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Ser cearense na cozinha

|seminário INTERFACES| Evento discute gastronomia, em aspectos teóricos e práticos, partindo da identidade regional até suas reinvenções

01:30 | 11/01/2019

As fotos que compõem a matéria e a capa fazem parte da cobertura da Expedição Ceará Gastronômico, realização do O POVO e da Rádio O POVO/CBN. A equipe passou por municípios como Aquiraz, Aratuba, Fortaleza, Guaramiranga, Mulungu e Redenção Camila De Almeida
As fotos que compõem a matéria e a capa fazem parte da cobertura da Expedição Ceará Gastronômico, realização do O POVO e da Rádio O POVO/CBN. A equipe passou por municípios como Aquiraz, Aratuba, Fortaleza, Guaramiranga, Mulungu e Redenção Camila De Almeida

A busca das identidades da culinária cearense e sua posterior reinvenção são alguns dos focos do Seminário Interfaces - ALIMENTAR, promovido pelo Observatório Cearense da Cultura Alimentar (Occa) que começa na próxima segunda, 14, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). A programação reflete, ainda, sobre profissionalização, pesquisa acadêmica e cultura alimentar. O evento receberá, em aulas-espetáculo, três chefs cearenses que apresentarão reinvenções de culinárias típicas do Estado a partir de atum, caprino e panelada. Participam Luciano Ferreira (Associação Cearense de Chefs), Paulo Filho (Restaurante Pé de Serra / Quixadá) e Léo Gonçalves (Restaurante O Mar Menino / Fortaleza). O chef carioca João Diamante também ministra aula-espetáculo especial.

O Occa é uma entidade que trabalha multidisciplinarmente diversas frentes da alimentação. Em parceria com O POVO e a rádio O POVO/CBN, o observatório vem mapeando na Expedição Ceará Gastronômico diferentes características da culinária regional a partir de viagens por municípios como Aquiraz, Guaramiranga e Crato. "O mapeamento que vem sendo desenvolvido pela Expedição tem tudo a ver com essa reinvenção da culinária local do mar, serra e sertão", estabelece Kadma Marques, coordenadora do Occa e professora. Apesar da "ênfase em termos de culinária na produção que tinha por base o litoral", como coloca Kadma, o Estado guarda surpresas geográficas, comportamentais e culturais que apontam para complexidades de nossa identidade e, consequentemente, pluralidades da gastronomia regional.

 

Como explica Kadma, a chamada cultura alimentar, que passa pela dimensão simbólica da alimentação, diz respeito aos modos e características da alimentação de um povo. "A cultura alimentar reflete o conjunto de opções alimentares de determinada sociedade, seus modos de preparar, produzir, fazer circular, consumir, os utensílios de preparação e consumo, a conservação, e tem relação com a realidade climática e ambiental de cada sociedade", resume.

 

Com o processo da industrialização, explica a professora, os alimentos passaram a ser "desterritorializados" e, por isso, é importante se voltar às raízes. "Ora, o que constitui realmente a riqueza culinária do Ceará é pensá-la no cruzamento de influências diversas e dos três microclimas - serra, litoral e sertão - que propiciam insumos, modos de composição, dietas, formas de fazer e conservar muito próprios. O intercâmbio entre eles possibilitou a inventividade na culinária cearense", defende Kadma.

 

"É importante discutir isso porque a valorização das culturas alimentares (locais) traz um impacto imediatamente identitário, de valorização de memórias, além de impactos econômicos e políticos. Como exemplo prático, pode ser citada a primeira edição da Feira Occa, que ocorre na programação do seminário. Realizada em parceria com o Centro de Educação Popular em Defesa do Meio Ambiente (Cepema), que atua em municípios do interior cearense, ela ocorre no próximo dia 17 no Mercado dos Pinhões.

 

Diferentes consumos agroecológicos e regionais, vindos da serra cearense, estarão sendo vendidos na feira. "Os expositores são experientes, mas têm dificuldade de vender. Dar esse espaço para eles apresentarem os produtos significa dar informação para a sociedade. Se os produtos regionais tiverem espaço, a economia local se fortalece, se fortalece a região e se cria uma rede mais forte de comércio para que nossa identidade seja fincada, estruturada, robusta", estabelece Vanessa Santos, professora, membro do Occa e responsável pela feira. "A cadeia produtiva nos interessa muito. Não tem como falar de gastronomia, estética do gosto ou chefs premiados sem eu me preocupar com a origem do alimento. Precisamos fortalecer a gastronomia regional, mas para isso precisamos tratar a cadeia como um todo desde sua origem", defende.

 

Seminário Interfaces - ALIMENTAR

 

Quando: de 14 a 17 de janeiro

Onde: Federação das Indústrias do Estado do Ceará (av. Barão de Studart, 1980)

Quanto: de R$ 160 a R$ 260

Inscrições até 14 de janeiro no site

Mais infos: www.uece.br/eventos/nterfacesalimentar/

 

 

JOãO GABRIEL TRéZ