PUBLICIDADE
Turismo
NOTÍCIA

Refazendo os passos de um gênio

Este 2 de maio marca os 500 anos da morte de um dos maiores nomes das artes e das ciências no mundo. Para celebrar a data, o Vida&Arte traz um roteiro pela cidade onde Leonardo da Vinci produziu boa parte de suas obras e de seus projetos visionários

02/05/2019 01:43:23
Autorretrato de Leonardo Da Vinci feito entre 1512 e 1515
Autorretrato de Leonardo Da Vinci feito entre 1512 e 1515(Foto: Getty Images)

A cidade cosmopolita, referência na moda e no design, sinônimo de luxo e elegância, dona de traços modernos - apesar da riqueza histórica que acumula séculos - , principal centro econômico e industrial de toda a Itália e que atrai olhares de todo o mundo nos dias atuais é a mesma que, em 1482, fez Leonardo da Vinci deixar uma carreira bem sucedida como artista em Florença para buscar novos horizontes numa "cidade grande" como Milão. Ali estariam estudiosos e intelectuais em várias áreas, frequentadores da universidade próxima de Pávia. E era onde Da Vinci precisava estar.

O mestre florentino não teve dúvidas: mandou uma espécie de "currículo" para o então governador milanês, Ludovico Sforza, apresentando suas habilidades como engenheiro - inclusive de armas-, e o quanto poderia contribuir com os planos de expansão do "Mouro", como era chamado o duque. Dizia ele em um dos trechos da carta enviada à autoridade: "Construirei indestrutíveis carruagens blindadas capazes de penetrar as fileiras do inimigo com sua artilharia, e não existirá corpo de soldados capaz de resistir a elas". A lista de competências descritas era ampla: "Em tempos de paz, posso perfeitamente aceitar o desafio de me equiparar a qualquer outro em arquitetura, na composição de edifícios públicos e privados e em conduzir água de um ponto a outro", projetava Leonardo, então com 30 anos.

Era ali onde passaria os próximos 18 anos de sua vida, deixando muito mais que esboços de armas que nunca seriam usadas ou obras de engenharia. Leonardo da Vinci viveu fase prolífica na cidade ambrosiana e, ao contrário de seus planos iniciais, não se furtou à produção artística. Parte desse legado está incluído num roteiro que merece entrar na agenda de quem visita Milão. A seguir, indicamos alguns deles.

Antes, uma dica importante: faça uma pequena pesquisa sobre o artista e esses locais antes de conhecê-los. Permita se transportar para a época em que ele viveu, quinhentos anos atrás, e não terá dificuldade em perceber o quão arrojado foi esse homem para o seu tempo. Estar sintonizado com essa atmosfera abre a mente e os sentidos para que o deleite em cada um desses lugares tenha um significado especial. 

Pintura da Última Ceia, de Leonardo da Vinci
Pintura da Última Ceia, de Leonardo da Vinci

Cenáculo

É em Milão também que está a famosa pintura da Última Ceia, uma das obras mais celebradas de Da Vinci. Esse tesouro das artes fica na parede de um antigo refeitório do convento dominicano, ao lado da Igreja de Santa Maria delle Grazie. Mas vê-lo de perto requer planejamento. As visitas são restritas a número limitado de pessoas por dia, mediante agendamento pela internet. Se você pretende estar em um desses grupos, garanta o bilhete - que custa em torno de 10 euros - ainda durante a fase de organização da viagem. Uma vez estando lá, foque na riqueza de detalhes da obra. O tempo máximo de apreciação é de apenas 15 minutos. Mas, acredite: cada um deles vale à pena.

piazza della Scalla, em Milão
piazza della Scalla, em Milão
Piazza de la Scalla, onde está a estátua de Leonardo da Vinci
Piazza de la Scalla, onde está a estátua de Leonardo da Vinci

Piazza della Scalla

Sugiro começar o passeio fazendo um "cara-crachá" com o mestre. A estátua de Leonardo da Vinci que repousa no meio da Piazza della Scalla, no Centro de Milão, pode ser um bom ponto de partida para esse roteiro. Ela nos apresenta os traços sisudos do artista genial esculpidos pelas mãos do artesão Pietro Magni, criador do monumento em mármore inaugurado em 1872. A obra contempla ainda quatro dos discípulos de Da Vinci. A estátua fica na Piazza Della Scalla, bem pertinho da glamourosa galeria Vittorio Emanuele II e defronte ao suntuoso Teatro alla Scalla, famoso mundialmente pelas apresentações de ópera em seu palco. Se o dia estiver ensolarado, as fotos no local ficarão belíssimas!

No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci
No castelo sforzesco está a Sala de Asse, com afrescos de Leonardo da Vinci

castelo Sforzesco

Cartão postal de Milão, a antiga residência da nobreza dos Visconti, ampliado como fortaleza militar pelos Sforza, abriga hoje bibliotecas, museus e galerias de arte que guardam verdadeiras preciosidades. Uma delas está no Museu de Arte Antiga. A Sala Delle Asse tem afrescos de Leonardo da Vinci que, a partir de sua visão acurada para a natureza, reproduzem troncos de árvores em uma perspectiva curiosa. O local acabou de ser restaurado para as comemorações dos 500 anos de morte do artista. A biblioteca do Castelo guarda ainda o Codex Trivulzianus, manuscrito com notas do artista.

Os canais de Naviglli, projetados ainda no século XV por Leonardo da Vinci são atualmente ponto de encontro na noite milanesa
Os canais de Naviglli, projetados ainda no século XV por Leonardo da Vinci são atualmente ponto de encontro na noite milanesa

Canais de Navigli

Conforme prometido no "currículo" enviado por Leonardo ao duque Ludovico Sforza quando buscava trabalho em Milão, Leonardo desenvolveu muitas ideias para criar ali uma "cidade ideal", entre elas, a de aperfeiçoar o sistema de canais navegáveis da região. Apesar de não ter se envolvido pessoalmente na construção dos mesmos, o artista deixou inúmeros esboços que foram adotados, anos mais tarde, por engenheiros. Atualmente, apenas dois deles continuam abertos, o Naviglio Grande e o Naviglio Pavese. Cheios de bares e ateliês às suas margens, eles são um dos centros da vida noturna milanesa. Tomar uma taça de vinho ali tem sabor especial!

Vinhedos de Leonardo da Vinci
Vinhedos de Leonardo da Vinci

Vignas de Leonardo

Ao sair do Cenáculo, atravesse a rua e dê uma chegadinha na Casa degli Atellano. O que Da Vinci tem a ver com isso? É lá, nos fundos da propriedade, que se esconde um recanto pouco badalado do circuito Vinciano em Milão. Um pequeno vinhedo que pertenceu ao artista, presenteado por Ludovico Sforza nos tempos em que ele pintava a Última Ceia. Uma curiosidade sobre o lugar é que atualmente se produzem uvas fielmente similares às cultivadas por Leonardo. Geneticistas e enólogos fizeram uma minuciosa pesquisa do solo para chegar ao perfil genético do que foi plantado ali no século XV. Não é genial? A visita também requer agendamento e dura, em média, 25 minutos. (10 euros)

Pinacoteca ambrosiana, em Milão. Onde está guardado o Codex Atlanticus, de Leonardo da Vinci
Pinacoteca ambrosiana, em Milão. Onde está guardado o Codex Atlanticus, de Leonardo da Vinci
Obra Retrato de Músico
Obra Retrato de Músico

Pinacoteca ambrosiana

Aqui, Leonardo divide espaço com nomes como Botticelli, Raphael e Caravaggio. Tudo lindo, mas como nosso roteiro privilegia o mestre dos mestres renascentista, a dica é: busque pela tela Portrait of a Musician (1490), considerado o único retrato de um homem atribuído a Da Vinci. Ainda por lá, na biblioteca ambrosiana, está o renomado Codex Atlanticus, a maior coleção de desenhos e escritos vincianos, com 1119 folhas divididas em 12 volumes, que tratam sobre astronomia, botânica e os famosos estudos de voo, acumulados ao longo de 40 anos. Um verdadeiro presente para os olhos.

Celebrações pelo mundo

Roma

A mostra A Ciência Antes da Ciência, dedicada à produção científica de Da Vinci, vai até 30 de junho na Scuderie del Quirinale. Reúne mais de 200 peças, incluindo esboços que foram considerados prelúdios do paraquedas, helicóptero e tanque de guerra.

Veneza

Até 14 de julho, a exposição O Homem É o Modelo do Mundo, na Galleria Dell'Accademia, traz a público 24 desenhos raramente expostos, com destaque para O Homem Vitruviano, que será emprestado no segundo semestre para o Museu do Louvre, em Paris.

Florença

A cidade em que Leonardo produziu algumas de suas maiores obras expõe no Museu Galileu, até fevereiro de 2020, a mostra Leonardo da Vinci: Visões - Os Desafios Tecnológicos do Gênio Universal, reunindo projetos de ferramentas, objetos e instrumentos criados por Da Vinci.

França

No Castelo Real de Amboise, onde está a tumba do artista, será aberta hoje uma exposição sobre os últimos anos de Leonardo. Junto com o Homem Vitruviano, o Museu do Louvre deve receber de empréstimo no segundo semestre as obras Cabeça de Mulher, A Anunciação e São Jerônimo.

Inglaterra

A partir de 24 de maio, no Palácio de Buckingham, em Londres, serão expostos mais de 500 desenhos de Leonardo. O acervo, de propriedade da rainha Elizabeth II, é composto de desenhos que já foram apresentados em 12 mostras simultâneas em várias cidades do Reino Unido.

Brasil

O Instituto Italiano de Cultura de São Paulo será o principal veículo de celebrações de Leonardo da Vinci no País. A programação, deve se estender ao longo de 2019. Uma instalação multimídia do artista italiano radicado no Brasil Cesare Pergola cria representações das obras Dilúvio e A Batalha de Anghiari na fachada da instituição, em Higienópolis. (Com AE)

 

Cinthia Medeiros