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A história de Leila

| LITERATURA INFANTIL | O escritor Tino Freitas lança hoje em Fortaleza o livro Leila, uma fábula cheia de sutilezas contra o abuso sexual de meninas e meninos

11/06/2019 22:20:13
 A obra é uma  fábula voltada à infância e para a necessidade de bem cuidar dela
A obra é uma fábula voltada à infância e para a necessidade de bem cuidar dela (Foto: Thais Beltrame/Divulgação)

A história de Leila, um livro ilustrado para crianças e adultos, precisa ser compartilhada em casa, na escola, na vizinhança, na rua onde moramos... Uma fábula voltada à infância e para a necessidade de bem cuidar dela. É também uma narrativa sobre a descoberta do poder da "voz" e a precisão de reverberá-la contra o abuso sexual, quando a rede de proteção é frágil ou não conseguimos ouvir o silêncio de meninas e meninos aperreados com o sofrimento.

Tino Freitas e Thais Beltrame, escritor e ilustradora do livro bem resolvido, lançaram mão de um mar de metáforas para fazer perceber sobre vítimas e abusadores. Um dia, Leila, uma baleia-menina, um filhote de jubarte, se veste num biquíni, penteia os cabelos e, feliz da vida, avisa para a mãe que vai nadar e volta já.

E toda faceira, com uma estrela do mar na cabeleira negra, tem a infelicidade de topar com "Barão". Um vizinho, um polvo de cinco tentáculos que toca a menina de maneira pegajosa. Uma criatura de um palavreado molestador e conversas estranhas com a garota até ali alegre. "Olá, PEQUENA! Hoje você está mais bela! Quero um beijo de bom dia!", ressoa o antagonista.

Surpreendida, Leila é beijada no rosto e tem uma sensação ESQUISITA como aquele sentimento quando se rouba algo de uma criança. É um impacto traduzido em palavras (muitas em caixa alta) e em desenhos incômodos que vão construindo o enredo. "A história nasceu depois de uma visita numa escola e que ficou martelando minha cabeça. Tive a sensação de que uma aluna estava passando por alguma coisa parecida", conta Tino Freitas - um cearense radicado em Brasília.

Invasivo, como todo abusador, Barão vai assombrando Leila entre sussurros e atitudes constrangedoras. "Minha PEQUENA, vou nadar com você". E vai, aproveitando-se do MEDO da menina. Ela não consegue verbalizar o quanto a companhia dele a viola.

As ilustrações, explorando sombra e luz, superfície e fundo do oceano, evidencia o aperreio emocional de Leila. "Olha, PEQUENA, se você for gentil comigo, te darei biquínis ainda mais bonitos. O seu está meio torto. Vou ajustá-lo pra você".

E antes que Leila dissesse NÃO, um tentáculo de Barão mexe no biquíni e também corta sua longa cabeleira. "No caso de Leila, a abordagem teve que ser sutil e delicada. Porém carregada de uma força atmosférica e empatia para com a dor e o sofrimento das pessoas que passam por situações de abuso", define Thaís Beltrame.

Leila, num desejo urgente de sumir, desiste de nadar e é arrastada para o fundo do oceano. A ameaça do abusador ainda a persegue em pensamento. "PEQUENA, o que aconteceu aqui será nosso SEGREDO!".

Depois do abuso, uma sequência de nove páginas apenas ilustradas (um navio naufragado, escuro, âncora, lixo...) conduz o leitor a um mergulho nas agonias mais particulares de Leila.

Numa reviravolta nada fácil - com ajuda de amigos peixes, outras baleias, arraias e tartarugas - Leila é trazida do abandono e regressa à superfície. E, no dia em que reencontra Barão, solta o verbo derrotando o silêncio e o vizinho abusador. "O meu nome não é PEQUENA". "Eu não queria aquele BEIJO". "Eu sei ESCOLHER minha roupa". "NINGUÉM pode me tocar contra a minha vontade"...

Leila, nome do livro de Tino Freitas e Thais Beltrame, é uma referência à atriz e libertária Leila Diniz (1945-1972). Por sua ousadia em um tempo repressor. E à nadadora Joana Maranhão, pela superação diante de um abuso.

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Lançamento do livro Leila

Quando: hoje, às 19 horas, seguido de debate com a psicanalista Galeara Matos

Onde: Café Romã (rua Osvaldo Cruz, 1346 - Dionísio Torres)

Informações: (85) 98867 9290

 

Os autores

Tino Freitas reside em Brasília (DF). Formado em jornalismo pela UFC. É músico e escritor. Tem no currículo o Prêmio Jabuti e o Selo Altamente Recomendável para Crianças, da FNLIJ.

Thais Beltrame reside em São Paulo (SP). Formada em Artes Plásticas pelo Columbia College Chicago. É dona de um Prêmio Jabuti e do Selo Altamente Recomendável para Crianças, da FNLIJ.

Demitri Túlio