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Turismo
NOTÍCIA

Prá lá de Marrakech: atravessar o deserto do Saara é um passeio inesquecível

| DESERTO | De carro ou camelo, atravessar o Saara é um passeio inesquecível para quem gosta de contemplar as estrelas. Além de uma surpreendente aventura

11/07/2019 01:38:51
O deserto do Saara se estende por cerca de 11 países, entre Líbia, Argélia, Mali e Marrocos
O deserto do Saara se estende por cerca de 11 países, entre Líbia, Argélia, Mali e Marrocos(Foto: Eduarda Dilkin/Arquivo pessoal)

O deserto do Saara é paisagem e ponto turístico já fixo no imaginário de aventureiros, além de espaço muito utilizado na literatura e nos filmes. Mas, muito além do Egito, o deserto se estende por cerca de 11 países, entre Líbia, Argélia, Mali e Marrocos. E é nas areias marroquinas, a 560 km de Marrakech, que a emoção dos viajantes realmente começa.

A van da empresa de viagem - recomendável para quem deseja a experiência - atravessa a cidade de Merzouga e chega até uma das pontas das dunas de areia laranja. A partir de lá, a viagem é de camelo ou de carro. Mas independente do meio de transporte, a ideia é se proteger do sol, escaldante no verão, tolerável e agradável na primavera, e insuficiente para o frio do outono e do inverno. Os grandes lenços que podem ser comprados em qualquer cidade do país são perfeitos para fazer o "turbante", que protege a cabeça e partes do rosto no sol. Mas tenha em mente que, para comprá-lo, será preciso pechinchar. Nada em Marrocos é comprado pelo preço inicial dado pelo vendedor.

Subir no camelo é só o ponto de partida. O espetáculo começa no momento em que se chega nas grandes tendas - melhores ainda que os hotéis das grandes cidades - que se estabelecem em pontos mais baixos das dunas do deserto. Com energia, água quente e vários lençóis - pois a temperatura do deserto cai abruptamente durante à noite -, as cabanas são grandes e confortáveis. Mas o propósito é ficar o menor tempo possível por lá.

Diversas empresas disponibilizam uma prancha para os aventureiros que quiserem surfar pelas areias do deserto. Mas, quando a tarde chega ao fim, o pôr-do-sol silencia até o vento, que para sua sinfonia para observar os últimos raios solares se esconderem na duna mais alta. E isso significa que a noite está chegando. E com ela, o frio e as estrelas.

Depois do jantar típico, os grupos se organizam em círculo para aproveitar os chás, frutas e uma boa música marroquina, apresentada pelos próprios guias de viagem. É possível passear em volta das cabanas. A areia esfria rapidamente, e a caminhada se torna agradável quando a temperatura se estabiliza. Mas o recomendável é não se afastar muito, pois a luz da lua não é suficiente para guiar o caminho de volta para o acampamento, e quanto mais longe do acampamento, mais vasta é a escuridão.

Quando a noite chega ao ápice, o ideal, e indispensável, é pegar um casaco e deitar no areial. A noite estrelada é a visão mais linda de toda a viagem, em que as constelações são nítidas e, a partir de certo horário, se torna possível ver um pedaço da via láctea. Não perca tempo com a câmera do celular, que não consegue capturar nem um milésimo da beleza dos astros e satélites vistos a olho nu. A sensação é de estar em pleno espaço, contemplando uma ponta do sistema solar, talvez a mais estrelada e extraordinária.

 Há quem consiga passar a madrugada deitado, apreciando o universo e as estrelas cadentes e identificando constelações. É possível entender a inspiração de poetas como Frederico García Lorca e Olavo Bilac, quando escreveram sobre estrelas e noites de lua cheia, pois estas poucas horas deitado sob o céu do deserto faz da viagem de dez horas de Marrakech até Merzouga a mais espetacular de todas. E como diria Bilac: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido, capaz de ouvir e de entender estrelas".

Dicas para viagem ao Marrocos

Leve roupas para várias temperaturas. Se for passar a noite no deserto, não esqueças as de frio para aguentar a noite sob as estrelas.

Se for para o deserto, vá com guia ou empresa turística.

Não filme nem tire foto de manifestações religiosas.

Leve algum medicamento para o estômago. As comidas são muito temperadas e diferentes das do Brasil. Você pode não reagir bem.

Ao filmar ou fotografar manifestações culturais pelas ruas, esteja atento: você terá que pagar pela lembrança digital.

Beba bastante água durante toda a viagem.

Prefira transporte coletivo a dirigir. As estradas são sinuosas.

Natália Coelho/ESPECIAL PARA O POVO