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O mundo visto através da comida

| V&A viu | Disponível na Netflix, The Final Table reúne grandes nomes da culinária internacional

01:30 | 07/12/2018
The Final Table Adam Rose/Netflix
The Final Table Adam Rose/Netflix
The Final Table Adam Rose/Netfli
The Final Table Adam Rose/Netfli
THE FINAL TABLE desafia chefs renomados Adam Rose/Netflix
THE FINAL TABLE desafia chefs renomados Adam Rose/Netflix

Programas sobre culinária sempre tiveram excelente recepção entre a audiência. Desde as tradicionais atrações matinais que traziam receitas durante o roteiro, a exemplo de Mais Você, dos programas de viagens que traziam a culinária como principal mote, a exemplo do que fez o chef Anthony Bourdain, ou os realitys que propõe a competição entre cozinheiros, como o sucesso mundial Masterchef, que conta com atrações em diferentes países, como Estados Unidos, Inglaterra, México e Brasil.

 

A Netflix apresentou uma nova série original, com a proposta de ser diferente das diversas variações da temática em produções audiovisuais. A experiência da equipe responsável pela atração foi determinante para que a série alcançasse esse objetivo, que poderia parecer impossível. Mas não sem falhas.

 

Robin Ashbrook e Yasmin Shackleton, ambos de MasterChef e MasterChef Junior EUA, ficaram responsáveis pela criação e direção executiva, enquanto a apresentação ficou com Andrew Knowlton, editor da revista americana Bon Appétit. Dentre os dez episódios da série, nove têm como centro um país. No último, quatro chefs participantes disputam um lugar na Mesa Final, para unir-se aos chefs que representam cada um dos países retratados.

 

Enrique Olvera (México), Andoni Aduriz (Espanha), Clare Smyth (Reino Unido), Helena Rizzo (Brasil), Vineet Bhatia (Índia), Grant Achatz (Estados Unidos), Carlo Cracco (Itália), Yoshihiro Narisawa (Japão) e Anne-Sophie Pic (França) estão unidos nesse episódio final, no que talvez seja uma das maiores reuniões de renomados chefs - e estrelas Michelin - já vistas em uma competição culinária.

 

A produção acerta em trazer tantos nomes importantes, que revolucionaram a gastronomia internacional, e apresentá-los para o grande público. Entre os participantes, todos chefs premiados, há uma diversidade de estilos de cozinha, de formação e de trajetória dentro do ramo, o que apresenta ao espectador as interessantes nuances dessa carreira profissional.

 

Embora a restrição de tempo para os preparos esteja presente, como em muitas outras competições do tipo, ele não é elemento central e o enfoque passa dos imprevistos na hora do preparo para o modo como os competidores interpretam a receita tradicional de cada país (primeira prova) ou o ingrediente escolhido pelo chef (prova eliminatória).

 

Contudo, The Final Table também comete deslizes. O roteiro repetitivo, com duas provas onde a variação está apenas em qual será a receita ou o ingrediente escolhido, pode cansar um pouco. A atração por vezes cai em um clichê sobre os países retratados, como escolher a feijoada como prato brasileiro ou os nachos como a receita mexicana.

 

Além disso, chama a atenção a pouca participação feminina entre os participantes. Dentre os 24 cozinheiros, apenas quatro são chefs mulheres. Embora seja retrato da desigualdade de gênero que ainda existe nas grandes cozinhas pelo mundo, seria importante que a competição buscasse um equilíbrio, inclusive entre os jurados da competição. Apenas três mulheres compõe a Mesa Final.

LUANA BARROS