabalha com bordados em roupas, bolsas, almofadas e panos que são vendidos por todo o Brasil. A empresa recebeu premiação máxima do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e rendeu à Milena o troféu de ouro para mulheres empreendedoras do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

"Eu não estou lá porque sou boazinha ou porque tenho dó de preso. Não sou da pastoral carcerária. O que me levou ao presídio foi saber que eles teriam tempo disponível. Eu precisava da mão de obra e eles são comprometidos (com o trabalho), é uma troca", afirmou a empresária à BBC. Os envolvidos no projeto ganham, em média, R$ 50 semanalmente.

A atividade, além da renda, garante a remissão da pena e torna a empresa contratante livre de alguns encargos patronais. O projeto possui acordo com a Justiça local para efetuar o pagamento diretamente aos presos. "Temos um presídio pequeno, que deveria ser de caráter provisório, mas se transformou em local de cumprimento de pena. Por isso foi possível pagá-los diretamente", disse Edivar da Costa Muniz, promotor de Justiça do Ministério Público, à BBC.

"Um deles me escreveu dizendo que o bordado proporciona para ele produtos de 'luxo' na cadeia: creme dental, copo de suco", disse Milena. Ela ressalta que o objetivo do projeto é atender os presos enquanto eles estão na prisão, quando não têm acesso a outras oportunidades. “Da mesma maneira que eu preciso deles, eles precisam de mim”, declarou.

 

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Redação O POVO Online

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