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Profissionais do meio artístico lamentam morte do artista plástico Tunga

Personalidades da arte cearense, do Brasil e do mundo falaram sobre a morte do pernambucano

23:05 | 06/06/2016
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“Foi um soco no estômago”, disse a curadora de artes plásticas de Fortaleza, Dodora Guimarães, em conversa com O POVO Online, sobre a notícia da morte aos 64 anos do artista plástico pernambucano Tunga nesta segunda-feira, 6. Ele estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, desde o dia 12 do mês e lutava contra um câncer.

Filho do jornalista e poeta Gerardo de Mello Mourão e de Léa de Barros, Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, morava no Rio de Janeiro, onde se formou em arquitetura e urbanismo e começou a desenvolver sua carreira artística.

Considerado um dos maiores nomes da arte contemporânea nacional, ele foi o primeiro a ter uma obra exposta no museu do Louvre, em Paris. Tunga também expôs na Bienal de Veneza.

Dodora conviveu pouco com a “genialidade” de Tunga. Mas o seu pouco convívio foi o bastante para caracterizá-lo como um “artistão”, como a curadora se referia ao pernambucano.

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“Ele era uma pessoa muito rara, conhecedora do seu ofício e da sua arte. Fico com pena do mundo por que foi perdido um grande porta-voz. Ele não era uma estrela e sim um grande artista que nos deixa um grande legado”, contou ao O POVO Online.

Generosidade. Esta é uma palavra que caracterizava Tunga para o artista plástico José Guedes. Em conversa com O POVO Online, ele contou um caso que o ajudou nessa dominação. Em 2007, na segunda tomada de direção do Museu do Dragão do Mar, Guedes contou a simplicidade do pernambucano ao participar da primeira edição do “Projeto Arte Crivo”. “O Tunga se apaixonou pelo Dragão do Mar. Ele estava com o Dragão na mente para suas artes”, contou.

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“Era um dos artistas mais inventivos da arte atual brasileira. Um dos artistas de maior inserção no panorama da arte mundial”, se declarou ao talento de Tunga.

Não foi apenas no cenário local que a morte do artista pernambucano foi sentida. Ela foi lamentada no meio artístico brasileiro e internacional. A cantora Paula Toller escreveu no Facebook: "Em homenagem ao Tunga, grande artista que faleceu hoje, o vídeo-performance de 'Derretendo Satélites', colaboração entre mim, Lui Farias e ele, em 1998. Adeus, Tunga!". "Viva Tunga", homenageou o ator, escritor e apresentador brasileiro Michel Melamed.

A curadora britânica Victoria Siddal, diretora da Frieze Fair, escreveu no Twitter: "Estou triste em saber da morte de Tunga, artista brasileiro que tinha apenas 64 anos e ainda realizava grandes trabalhos".

Tunga nas artes plásticas

Tunga começou a carreira nas artes plásticas ainda na década de 70, com desenhos e esculturas. Ainda na mesma década, ele começou a fazer instalações de diferentes materiais.

Na década de 80, ele montou a instalação “Ao”, em que mostra um filme feito no túnel Dois Irmãos.

Neste período, o artista plástico também abordou as ciências naturais em seu trabalho, mas também representava a fuga da normalidade. A obra “Les bijoux de Mme. Sade”, de 1983, é um exemplo disso, onde ele construiu um círculo com a forma de um osso.

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Ao longo da década de 90, Tunga explorou as relações entre diferentes metais e figuras que fizeram história em sua obra. É o caso de “Lúcido Nigredo”, de 1999.

Redação O POVO Online

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