PUBLICIDADE
Notícias

Sobreviventes de incêndio de Santa Maria enfrentam batalha pela vida

Cerca de 70 pessoas gravemente feridas permanecem em unidades de tratamento intensivo enfrentando as sequelas da fumaça

08:20 | 30/01/2013
AFP
AFP

Eles saíram com vida do incêndio na boate de Santa Maria, mas a luta contra a morte não terminou. Cerca de 70 pessoas gravemente feridas permanecem em unidades de tratamento intensivo enfrentando as sequelas da fumaça da trágica madrugada no Brasil.

Mario Birnfeld do Canto é médico do hospital da Caridade (particular) e naquele dia atendeu a sua própria filha, Mariana, uma das 235 pessoas mortas no incêndio na boate Kiss no domingo, 27 de janeiro.

Morreram asfixiados, foram mortos por asfixia", repete Mario, chorando desesperado, ao deixar o hospital onde foi buscar o atestado de morte de Mariana.

"Ver estes jovens, que vinham estudar, e tudo por falta de fiscalização", reclama.

Mais de 116 pessoas ficaram feridas no incêndio naquela noite, e por volta de 70 "correm risco de morte", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A maioria dos pacientes em estado crítico foi levada para hospitais melhor preparados de Porto Alegre.

Estima-se que 90% das vítimas morreu por asfixia, em meio a um tumulto provocado pelo pânico e uma nuvem de fumaça negra tóxica que impediu as pessoas de encontrar uma saída.

O alvará da boate estava vencido, segundo a polícia. O local não tinha saída de emergência, e sua única porta chegou a ser bloqueada pelos seguranças por algum tempo, denunciaram testemunhas.

O fogo começou com um incêndio causado por fogos de artifício acesos por um integrante da banda Gurizada Fandangueira.

Anjos entre os feridos em estado grave está Heuri Guedes, de 23 anos, hospitalizado na unidade de tratamento intensivo do Hospital da Caridade.
Quando sua mãe Iara é autorizada a vê-lo, ela o acaricia, diz que o ama, e espera que seu carinho contribua para o tratamento de seu grave problema respiratório.

"Ele vai se salvar, vai se salvar", repete para si mesma, entre sussurros. "Eu só quero meu filho vivo, não podemos perder a fé", disse Iara à AFP na porta do hospital.

"Tem que haver justiça, não interessa como (...) Não é possível que tenham que acontecer estas coisas, esta destruição, morte, desespero, para que estas coisas sejam vistas", afirma a mulher.
Iara assegura que Heuri foi salvo por "um anjo da guarda". "Um menino que o salvou, quero conhecer ele".

Outro "anjo" salvou Luana Weber Andreata (19), comemora também sua mãe, Helenita. Luana estava a ponto de escapar das chamas da discoteca quando caiu diante da porta.

"Veio um jovem vestido de branco, ela não soltava a mão dele, mas ele disse que ela deixasse ele ir, que voltaria para ajudá-la, que não ia deixá-la, e pouco depois a agarrou e a puxou", disse Helenita, repetindo a história que sua filha contou.

Além de Luana, Helenita também está com seu filho Magno no hospital. Ele foi uma das pessoas que se recusaram a deixar o local para salvar vidas.
No Hospital Universitário também está internado Gustavo Riet, de 34 anos. "Ele conseguiu sair, mas voltou para ajudar e agora está com um pulmão muito comprometido", disse sua mãe, Rosângela.

Os médicos do Hospital Universitário atenderam 100 pacientes nessa noite. Hoje restam 16, três em estado crítico, disse à AFP o vice-diretor clínico, Larry Cassol Argenta.
O psicológico André teve sorte e ficou levemente ferido, mas em sua cabeça o drama se repete como um filme minuto a minuto, de quando viu a fumaça, pensando que era parte do show, até a multidão que buscava desesperadamente a saída.

"Quando cheguei ao hospital, não tinha noção da magnitude do incidente. Depois vi os números, e até agora acho que estou em um pesadelo", disse este jovem de 19 anos, que perdeu dez amigos no incêndio.

Agora ele toma calmantes e vai iniciar um tratamento psicológico.
O ministro da Saúde afirmou que parentes e amigos dos pacientes em estado grave internados em Porto Alegre seguirão o mesmo protocolo do que o prestado após os atentados contra as Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

AFP

TAGS