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Josyara faz show no Café Couture nesta quinta-feira

|SHOW| Em tom intimista, na companhia apenas de um violão, a cantora e compositora baiana Josyara chega a Fortaleza, hoje, para apresentar as canções de seu segundo disco, Mansa Fúria

23/05/2019 00:00:39
Cantora baiana Josyara
Cantora baiana Josyara (Foto: Julia Rodrigues/ Divulgação)

Tendo no violão seu fiel escudeiro desde a época de meninice, na cidade baiana de Juazeiro (distante 553km de Salvador), Josyara, de uma forma ou de outra, sempre perseguiu seu destino. "Desde criança, já tinha essa brincadeira de criar alguma coisa, uma música... Tenho lembranças assim de coisas na época do colégio, bem pequena, com o instrumento. Tive uma professora no início, na sequência fui autodidata, mas sempre quis rearranjar as composições que eu cantava, que eu gostava e que me influenciavam. Querendo ou não, já sempre partia desse lugar da compositora, de compor um arranjo, de compor um conceito, para além da criação. Acho que é o forte do meu tocar", credita.

Após sair da terra-natal e desbravar a capital, a cantora e compositora achou, por bem, mais uma vez mudar de prumo e foi assim que São Paulo surgiu em sua trajetória. "Sair de casa deixa a gente muito mais sensível à realidade e às coisas que têm acontecido. Perceber o ambiente, perceber as pessoas que chegam e que vão... Acho que a saudade é o sentimento mais profundo desse caminhar. Pra mim, sair de Juazeiro e ir para Salvador, me fez olhar Juazeiro e me fez sentir saudades da infância". Com esse olhar atento às coisas em volta e sem medo do novo, Josyara - que já possuía o disco Uni Versos (2012), lançado de forma independente por meio de um edital da Petrobras - lançou, em agosto de 2018, Mansa Fúria (Natura Musical).

Gravado em Salvador, o segundo disco reúne 12 canções autorais, sendo uma em parceria com a paraense Luê. É com base neste trabalho que a cantora e compositora chega a Fortaleza para apresentação hoje, 23, no Café Couture; na sexta-feira, 24, marca presença ainda na festa temática Viva La Vulva, no Mambembe. Em sua companhia, apenas o violão. "O show é bem focado no disco, sim. São os arranjos que eu gravei com alguns elementos a mais de vocal e efeito mesmo. Também tem umas releituras que a gente tem feito com o show com banda, como Cátia de França, que está sempre presente", adianta. Quanto ao disco, Josyara conceitua também sobre seu modo de compor.

"Meu processo é esse: é muito o que eu vejo. Eu tento muito observar a vida, onde eu estou. Então isso acaba, sem dúvida, aparecendo, ou na melodia, ou na minha interpretação ou na letra, ela surge", explica. Mansa Fúria, que dá nome ao trabalho, foi escrita há dez anos e, no entanto, foi a que alavancou o restante do disco. "Na verdade, essa música eu nem lembrava! Ela tinha sumido de mim. Aí, numa tarde, eu exercitando o violão e relembrando coisas, ela veio e aí fez todo um sentido. Eu rearranjei - tocava de outro jeito - e ela foi tomando esse corpo e dando sentido a tudo isso, até a essas composições já feitas". Para a baiana, a faixa, assim como o disco propriamente dito, dão um bom resumo de sua trajetória até aqui.

"Mansa Fúria conseguiu sintetizar essa minha trajetória porque realmente fala um pouco desse meu jeito de como ver a vida, de olhar esse vai-e-vem, dessa coisa que eu me sinto tranquila, mas ao mesmo tempo, existe muita força e muita fúria nessa forma de cantar e falar sobre as coisas. Sem dúvida, o álbum vai perpetuar. Eu acredito que ele vai me influenciar por algum tempo, afinal de contas, ainda é recente. Coisas que eu tenho composto agora têm essa influência, essa pegada do violão... Eu tô maturando ainda, ele está amplificando e ramificando, criando essa coisa maior", reforça a cantora. "Até hoje é o sertão que está em mim. É minha infância que eu canto com esse jeito, esse sotaque", arremata Josyara.

Cantando o mar e suas raízes ancestrais e ribeirinhas, a baiana também aponta para a crítica social. "O momento que a gente vive hoje, que é de muita repressão e de caos, de não entendimento, eu acho que me atinge também porque eu sou uma mulher e esse governo não me representa completamente. Sou uma mulher lésbica, negra, e esse governo está desgovernando a minha existência. Então isso aparece na minha composição, me atinge e eu vou falar sobre isso numa entrevista, numa melodia". Quanto a um próximo retorno a Fortaleza, desta vez com banda... "A gente ainda não sabe, mas eu desejo muito mesmo para que as pessoas possam sentir o show e também ver as novidades. Os músicos são maravilhosos e eu desejo que a gente volte em breve".

 

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Josyara (BA)

Quando: hoje, 23, às 20h, no Café Couture (Rua dos Tabajaras, 554); sexta-feira, 24, às 22h, no Mambembe (Rua dos Tabajaras, 368)

Quanto: Café Couture - R$ 15 / Mambembe - R$ 10 (meia), R$ 15 1Kg de alimento (solidária) e R$ 20 (inteira)

Teresa Monteiro