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Produto que mata Aedes aegypti está pronto desde 2006

O produto que usa bactéria para matar Aedes está pronto desde 2006. Piloto teve sucesso em 2007, mas governo ignorou. Ministério diz que compra internacional impede uso de versão da Embrapa

14:38 | 22/01/2016
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O larvicida biológico que usa uma bactéria para matar as lavas do mosquito Aedes aegypti começou a ser usado desde a última quinta-feira, 21, no Distrito Federal. O mosquito transmissor da dengue, do chikungunya  e do zika vírus – apontado como responsável por um aumento em casos de microcefalia – pode estar com os dias contados.
 
A fórmula criada no Brasil em 2006 foi registrada na Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) ainda naquele ano. O produto já está pronto para utilização em larga escala há quase dez anos, mas nunca foi usada de forma sistemática no país.
 
A substância pode ser aplicada em caixas d’água, piscinas, ralos, vasos de plantas e em qualquer ambiente doméstico, incluindo reservatórios de água potável. A compra do produto só pode ser feita, por governos ou empresas especializadas.
 
[SAIBAMAIS3]O larvicida contém o Bacillum thuringiensis israelense (BTI), uma bactéria inofensiva para humanos e animais domésticos, mas letal para o mosquito. O efeito acontece quando a larva do Aedes  come essa bactéria na água limpa e parada, recebendo quatro toxinas que causam paralisia generalizada e matam o vetor.
 
O produto é vendido pelo nome comercial “Bt-Horus” custando cerca de R$ 60 por litro. A versão brasileira, criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a empresa nacional Bthek, traz um bacilo em uma solução líquida.
 
De acordo com reportagem publicada no portal G1,  o Ministério da Saúde informa por meio de nota que só pode incluir um produto no Programa Nacional de Combate à Dengue se ele obtiver registro na Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa restrição se aplica, segundo a pasta, porque a aquisição é feita por licitação internacional, com verbas da Organização Pan-Americana de saúde (Opas).
 
O ministério diz analisar, “além da segurança e da eficácia, o custo-efetividade, o impacto epidemiológico esperado, o protocolo e estratégia de utilização do produto e o impacto orçamentário que será produzido”.
 
Os governos locais e a própria União podem adquirir o Bt-Horus diretamente do fabricante, mas, para isso, não podem contar com as verbas da Opas. O ministério não soube informar porque mantém um regulamento que impede a compra de produtos nacionais para o Programa Nacional de Combate à Dengue, criado em 2002, mesmo aqueles com autorização da Anvisa.
 
Em 2010 o governo federal importou oito toneladas do produto e fez a distribuição para 13 estados e o DF, apesar de não prever a aquisição do bacilo na formulação nacional.
 
Segundo o próprio ministério, a diferença, está na forma de apresentação do produto. O Bt-Horus é vendido em solução aquosa no Brasil, sendo que o BTI foi licitado na versão “efervescente” (WDG, na sigla em inglês), regulamentada pela OMS, por isso, precisaria de nova permissão do órgão ligado à ONU.
 
Redação OPOVO Online 
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