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Dona Onete explora novas sonoridades no disco Rebujo

Dona Onete abre o leque de sonoridades em seu mais novo CD, Rebujo, já disponível nas plataformas

06/07/2019 02:24:45
Capa do CD Rebujo com fotografia de Walda Marques
Capa do CD Rebujo com fotografia de Walda Marques (Foto: Divulgação)

"É na palma da mão, é no olê olá" que Dona Onete chega às plataformas digitais com sua mais nova cria. A paraense, alçada a "rainha do carimbó chamegado", encontra-se, desde o final de maio, com Rebujo (Natura Musical), reunindo 11 faixas inéditas, sendo todas de sua autoria. O trabalho é um prato cheio para os amantes do ritmo musical nascido em meio a açaís, tacacás e tucupis. Mas não é só isso. Dona Onete, no auge dos seus 80 anos de idade, quis bem mais. Reinventou-se. Para além do conhecido carimbó, abriu espaço para outras sonoridades que vão da cumbia ao velho samba, do bolero ao banguê (ritmo tradicional do Pará que serviu, inclusive, de base para Banzeiro, canção que batizou seu disco anterior).

A cultura tradicional, porém, mantém-se presente no álbum, cuja produção musical recebe a assinatura de várias mãos: Pio Lobato (guitarra e banjo), JP Cavalcante (percussão), Geraldinho Magalhães (também direção artística), Vovô Batera e Assis Figueiredo; na banda, no entanto, Rebujo completa-se com as presenças de Breno Oliveira (baixo) e Marcos Sarrazin (sopros e teclado). "É uma salada musical mesmo, mas a intenção foi mostrar a cultura do Pará. A partir de um determinado ritmo, aí a gente tem outras músicas. Eu tive que fazer essa salada, mas tem muito folclore, essa cultura do açaizeiro, fala de passarinhos e tem a Mexe Mexe (música que abre o disco), que é um chamegado", destacou Dona Onete.

Sobre o título, a priori enigmático, a paraense dá sua explicação. "É um acontecimento que dá no fundo do rio. São coisas que estão no fundo do rio há muito tempo e retornam, é tudo que volta para a superfície. Então tem a lenda de uma cobra grande que fica embaixo da Igreja da Sé, um lugar com muito igarapé, onde diz que ela boiou e trouxe à tona muitos peixes grandes. Aí a gente aproveitou para falar", refere-se Dona Onete à canção Festa do Tubarão, que versa: "Deu rebujo no remanso, balançou a preamar/ É festa, é festa, é festa na Baía do Guajará". Usando e abusando da gaiatice, uma de suas marcas, completa: "Na festa do tubarão, piranha não entra/ Na festa do tubarão, traíra não entra". "É uma coisa da gente", justifica ela.

Musa da Babilônia, com a participação do carioca BNegão, soa como a grande - e grata - surpresa do disco. A faixa, que rendeu um simpático videoclipe (com arte e animação de Barbara Coimbra), discorre acerca de uma "preta linda" que, em seu trajeto do morro à praia do Leme, "veio toda displicente quando passou pela gente/ 10 pra comissão de frente, nota 10 pra alegoria/ 10 pra mini-fantasia, 10 pra harmonia e adereço/ Já não era mais segredo, nota 10 pro samba enredo". "Dona Onete é uma pessoa que amo há muitos anos e fiquei felizaço quando ela me chamou para cantar com ela. Foi um aprendizado absurdo porque ela tem muito suingue e a malícia do samba", descreveu o rapper em depoimento dado na divulgação do disco. Rebujo tem ainda a produção executiva a cargo de Marcel Arede e Viviane Chaves.

Natural de Cachoeira do Arari, "interior do interior" do Pará, Dona Onete - de batismo, Ionete da Silveira Gama - exerceu, durante anos, a ofício de professora. "Mas mesmo sendo professora, já fazia grupo de carimbó, fazia tambor... Eu não era só professora. Mas já tenho quase 20 anos de aposentada", explica. A inspiração para as músicas (já possui mais 300 composições), segundo ela, não tem hora para acontecer. "Vem a qualquer hora do dia. Onde eu acho a beleza, canto aquela beleza, entende? Tinha muito medo de cantar brega, mas fiz e ficou lindo", celebra ela, referindo-se à Ação e Reação, inicialmente pensada para ser um bolero. No currículo, lançou-se no cenário com o disco Feitiço Caboclo (2013). Sobre um possível retorno à Fortaleza, a paraense foi direta: "É só falar com os meus produtores! (risos) Estive aí, não faz muito tempo (2017), fazendo o Carnaval da Praia de Iracema e vi o dia amanhecer. Um abraço a todos".

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Rebujo, de Dona Onete

Natura Musical

11 faixas

Produção musical de Pio Lobato, JP Cavalcante, Vovô Batera e Geraldinho Magalhães

Participação especial do rapper BNegão (RJ)

Disponível em todas as plataformas digitais

Info: www.donaonete.com.br

 

Confira o videoclipe da faixa Musa da Babilônia:

bit.ly/2xxyXU1

 

Teresa Monteiro