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"PF prendeu alguém por causa de informações que não existem", diz WhatsApp sobre decisão de juiz

A empresa classificou como "extrema" a decisão do juiz Marcel Maia Montalvão, que mandou prender o mais alto executivo

17:14 | 01/03/2016
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O juiz Marcel Maia Montalvão, de Largato, em Sergipe, mandou prender o mais alto executivo do Facebook na América Latina em razão de a companhia não liberar dados para investigações sobre tráfico de drogas no Brasil. O vice-presidente da companhia, Diego Dzodan, foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 1º, em São Paulo.

“Nós estamos desapontados que os órgãos de segurança tenham tomado essa medida extrema. O WhatsApp não pode fornecer informações que não possui. Nós cooperamos ao máximo nesse caso e, apesar de respeitar o trabalho importante das autoridade, discordamos fortemente dessa decisão”, disse a companhia, em comunicado.

[SAIBAMAIS3]Segundo a folha de São Paulo, a decisão do juiz veio após a empresa não colaborar com investigações da Polícia Federal a respeito de conversas no WhatsApp. A polícia quer que o aplicativo repasse informações sobre localização e a identificação de suspeitos de tráfico, o que a companhia se nega a fazer.

As mensagens dos usuários não são guardadas, alega o aplicativo. “Isso significa que a Polícia prendeu alguém por causa de informações que não existem”, diz a empresa.

O WhatsApp argumenta ainda que tem acesso as mensagens apenas antes de elas serem entregues, depois que isso acontece, os textos, fotos e vídeos só existem nos aparelhos dos usuários. A companhia vem dotando gradativamente, desde 2014, um tipo de criptografia das mensagens conhecido como “end-to-end”, nas quais nem mesmo as companhias podem acessar a comunicação.

A mensagem sai codificada e chega à outra ponta ainda cifrada, o que dificulta o monitoramento até mesmo se instituições de vigilância pressionarem empresas a entregarem dados de usuários.

O presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital e promotor, Frederico Ceroy, disse que o judiciário não está pedindo o conteúdo das mensagens trocadas, mas sim dados sobre a localização e a identificação de suspeitos de tráfico. “O WhatsApp está totalmente errado e indo contra o Marco Civil da Internet” diz ele.

Segundo ele o Facebook está na contramão: “O Facebook tem ido na contramão do que o Google, Hotmail e outros provedores fazem Não se trata de uma discussão sobre privacidade ou liberdade, e sim de segurança, já que temos investigações de crime organizado, tráfico de drogas e pedofilia em andamento”, finaliza.

De acordo ainda com a Folha de São Paulo, Dzodan foi preso na capital paulista em sua casa. O executivo foi levado para a Superintendência Regional da Policia Federal, na Lapa, em São Paulo, onde prestou depoimento e depois foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros.

Redação O POVO Online

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