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Turismo
NOTÍCIA

Altas aventuras

| ROTEIRO NO AR | O POVO embarcou em passeio de balão pelo Sul de Minas, na região produtora de alguns dos melhores café do País. Para quem topar a aventura, a dica é pensar no melhor que pode acontecer!

27/06/2019 01:56:34
Roteiro Nespresso
Roteiro Nespresso(Foto: Silvia Bizarria/Divulgação)

Quem sobe em um balão como passageiro não deve pensar muito. A ideia de voar a 1.500 metros do nível do mar e a 500 metros do chão exige abstração. Afinal, você estará em um cesto. E outra: quem sobe não faz a menor ideia de onde irá pousar. O piloto faz alguma, porque conhece a região e tem instrumentos para decidir. De todo modo, lá em cima fica-se ao sabor das correntes de ar. "Não sou em que me navega, quem me navega é o vento", cantaria um piloto sambista.

Embarcamos em um passeio de balão em uma das regiões mais belas do País para a prática da atividade, o Sul de Minas. Sobrevoando a área, coração da Serra da Mantiqueira, tem-se aos pés, ou melhor, bem abaixo deles, várias fazendas de café. O voo percorre entre 10 e 20 km nos municípios mineiros de São Lourenço, Carmo de Minas e Cristina, origem de alguns dos melhores grãos produzidos no Brasil. E é bem provável que o pouso seja em uma delas, como aconteceu comigo, após cerca de 60 minutos de aventura.

O horário adequado para decolar é bem cedo da manhã. Assim, vale encurtar a noite anterior para não perder a hora. A primeira cena é assistir a equipe encher o balão. Para deixá-lo pronto para decolar leva, em média, meia hora. Compõem o equipamento um cesto, o globo, combustível e o chamado maçarico, com o qual o piloto regula as chamas que fazem o balão subir, permanecer no ar e pousar. É possível andar pela lona e fazer fotos. Há riscos de dano ao tecido? Eles recomendam que evitem-se saltos agulha, por exemplo, mas naturalmente quem levaria um Anabela ou um plataforma para um passeio assim? Recomenda-se bota ou tênis.

À medida que o balão sobe, vai ficando clara a dimensão daquilo em que você se meteu. Não há nenhum equipamento de segurança. Nem faria sentido mesmo haver. É você, Deus (se for ateu, nem isso) e a borda, abaixo do tórax. Mal comparando, é como dizem as comissárias de bordo nos aviões: quem não se sente confortável, deve evitar a saída de emergência.

No voo que O POVO fez havia uma colega agarrada ao centro do cesto, sem vontade de olhar. A propósito, a orientação é não olhar para baixo. Há quem olhe e faça belas imagens. Lá em cima se vê a névoa cobrindo a mata, a beleza dos talhões de café, espécies de plantas nativas e a alegria dos amigos a bordo.

O sinal do celular oscila. Uma sugestão é antes de tudo sentir o prazer do passeio, depois fotografar ou gravar e só depois pensar em postar, já no solo, com o devido cuidado para vencer a tentação do overposting, as postagens compulsivas com tantas fotos que você nunca fez na vida.

Conversa-se muito em um balão. Impossível não comentar o quão bela é a visão e o quão impressionado se está pela altura que atingimos. O display do GPS mostra que passamos dos 500 metros.

Uma boa medida é fazer o passeio ao tempo em que outro balão suba pouco antes ou pouco depois. Deste modo, é possível espelhar a própria experiência. Foi o que tivemos. Ora mais alto, ora mais baixo, o balão-amigo permite se enxergar no passeio por um ângulo distinto. Outra dica é acertar com os passageiros do outro um escambo de fotografias ao final da aventura.

Não houve turbulência alguma. E elas não costumam acontecer. Não fosse o barulho do gás propano sendo injetado de vez em quando pelo piloto, existiria apenas o silêncio. O apito do sistema de injeção do gás engana. Sugere que algo não estaria dando certo, porque são repetidos sinais sonoros em tom decrescente de volume. Mas não é nada.

O responsável por comandar e deixar todo mundo tranquilo é o dono do balão. Luiz Cláudio de Almeida Maciel, da Minas Balonismo, conta que faz um voo por dia, sempre ao amanhecer. Durante a viagem, o piloto controla a altura e se orienta por mapa, bússola, altímetro, variômetro (para medir a velocidade da subida) e um termômetro. Ele se comunica pelo rádio com a equipe em solo e também com o colega do balão número 2. Quando pousa, o pessoal em terra irá transportar o balão em uma picape, ao tempo em que vans levarão os passageiros.

Na hora de desembarcar, como já avisados no embarque, ninguém salta sem o aval do piloto. Ele controla a saída, evitando que o peso seja desequilibrado e o balão chegue a subir.

*O jornalista viajou a

convite da Nespresso

 

Programe-se e voe nessa!

Os balões de passeio podem transportar até 16 passageiros por voo, dependendo do tamanho do balão.

A prática do balonismo no Brasil é regulamentada e fiscalizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Antes de contratar o serviço, é recomendável checar a lista de empresas aptas no site da Anac.

Voar de balão em São Lourenço é uma das atividades no chamado Circuito das Águas.

QUANTO CUSTA

Um voo de balão na chamada Rota do Café custa R$ 500 à vista e R$ 550 no cartão (em até três vezes).É operado pela Rota do Café Especial e pela Minas Balonismo.

ONDE FICAR

Três dias de hospedagem casal em hotel 4 estrelas em São Lourenço, no começo de julho, custam entre R$ 460 e R$ 658, conforme consulta feita no site Booking.com. Os hotéis da cidade são um tanto antigos. Alguns passaram por reforma.

COMO CHEGAR

São Lourenço e Carmo de Minas ficam mais próxima de São Paulo ou Rio de Janeiro que de Belo Horizonte. A partir de São Paulo, o trecho é feito de ônibus em cerca de cinco horas, com direito a parada rápida na estrada.

JOCÉLIO LEAL/ENVIADO A CARMO DE MINAS (MG)*