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Estudar na terceira idade ajuda a manter cérebro e prazer de viver ativos

Conheça a história de Luiz, Eneida e Alda, três idosos que encontraram na sala de aula a longevidade do aprendizado

13:14 | 06/04/2017
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[FOTO1] Aos 80 anos, o bancário aposentado Luiz Aldeci Lopes Paixão pratica pilates, estuda violão e canto, dança e faz uma pós-graduação em musicoterapia, em Fortaleza. Uma inquietude só, que ele não cansa de aguçar. “Acho que vou trocar o violão pelo piano. Eu sou assim, quero tudo, sou curioso”, disse.


Paixão, como gosta de ser chamado - “não por enxerimento”, brinca – nasceu em Baturité, distante cerca 77km da Capital. Ele conta que teve uma infância difícil, mas carrega a lembrança afetuosa da mãe. “Fui criado num sítio, no meio das árvores e das cobras. Minha mãe era meu pai, era ela quem fazia tudo, que me educou. Dizem que a mulher é fraca, mas é mentira”, relembra.



Seu pai morreu quando ele ainda era bem pequeno e deixou o sítio e uma pensão para a família. E, para a mãe que era pai, ele cantarola, ao telefone, versos de Erasmo Carlos: “dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda”, entoa. E completa: “minha mãe era assim, como esta música”.

 

 

O aposentado passeou pela infância no interior, pelos familiares e pelas saudades, para contar que, até um tempo atrás estava depressivo. “Eu dizia que quando eu me aposentasse não ia dar um prego em uma barra de sabão. Mas, quando me aposentei, depois de seis meses, me senti angustiado, um ser imprestável”, relata. Mas a iniciativa de voltar aos estudos resignificou os dias do aposentado, que se enreda nas partituras para aprender a tocar, ainda no violão, a música que lembra a mãe.

 

 

Assim como Luiz Paixão, a pedagoga aposentada Eneida Mourão Frota, 73, que faz um curso na área da psicologia humana, na Universidade Sem Fronteiras (Unisf), na Capital, encontrou na sala de aula a motivação para esta fase da vida. “Quando vi minha família crescer, cada um tomar seu rumo, não me conformei em ficar só em casa. Saí para buscar crescimento. Estudar não é fuga, para mim, é prazer”, conta. Eneida diz que nunca parou de estudar e já fez outros diversos cursos.

 

 

Na mesma Universidade, a procuradora federal aposentada, Alda Pereira, 66, faz um curso de filosofia e desbrava os conhecimentos que, na juventude, não podia escolher. “Antes, o estudo era como se fosse uma obrigação, uma necessidade para vencer na vida. Agora, você adquire conhecimento sem a imposição. Agora é um enriquecimento para vida”.



BENEFÍCIOS


A terapeuta ocupacional, gerontóloga e mestre em psicologia, Lucila Bonfim, 54, professora na Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e Unisf, conta que estudar na terceira idade estimula funções do cérebro, como a memória e o raciocínio e ajuda a prevenir a depressão.

 

“O aluno se encontra, começa se relacionar com novos grupos, se entende e começa a entender que ele é capaz de fazer muitas coisas”, explica.

A profissional relata que a mudança nos alunos da terceira idade é notória. “O cérebro detesta rotina. Ele começa aprende coisas novas. Já vi casos de alunos chegando com depressão, e, claro, com acompanhamento médico, melhoraram”, disse. Ela reforça que atividades que envolvem informática e smartphone ajudam a exercitar a memória.

 

SERVIÇO

 


AULA GRATUITA PARA IDOSOS



Quando: às terças e quintas, dàs 18h30 às 20h


Onde: Universidade Sem Fronteiras, localizada na rua Nunes Valente, 969, Aldeota


Telefone: (85) 3224-0909


Disciplinas oferecidas: português e matemática
*Não precisa se inscrever, basta ir ao local. A turma comporta até 20 alunos.



Locais que oferecem cursos para voltados para terceira idade:


SESC


Universidade Sem Fronteiras (Endereço e telefone acima)

 

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