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Baiana Nega Duda chega às plataformas digitais com o CD "Tem Recôncavo em SP"

Reunindo canções que reverenciam o samba de roda em suas vertentes, "corrido" e "de caboclo", baiana Nega Duda chega às plataformas digitais com o CD intitulado Tem Recôncavo em SP

15/06/2019 00:58:08
Nega Duda
Nega Duda (Foto: Divulgação)

"Dona da casa, me dê licença" para falar, desta vez, sobre a cantora, sambadeira, arte-educadora e Makota (cargo atribuído dentro do candomblé de tradição Angola) Ducinea Cardoso, 52. Nascida em pleno 13 de maio, Nega Duda - mãe de um casal, avó de um quarteto - tem nas cantigas de samba de roda seu principal norte para perpetuar um ritmo emergido no Recôncavo Baiano. O som das palmas e dos instrumentos de percussão, os cantos e as saias rodadas dão o tom deste gênero, alçado a patrimônio imaterial da humanidade em 2005.

Nega Duda é a personificação dessa mistura. Traz na força, altivez e vestimentas todo um legado de tradição, negritude, cultura popular, ancestralidade. "Empregada doméstica durante a vida toda", nos palcos ela tornou-se espécie de referência em São Paulo à frente do grupo que leva seu nome. A primeira experiência internacional (para a França), no entanto, só ocorreu aos 37 anos de idade. Daí, graças aos deuses, não parou mais.

Nas plataformas digitais desde o último dia 31 de maio, o CD Tem Recôncavo em SP, do Samba de Roda Nega Duda, traduz-se num sonho antigo que vem desde a própria criação do grupo, em 2005. "Todo ProAC (Programa de Ação Cultural de São Paulo) que saía, a gente tentava e não conseguia", revela Nega Duda. "Em 2018, ganhamos o projeto para gravar o CD, que é o primeiro com tudo que um CD merece: todo bonitinho, todo pensado, organizado, gravações... O primeiro de responsa!", celebra a sambadeira.

O disco reúne 35 faixas. "O trabalho foi produzido por todo o elenco do Samba de Roda. O repertório foi todo pensado por mim, sendo todo de sambas corridos, que eu ouvia desde criança, e sambas de caboclo, que eu ouvi e aprendi na minha roça de candomblé, no Terreiro Angola Angurusena Dya Nzambi". A faixa-bônus Kambinda, composta por Nega Duda, homenageia Raquel Trindade (1936-2018). Já a Casa do Batuque Produções Artísticas, que tem à frente a produtora Cida Gonçalves, é quem organiza e vende o trabalho.

Nega Duda realmente não está só. Seu time é extenso, formado por percussionistas e sambadeiras (Beth Beli, Roberta Viana, Giselda Perê, Márcia Izzo, Anderson Araka, João Noronha Emiliano, Lílian Souza, Luciana Braga, Gabriel Dias, Juliana Rodrigues e Víctor Furtado), além de Mazé Cintra na harmonização das vozes para o CD. Com Beth Beli, em particular, a parceria desdobra-se também dentro do grupo feminino Ilú Obá de Min, do qual Beth é a regente e Nega integra o coro. "Eu e a Beth não temos uma parceria. Temos uma irmandade. A conheci em 2003 na viagem que fizemos a Montpellier (França), passamos quase um mês e foi aí que a amizade começou".

A vinda de São Francisco do Conde para São Paulo, em 2003, foi no peito e na raça. "Vim como todo nordestino. Não vim procurar carreira de artista. Eu vim, minha filha, trabalhar, porque, como diz lá na minha terra: o negócio lá, a peia tava grande! Liguei para a produtora que nos levou a França, Júlia Gomes, e comecei a trabalhar como empregada doméstica", relembra ela, que atualmente ainda concilia os shows com alguns 'bicos'. "Faço umas conservas de alho para as amigas, faço umas comidinhas aqui também porque viver nessa selva de pedra não é fácil, não!", reconhece.

Sobre preconceitos, Nega Duda é direta: "Preconceito a gente sofre todo dia quando bota a cara na rua, né, minha preta...". O retorno à Fortaleza ainda é um desejo e à terra-natal, praticamente uma certeza. "Em 2005, quando cheguei em São Francisco do Conde, achei que o mundo era muito grande e eu precisava explorar. Voltar a Fortaleza com o Samba de Roda, Ave Maria! Você já pensou a gente sambando juntos em Fortaleza?! (risos) Penso em retornar a minha Bahia porque eu tenho muito o que ensinar aos meus netos... A família não quer vir pra cá e eu só tenho eles. Retornar vai ser necessário, e eu acho que está próximo", conclui.

 

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Tem Recôncavo em SP, do Samba de Roda Nega Duda

35 faixas

Disponível em todas as plataformas digitais

Informações: www.casadobatuque.com.br /  @sambaderodanegaduda (FB e IG)

Teresa Monteiro