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Lula leva luta para salvar sua imagem às ruas do Brasil

Procuradores brasileiros suspeitam que Lula tenha aceitado favores milionários de empresas da construção acusadas de um desfalque na Petrobras

13:23 | 05/03/2016
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Obrigado a depor pelo escândalo de corrupção na Petrobras, o ex-presidente Lula, símbolo da esquerda brasileira, pediu aos seus partidários que o apoiem nas ruas, enquanto a oposição ganha força para acelerar a destituição de sua afilhada política, a presidente Dilma Rousseff.

Procuradores brasileiros suspeitam que Lula aceitou favores milionários de empresas da construção acusadas de um desfalque na Petrobras, e a pedido deles a polícia fez buscas na manhã de sexta-feira, 4, nas casas e escritórios do ex-presidente, de seus sócios e familiares, e o obrigou a depor ante a polícia.

O carismático Lula, que aos 70 anos se encara como eventual candidato à presidência pelo Partido dos Trabalhadores para as eleições de 2018, se declarou ultrajado, e em inflamados discursos afirmou na sexta-feira que "se quiserem me derrotar terão que me enfrentar nas ruas deste país".

"A partir de segunda-feira estou disposto a viajar por todo o país. Se alguém pensa que vai me calar com perseguições e denúncias, eu sobrevivi à fome, e quem sobrevive à fome não desiste nunca", disse Lula, que durante a infância foi engraxate, passando a atuar como torneiro mecânico e sindicalista, antes de alcançar a presidência.

Cerca de 500 partidários de Lula estavam neste sábado,5, na frente de seu prédio e gritavam slogans de apoio, constataram jornalistas da AFP. O portal G1 da Globo informa que a presidente Dilma Rousseff irá visitá-lo durante a tarde, embora pessoas próximas a Lula e a presidência não confirmem esta informação.

Uma manifestação de apoio ao ex-presidente foi convocada para a próxima terça-feira,8, enquanto a oposição prepara há semanas um novo protesto no dia 13 de março para pressionar pela saída de Dilma do governo.

Na sexta-feira, dezenas de manifestantes pró e anti-Lula se enfrentaram diante da casa do ex-presidente e na sede da polícia onde ele depôs.


Dilma
Os problemas judiciais de Lula enfraquecem ainda mais a presidente Dilma, que conta com apenas 11% de popularidade e está cercada por várias fronts.

Ao escândalo na Petrobras que levou à prisão de importantes figuras de seu partido, se soma um processo de destituição contra elas por maquiar as contas públicas, uma crise política que bloqueia sua agenda no Congresso e o Tribunal Superior Eleitoral investiga se o financiamento de sua campanha à reeleição foi ilegal.

Além disso, o Brasil atravessa uma severa recessão econômica que se antecipa como a pior em um século, a inflação alcança os dois dígitos e o desemprego cresce há meses.
"A declaração forçosa de Lula dará mais força aos pedidos de impeachment, e a oposição ganha um novo ímpeto para tentar forçar a saída de Rousseff", opinou o analista político André César.

O senador opositor Aécio Neves, do PSDB, que perdeu a eleição para Dilma em 2014 por uma pequena margem, anunciou que o Congresso interromperá a partir de segunda-feira as votações até que a comissão de impeachment seja instaurada.


Acusações
Ainda não há acusações formais contra Lula. Os procuradores dizem que há indícios de enriquecimento ilícito e tráfico de influência no âmbito da Operação Lava Jato, que tenta desvendar o esquema de corrupção na Petrobras, mas esclarecem que esta fase é investigativa.

A transferência forçada do ex-presidente à Polícia Federal em São Paulo para depor sem intimação prévia foi questionada por juristas e inclusive por um ministro do Supremo Tribunal Federal.
"Não se pode obrigar alguém a prestar depoimento quando não está obrigado a fazê-lo. É o caso de Lula, que já prestou depoimento espontaneamente no âmbito deste caso", disse à AFP Thiago Bottino, especialista em direito penal da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O juiz Sergio Moro, a cargo da investigação da fraude da Petrobras que custou à estatal 2 bilhões de dólares, afirma que tomou a decisão de surpreender Lula ao amanhecer em sua casa para evitar tumultos entre manifestantes governistas e da oposição.

Michel Mollahem, professor de direito da FGV, estima que esta pressa pode terminar beneficiando o ex-presidente, que assumiu a presidência em 2003 e deixou o poder oito anos depois com 80% de aprovação.

As ações policiais "podem afetá-lo negativamente ou criar uma narrativa heroica de Lula, tudo depende da habilidade dos investigadores de comprovar as suspeitas com provas", disse Mohallem.

"O discurso de Lula foi muito forte, tirou o que é de mais autêntico dele, houve uma reação grande ao seu favor nas redes sociais, e talvez tenha reforçado o discurso de mártir, de vítima que vem usando", acrescentou.

AFP
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