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"O próprio delegado me culpou", diz adolescente que sofreu estupro coletivo

"Eu pretendo esquecer essa história. E, depois, que tenha justiça. Mas eu quero esquecer aqueles momentos e seguir em frente", disse a jovem

09:50 | 30/05/2016
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Na noite desse domingo, 29, o programa ‘Fantástico’ exibiu a entrevista da adolescente de 16 anos que foi vítima de estupro em uma comunidade da Zona Oeste do Rio do Janeiro. A jovem contou que sofre ameaças e que se sentiu desrespeitada na delegacia onde prestou depoimento. De acordo com ela, a postura do delegado-titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), Alessandro Thiers, fez com que o depoimento fosse interrompido pela jovem.

[SAIBAMAIS3]"O próprio delegado me culpou. Quando eu fui à delegacia eu não me senti à vontade em nenhum momento. Eu acho que é por isso que muitas mulheres não fazem denúncias. Tentaram me incriminar, como se eu tivesse culpa por ser estuprada", relatou a adolescente.

"Ele perguntou se eu tinha o costume de fazer isso, se eu gostava de fazer isso [sexo com vários homens]", disse a menor sobre um dos motivos pelos quais considerou a conduta do delegado como inadequada.

O ambiente escolhido para que o depoimento fosse realizado também foi questionado por ela. "Começando por ele, tinha três homens dentro de uma sala. A sala era de vidro, todo mundo que passava via. Ele colocou na mesa as fotos e o vídeo. Expôs e falou: ‘me conta aí’. Só falou isso. Não me perguntou se eu estava bem, se eu tinha proteção, como eu estava. Só falou: ‘me conta aí’", declarou a adolescente.

Momentos de Pânico
"Quando eu acordei, tinha um menino embaixo de mim, um menino em cima e dois me segurando. Eu comecei a chorar. Tinha muitos homens. Tinha fuzil, pistola. E a casa estava muito suja", descreveu a adolescente sobre o momento em que acordou.

Ela afirma que tinha ido outras vezes à comunidade onde o crime ocorreu, mas nunca tinha sofrido violência sexual. Ela ainda nega que tenha consumido qualquer tipo de droga na noite em que sofreu o estupro e acredita que foi dopada.

"Eu acho que sim [foi dopada]. Porque eu dormi por muito tempo. Não é possível que tinha todos estes homens e eu não tenha acordado, se eu não tivesse dopada”, disse a jovem.

Repercussão na Internet
"Ninguém merece isso. Não interessa se eu estava com roupas curtas, com roupas longas. Não interessa como eu estava, no lugar que eu estava, na hora que eu estava. Estão fazendo áudios meus, montagens com a minha foto, fotos que não são minhas, vídeos que não são meus onde eu estaria nua, armada. Tem áudio onde eu estaria falando ‘ah! Eu tô muito louca’, sendo que não sou eu.", disse a vítima sobre as supostas imagens suas que circulam nas redes sociais que tentariam mostrar que ela tinha comportamento comprometedor.

A adolescente se mostrou indignada porque muitas pessoas não acreditaram em seu relato do estupro que sofreu. "Eu fico um pouco [revoltada], porque têm pessoas que estão defendendo [a violência que sofreu], afirmando que eu estou mentindo, dizendo que a minha versão da história é mentirosa. Sendo que tem um vídeo para provar que eu estava desacordada no momento, nua e eles mexeram em mim. Tem fotos. No vídeo eles falando quantas pessoas tinham".

Versão do crime
Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, disse que um laudo no vídeo que deu origem à investigação do estupro coletivo vai "contrariar o senso comum".

O delegado afirmou, em entrevista ao programa 'Fantástico', que "não há vestígios de sangue nenhum que se possa perceber pelas imagens que foram registradas."

"O laudo vai trazer algumas respostas que, de certa forma, vão contrariar o senso comum que vem sendo formado por pessoas que sequer assistiram ao vídeo", acrescentou Veloso.

Proteção de testemunhas
A menor de 16 anos de idade que teria sido vítima de um estupro coletivo em uma comunidade do Rio de Janeiro entrou no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes ameaçados de Morte (PPCAM), executado pela Secretaria de Direitos Humanos do Estado do RJ. Segundo informações da Globo News, a adolescente já saiu de casa e está em um local que não foi divulgado.

Cristina Bento, titular da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e delegada responsável pela coordenação do caso a partir desse domingo, 29, afirmou que está estudando o inquérito e que a medida foi necessária para garantir a segurança da jovem.

Redação O POVO Online

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