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Profissionais sugerem usar o momento para criar um novo habitar

Com mais tempo em casa em virtude da pandemia, por que não iniciar uma rotina diferente? Profissionais da área de casa e estilo convidam a uma nova visão sobre os espaços

Jully Lourenço
19:49 | 30/03/2020
Saia da rotina - Movimente os móveis de lugar  (Foto: Foto Reprodução Instagram)
Saia da rotina - Movimente os móveis de lugar (Foto: Foto Reprodução Instagram)

Com mais tempo em casa em virtude do isolamento decorrente da pandemia de coronavírus, por que não iniciar ou dar espaço a uma rotina totalmente nova? Profissionais da área de casa e estilo fornecem uma visão completa, da sala de entrada ao closet.

Duas coisas que não se separam são a forma como nos comunicamos dentro e fora de casa. Apesar de parecerem distintas, camufladas até, partem da mesma essência, mesmo que partilhada em família, morando com mais pessoas. O lar que habitamos é uma extensão ampla e mutável dessa personalidade, que varia conforme os estilos e o tempo, este último, por sinal, que insiste em marcar presença, de forma não muito clara, às vezes desafiadora, nos lares. Porém nada que não tenha se acentuado com as previsões de isolamento, atestadas pelo novo coronavírus, como nota a arquiteta Natália Vale.

Para a profissional, sócia do arquiteto Lucas Cunha na View Arquitetura, é natural que as pessoas, obrigadas a ficarem em casa, passem a dar mais importância à forma como começam a percebê-la, um pouco diferente de antes. "Como a pessoa está mais tempo dentro de casa, e com mais gente, se for uma família, isso claro que impactará o pensamento que ela tem sobre a disposição dos móveis, por exemplo. Um aparador que serve mais para demarcar, cumprindo uma função mais estética do que prática, talvez não seja um móvel adequado no momento", diz, sugerindo removê-lo de lugar, para dar entrada à um campo mais funcional, de conforto e bem estar, a depender, claro, do estilo de cada um na casa.

A arquiteta atende geralmente projetos que nascem planejados. Nem por isso, porém, afirma que tudo deva ser como foi um dia. Segundo Natália, o período de quarentena, que vai junto com o de home office para muitas pessoas - com boa parte das delas morando em apartamento -, está aí para provar. Não só delineia as novas necessidades como também ele, o tempo, que ressignifica a ideia de casa. Deixa de ser um dormitório como muitas vezes é lembrado, para ser um espaço de convívio integral inevitável às customizações, muitas vezes uma atrás da outra.

Sabendo desta transformação, que acende com o confinamento em casa, uma ressalva a fazer: "organização é fundamental", destaca Natália, como uma entre as possibilidades de dar ânimo novo ao ambiente, seja ele qual for. E que não se engane. A atitude com o link de que é falta do que fazer, é logo rebatida pela arquiteta. Não é desta forma que ela percebe a mudança. Para a profissional, o ato de organização reflete o grau de importância que a pessoa, mais conectada com o seu lar, irá se dispor, ou não. Se você se vê querendo alternar de cena, avante.

Para a transformação da área desejada, comece com uma ação simples, talvez nem tanto para alguns, mas bastante eficaz. "Primeiro, você tira as coisas que não precisa, para que as energias pesadas, elas se desfaçam", lança Natália, que promete recompensa, ao final. "Automaticamente verá que ganhou um novo espaço", diz.

A partir do exercício, iniciado antes com a percepção do morar, Natália atribui o que classifica como "enxergar o lar, não só a casa, que pode remeter apenas ao estrutural". A relação com o estar presente, em cada detalhe de organização e fluidez, para a arquiteta, é ainda mais importante. Outras dicas referem-se literalmente ao estado de expansão.

Já pensou trocar o jogo de capa das almofadas do sofá? Já pensou em usar um enxoval esquecido no guarda-roupa? Ou usar um tapete de outro cômodo? Mudar um móvel de lugar? "Com o que já tem, você pode trocar um adorno por outro", acrescenta a arquiteta sobre os caminhos a serem revisitados. Até trocar uma planta de lugar, na opinião dela, vale. "É aprender a habitar o próprio lar", atribui a arquiteta, atualmente de home office, em um quarto de hóspede adaptado.

O sentimento de pertencimento também deve vir à tona com as roupas e acessórios. Se temos dificuldade de ver o que temos, naturalmente, não usamos. Mas isso não é só. Também pode favorecer ao consumo de coisas que tenham a mesma função, avisa a consultora de estilo Joana Montenegro, que deixa um passo a passo sobre o assunto de organização em destaque em seu perfil no Instagram. Lá, ela divide: "O objetivo é deixar o guarda-roupa, o máximo possível, como uma loja para que a gente se sinta motivados a usar o que temos".

 

PARA ORGANIZAR ESTANTES

Se possível, retire tudo do lugar e planeje-se.
Crie uma ligação com o ambiente à volta.
Reveja itens, o que pode ser guardado ou mudado de lugar, como o que deve permanecer.
Procure segmentar os elementos, só livros, por exemplo, enquanto dá início a um painel visual que se transformará sua estante. Complete com peças que tenham a ver com você, ou com o seu momento. Vale um objeto de vidro, um artigo feito à mão, a narrativa é sua.
Crie também pontos de contraste, e/ou de textura.
E o mais importante: fique com o que lhe faz bem. O que não lhe servir mais, reserve para uma venda futura. Lembre-se: quando o isolamento for página virada, você ainda poderá doar.

Organizer Fernanda Abreu
Organizer Fernanda Abreu

Bem estar

Só se é perceptível quando se tem tempo para realmente estar. Assim é na casa, no lar, com os objetos que nos cercam, melhor se organizados. Faça uma lista. A dica é da profissional organizer Fernanda Abreu, que acolhe este período de quarenta como um estágio de autodescoberta.

“No método de organização profissional e de pessoa chamado Metodologia GTD (Getting Things Done), este é o primeiro passo e se chama ‘Esvaziar a mente’. Sugiro que as pessoas visitem cada ambiente da casa e liste quais são as mudanças que ela queria fazer neste local, mas que por um motivo ou outro esta atividade vem sendo adiada”, orienta.

Este processo, segundo Fernanda, vai trazer duas enormes satisfações. A primeira de sentir-se produtivo, com um check list de tarefas e ir concluindo uma a uma. “Essa sensação é de fato muito boa”, aconselha a profissional. A segunda, descreve ela, é de ver o seu ambiente modificando e tomando a forma que mais aproxima do bem estar que você prioriza para sua família. Então? Tem um tempinho?

A sugestão da organizer é iniciar as tarefas por ambiente. No quarto, dando continuidade às instruções da consultora de estilo Joana Montenegro, o alvo é o guarda-roupa ou closet e neste ambiente a palavra de ordem é desapego. “Minha dica é retirar as peças do armário e se perguntar, quando foi a última vez que eu utilizei essa peça? Para onde eu iria com ela novamente? Ela está em perfeito estado? Precisa de ajuste?”, convida Fernanda ao questionamento.

A leveza e o bem estar também fazem parte da cozinha, onde o maior alvo, de acordo com a especialista em organização de casa, é a despensa. “Aqui o meu conselho é, esvazie a despensa, confira todas as validades dos produtos, limpe cada prateleira e ao retornar faça categorias agrupando os itens no formato supermercado: enlatados, farináceos, material descartável, mantimentos, doces e guloseimas, massas, óleos e molhos”.

E em tempos de trabalho home office, claro que o ambiente entra na lista. Além do “limpa” em papéis, atente-se aos livros. “Olhe para cada um deles e se pergunte: este é utilizado para consulta ou referência? Se for livro de romance, aventura, eu vou ler novamente? Muita gente ainda tem enciclopédias em casa, mas qualquer consulta recorre ao Google”, atribui aos itens que apenas ocupam espaço. Mas, calma. Aos amantes dos livros, uma boa: “vamos limpar e categorizar conforme é a busca nos momentos de leitura”, dá mais uma dica.

Na sala, para Fernanda, o cartão de visitas da casa, a ordem é não seguir a ordem. Mude os móveis de lugar. “Esta tarefa é a campeã para você sentir aquele ar de casa nova, sem ter passado pelo árduo processo de mudança”, instiga. “Este processo de isolamento nos aproximou da nossa casa, da nossa família e mudar para melhor, todo mundo junto, é uma espécie de renovação e uma oportunidade de entendermos o quanto é importante nosso lar na nossa vida”, conclui a profissional organizer.