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Atriz conceituada no Brasil e nos EUA, Alice Braga dá os primeiros passos como produtora

Em entrevista exclusiva, ela fala sobre mercado, política e sobre o desafio de transitar por diversas mídias

01:30 | 29/12/2018
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Alice Braga não foi convidada para participar do júri do 6º pitching de roteiros do Laboratório de Cinema da escola Porto Iracema das Artes por ser uma estrela internacional. A atriz, projetada mundialmente em Cidade de Deus (2002) e que, em Hollywood, estrelou superproduções como Eu Sou a Lenda (2007) e Predadores (2010), começa a se aventurar por trás das câmeras ao investir em obras audiovisuais como produtora. Junto à Netflix, a paulistana assina obras como a comédia Samantha! e Sintonia, que chega em 2019.

 

Em Fortaleza para avaliar os roteiros de seis longas-metragens nordestinos desenvolvidos no Porto, a atriz (e produtora) sentou ao lado de pesos-pesados do ramo, como Fred Burle, da produtora alemã One Two Films; Jerome Merle, da Fox Brasil; e Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio. Assim, ela era ao mesmo tempo a mais "verde" entre produtores e uma das mais experientes ao circular por diferentes mercados.

 

O POVO - Além do trabalho como atriz, você tem uma experiência cada vez maior de produtora. Como você vê hoje o mercado audiovisual brasileiro, ainda mais, as perspectivas para produção audiovisual nesses, digamos, anos de reviravolta na política representativa?

Alice Braga - Eu acho muito difícil nesses dias conseguir falar sobre cultura sem tocar no assunto de política. Infelizmente, a gente está passando por um momento no Brasil em que a cultura está sendo absolutamente desprezada de uma forma horrível. Eu falei para a Natasha (Faria, Coordenação de Criação e Produção do Porto Iracema) como eu fiquei honrada com esse convite, porque chegar aqui me deu uma imediata inspiração e esperança de falar de projetos, poxa, que têm um potencial tão lindo; de ver essas pessoas, esses jovens, nos dando a oportunidade de ver esses projetos... Não sei se você viu o discurso no início do Karim (Aïnouz, cineasta cearense e tutor do laboratório de cinema do Porto) de a gente não fazer apenas aquele cinema clássico e tradicional e sim batalhar para contar nossas histórias de formas totalmente diferentes, com outras perspectivas, tortas, diferentes e únicas. Esse espaço que vocês têm aqui (Dragão do Mar), com o laboratório, a escola (Porto), o cinema, hoje a gente pode dizer que é resistência e eu acho que é único no Brasil. A gente tá em um momento que o cinema tá com uma força, tem pessoas incríveis, os projetos existem. A genialidade dos roteiristas está aí, o que falta é a gente apoiar e incentivar para nascer e florescer e ir pra tela. Acho que o que falta no nossos cinema é isso, a gente conseguir chegar na tela. Porque você vê, cada vez mais que a gente incentiva e cria projetos de incentivo a gente vai ter mais histórias para contar.

 

O POVO - Saiu um estudo da Fundação Getúlio Vargas que mostra que cada R$ 1 investido via lei Rouanet retorna com R$ 1,59 para a sociedade...

Alice - Essa guerra de narrativa que foi criada contra a cultura, contra os artistas, contra a arte no Brasil... A coisa da Lei Rouanet é uma coisa absurda. Se você pega os números, qualquer pessoa olha e fala "é um bom negócio para o Brasil". O problema é a guerra de narrativa que criaram. As pessoas que são desinformadas foram manipuladas. A gente agora tem que ter a resistência, tem que ter a luta para continuar e manter vivo.

 

O POVO - Adentrando mais no mercado audiovisual, uma mudança que a gente teve foi a entrada da Netflix e das redes de streaming. Você mesma está envolvida com isso. Como foi a sua experiência?

Alice - Eu tive uma experiência muito legal. Porque eu fiz, eu acabei produzindo, duas séries com eles. Uma comédia (Samantha!), em que eu estive menos envolvida, mas que produzi, e agora um drama (Sintonia), que eu fiz com o Kondzilla - que é um garoto que criou um canal que virou o terceiro maior do Youtube. É uma história muito doida e muito legal porque é feito por uma pessoa de periferia, de uma comunidade em São Paulo. Ele criou essa série e eu tive o desejo de produzir essa série, de apresentar para a Netflix, porque ele veio com essa ideia para a gente e eu falei "poxa, eu acho que a gente tem que ajudar com esse projeto a ser feito, porque é uma história de dentro para fora e não a gente de fora olhando para dentro". É um cara que viveu essa realidade, conhece esse universo. Para mim era contar essa história, achar projetos que contem essa história. Eu acho que a Netflix tem um potência muito legal, de distribuir para 180 países. Ela é uma plataforma 100% acessível, todo mundo assiste, desde o trabalhador simples até o dono da empresa têm acesso à plataforma, isso eu acho maravilhoso. Eu acho só que a gente tem de tomar cuidado só quando a gente coloca essas plataformas e esses executivos dentro do nosso próprio governo, tomando decisões sobre o nosso próprio cinema (Alice se refere à composição do Conselho Superior do Cinema, anunciado pelo governo Temer, que possuiu executivos estrangeiros entre os titulares). Acho que são situações que a gente não pode misturar. Porque sobre o nosso cinema, sobre o que a gente fala, sobre a nossa cultura, nós brasileiros devemos tomar conta e não pessoas de fora. Mas a vinda da Netflix para o Brasil tem um potencial, um lado positivo muito bom que é de botar energia para o nosso mercado fluir. Então, roteiristas de séries que surjam, atores que a gente não conhece, que têm mais oportunidades de trabalho. Mais chances para todos os âmbitos de produção mesmo, de crescer como indústria. A gente já tem uma indústria muito boa. É algo muito lucrativo. As pessoas me perguntam "ah, é muito diferente trabalhar lá (Hollywood) do que aqui?" A única diferença é que lá existe uma indústria muito bem estabelecida há tantos anos que existe muito investimento, então, o tamanho das produções é maior porque tem mais investimento.

 

O POVO - Aqui as pessoas se perdem no discurso como se o investimento fosse só de empresas, mas não, tem muito investimento estatal.

Alice - De estatal, com edital e tudo! Esse projeto aqui (Laboratório de Audivisual) vem de uma escola pública (Porto), esse que a gente está aqui agora conversando. E é tão valioso ter o apoio do Estado, de pessoas que acreditam que é muito necessário. E quanto mais a gente investir na cultura, mais vai voltar para a gente. O problema é que se existe essa "difamação" da cultura - se é que a gente pode falar assim -, e das pessoas que trabalham com a cultura, é não só um equívoco, como muito perigoso e absolutamente irresponsável.

 

ANDRE BLOC

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