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A reinvenção do Anima Mundi

| CINEMA BRASILEIRO | Após indefinição sobre a realização do 27º Anima Mundi por falta de patrocínio, festival comemora viabilidade do projeto através de campanha de financiamento coletivo

06/07/2019 02:24:14
ALÊ ABREU, diretor de O Menino e o Mundo, foi indicado ao Oscar de melhor animação e tem relação com o Anima Mundi
ALÊ ABREU, diretor de O Menino e o Mundo, foi indicado ao Oscar de melhor animação e tem relação com o Anima Mundi (Foto: divulgação)

Os 27 anos de história do Anima Mundi - Festival Internacional de Animação - tiveram continuidade ameaçada em 2019 após o anúncio de que a Petrobrás retiraria patrocínio de diferentes projetos culturais, incluindo o do evento. Dadas as circunstâncias, os organizadores apelaram para uma campanha de financiamento coletivo para tentar compensar a ausência do apoio financeiro da estatal. Faz pouco mais de uma semana que o final desse capítulo da história do Anima Mundi revelou-se, felizmente, exitoso: a campanha conseguiu arrecadar cerca de R$ 432 mil, garantido a realização de maus uma edição. O festival acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 17 e 21 deste mês.

A indefinição, porém, durou até o último dia de campanha, 27 de junho. A pouco menos de 9 horas da conclusão do financiamento, a meta mínima, que era de R$ 400 mil, ainda não havia sido alcançada. A situação delicada de 2019 refletiu o cenário que, em 1993, levou Aída Queiroz, Cesar Coelho, Léa Zagury e Marcos Magalhães a pensarem e concretizarem a primeira edição do Anima Mundi. "(O festival) é um projeto antigo, antes de 1993. Vem de uma história de animadores tentando conseguir viver de animação no Brasil", estabelece Marcos, um dos quatro diretores-fundadores do evento. Tendo estudado a área no Canadá, ele acabou coordenando o primeiro curso de animação oficial do Brasil, promovido a partir de convênio entre a Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes S.A., que fomentava produção e distribuição no cinema brasileiro e foi extinta no governo Collor) e o National Film Board of Canada.

"Os três que hoje são meus parceiros no Anima Mundi foram meus alunos", contextualiza. O convênio Brasil-Canadá, remonta Marcos, terminou no final dos anos 1980, em meio a uma "época turbulenta da política, desmonte de instituições - a própria Embrafilme acabou -, então a gente resolveu fazer um festival para chamar atenção". A partir daquele momento, o diretor destaca, "encontraram-se outras formas de produzir, novas tecnologias, criação de políticas de apoio ao audiovisual". Em 1997, conta Marcos, ocorreu a entrada do apoio da Petrobras e, pela primeira vez, o festival teve uma edição realizada em São Paulo. A produção de filmes e o próprio Anima Mundi, enfim, cresceram. "Era uma política de identificar a cultura e o audiovisual como investimento", ressalta.

Dadas as novas prioridades do Governo Federal, o festival teve que se reinventar em termos de realização e financiamento. "A verba que a gente conseguiu (na campanha de financiamento) é um complemento para realizar (o evento) esse ano. Estamos tendo novos apoios que ajudam a gente a realizá-lo, mas vai ser um festival de transição, mais enxuto mesmo", reconhece. A intenção dos organizadores é a de "renovar a estrutura" do Anima Mundi.

Marcos aponta para a aproximação da relação entre o festival e produtoras e canais de TV. "Se investirem, têm retorno. O Anima Mundi é um veículo forte de produção, e estamos falando de um dos maiores do mundo. Estamos no circuito internacional, o evento é qualificado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (que promove o Oscar). Temos uma responsabilidade", afirma. Nesse movimento novo, Marcos ainda divide alguns outros futuros passos do festival. "(Vamos) procurar mais oportunidades, porque tem um mundo todo online para a gente explorar melhor. Tem também circular pelo Brasil. Fortaleza é uma cidade para a qual a gente quer muito voltar, se houver a oportunidade. É um dos polos culturais de importância atualmente no Brasil", adianta.

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João Gabriel Tréz