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Brasil tipo exportação

| Biografia | Joselia Aguiar começou a escrever a história de Jorge Amado em 2011, para celebrar o centenário do escritor. A seguir, ela fala sobre o esforço do autor de Tocaia Grande para ter sua obra conhecida do grande público. "Como queria muito ser lido, ele fazia quase como um papel de agente literário de si mesmo"

01:30 | 14/11/2018

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OP - Há uma mudança na literatura dele nessa passagem?

Joselia - Ele nunca gostou que vissem essa mudança como de primeira fase e segunda fase. Se você pensar, a própria literatura passou por algumas transformações nesse período. No caso do Jorge, tem os primeiros livros dos anos 1930 e, em seguida, os dos anos 1940, que já são mais complexos, com maior fôlego, personagens e tramas mais complexas. Ele introduz o humor na narrativa. A partir de Gabriela, cravo e canela, você começa a ver outro escritor, a voz do Jorge Amado fica mais nítida, com uma característica de recuperar a fala baiana, com expressões e sintaxe baianas. É uma coisa que o baiano reconhece no jeito dele de escrever. Então, eu diria que não é que ele tenha duas fases. Ele tem algumas fases, e, a certa altura, ele passa a ter mais humor em sua obra, mas sem deixar de fazer livros sérios. Tocaia grande, por exemplo, é um livro que tem muito humor e é muito sério.

 

OP - Como foi o percurso da pesquisa? Quais foram suas principais fontes?

Joselia Aguiar - O projeto de pesquisa começou em 2011. Inicialmente seria um perfil biográfico que lançaríamos no centenário do Jorge Amado. Quando comecei a fazer, me dei conta de que não era difícil encontrar material sobre o Jorge Amado, e eu iria fazer apenas um texto meu daquilo que já se sabia dele. Mas essa seria a oportunidade para fazer um trabalho mais extenso e até desfazer certas impressões. Pra contar a história dele, eu precisava entender a história literária e política brasileira. Basicamente, tinha como material o arquivo da Fundação Casa de Jorge Amado (em Salvador), que consiste num clipping que ele reuniu a vida inteira com noticiário sobre livros, entrevistas, manuscritos e material inédito. Mas eu precisava entender Jorge Amado nas relações dele com outros escritores e políticos. Fui buscar cartas do Jorge para essas pessoas. A Casa de Rui Barbosa (no Rio) tem um acervo grande de escritores para quem ele escreveu. O IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), na USP (Universidade de São Paulo), também. Encontrei acervos particulares. Eu brinco dizendo que fazer uma biografia é montar um quebra-cabeças cujas peças você não sabe onde estão e cujo desenho final você não sabe qual vai ser.

 

OP - Você acha que Jorge Amado tinha consciência, desde o começo, de que produzia para fora do País, que a literatura dele seria lida fora do Brasil?

Joselia - Tem uma expressão que usam muito para o Jorge Amado, até de maneira pejorativa: que ele seria uma "literatura de exportação". Eu não acho que ele pensa em fazer histórias para exportar. Ele faz histórias para o público brasileiro, mas quer que os livros circulem. Então ele tem uma atuação, desde o começo, para que editores de outros países tenham contato com os livros dele. Ainda na década de 1930, ele viaja pela América Latina para vender os livros dele para outros editores. Chega a vender vários desses livros. Manda os livros para Portugal para que sejam conhecidos por outros autores. Nessa viagem que faz pela América, por exemplo, ele vai até Nova York, vende dois livros, mas eles não saem. Como queria muito ser lido, ele fazia quase como um papel de agente literário de si mesmo. Faz contato com um tradutor russo interessado em obras de autores latino-americanos. Ele tem um interesse muito grande nisso. Fico pensando que, sendo um autor nascido de um self made man - o pai dele era um cara que saiu do nada e passou a ser proprietário de uma terra muito prospera por causa de um produto que é exportado, o cacau -, o Jorge Amado cresceu vendo aquele mundo crescendo. A ideia de viver de livros, viver do ofício dele, não o intimida. É diferente do perfil de um Graciliano Ramos, por exemplo, que não fazia propaganda de si mesmo e tinha um certo pudor em ser vendido. O Jorge era alguém que queria ser publicado no exterior. E ele sempre explicava que o que atraía o leitor estrangeiro era a característica brasileira dos livros dele. Ele achava que era justamente por ser local e contar histórias brasileiras que interessavam ao público de fora.

 

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