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Ser e ver música

| FESTIVAL | Segunda edição do Acordes do Amanhã amplia alcance reforçando descentralização da música instrumental e da formação de público

01:30 | 08/11/2018
Orquestra e coro infantil Fundação Raimundo Fagner estão na programação Divulgação
Orquestra e coro infantil Fundação Raimundo Fagner estão na programação Divulgação

Oito feiras públicas, sete terminais de ônibus, sete escolas, seis hospitais, duas praças, dois mercados populares, diferentes pontos da orla. Espaços de Fortaleza tornam-se palco para cadências sonoras. Sob o lema "Somos música", o Festival Itinerante de Música Acordes do Amanhã chega à segunda edição na Capital amanhã, 9, dia em que ocupará diferentes espaços de 22 bairros com vertentes da música instrumental. Serão cerca de 120 apresentações envolvendo quase 700 artistas, entre profissionais e amadores. Após a "reestreia" em Fortaleza, o Acordes do Amanhã passará pelos municípios cearenses de Itapajé, Guaramiranga, Caucaia, Aquiraz, Sobral, Orós e Paracuru, além de ampliar o alcance fora do Ceará, contemplando também Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia - esses dois últimos estados pela primeira vez.

 

Após apresentar na edição inicial a proposta de democratização do acesso à música instrumental em locais não convencionais para concertos, o evento procura, na segunda incursão, fortalecer as experiências musicais junto ao público. "Ano passado, foi bastante positivo, porque nos fez entender o mecanismo da rua, a aceitação do público para aquela arte que geralmente está em salas de concerto", estabelece Paulo Victor Feitosa, idealizador do festival. "A resposta que a Cidade deu foi fundamental para pensar a segunda edição", complementa.

 

Como em 2017, o Acordes segue apostando em lugares-chave para as apresentações. "É um festival que acontece em um só dia, chamamos de festival-manifesto, queríamos quebrar a mecânica da rotina, do corre-corre. Como a cidade se movimenta e como a gente pode entrar e interferir positivamente nesse movimento?", questiona Paulo. É a partir daí, por exemplo, que a equipe escolheu os terminais de ônibus como alguns dos principais palcos. "Eles são responsáveis pela mobilidade de grande parte da

Para o dia do evento em Fortaleza, novidades estão sendo preparadas. Como principal exemplo está o "espaço de experimentações sonoras", montado na Praça do Ferreira. Nele, serão disponibilizados para o público instrumentos, como flauta, violão e violino. "A ideia é que ele possa tocar e se tornar participante da programação como artista. Para quem não tem habilidade, também espalharemos alguns karaokês, provocando essa interação com a voz. O festival deve ser incorporado pelas pessoas", defende Paulo. Aos curiosos, vale ficar atento, além da Praça do Ferreira, ao Terminal do Siqueira e ao espigão da Beira-Mar.

 

"O festival tem como essência provocar sonoridades do universo da música instrumental, seja a popular, a erudita, a barroca", lista o idealizador. "Também (trazer) a popularização, a aproximação do acesso dessa música, quebrando barreiras de recortes territoriais, colocando-a num lugar de contemplação mais democrático e diverso", aprofunda. A resposta do público é animadora. "Ao ver as pessoas dançando, até passando cinco minutinhos a mais e perdendo o ônibus para contemplar as apresentações, percebemos que tínhamos que trabalhar a música como dispositivo de afeto, sentimento. Como levá-la para a rua e acionar esse dispositivo? A ideia de 'sermos música' vem para o lugar de manifesto em um tempo de falta de diálogo, de pensamento coletivo. A arte é a principal ferramenta para qualquer transformação e relação social. Música é democrática".

 

II Acordes do Amanhã - Festival Itinerante de Música

Quando: em Fortaleza, hoje, a partir de 7 horas da manhã

Onde: espalhado por diversos pontos da Cidade

Infos completas: opovo.com.br/vidaearte