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Carisma, talento e política

| CINE CEARÁ | Na programação de hoje do evento, o destaque vai para a homenagem ao ator baiano Antonio Pitanga, um dos principais nomes da cinematografia do País

01:31 | 09/08/2018
DOCUMENTÁRIO A trajetória de Antonio Pitanga foi revista em documentário dirigido por Camila Pitanga e Beto Brant
(Divulgação)
DOCUMENTÁRIO A trajetória de Antonio Pitanga foi revista em documentário dirigido por Camila Pitanga e Beto Brant (Divulgação)

De vida, são quase 80 anos. De carreira, faltam poucos para chegar aos 60. O baiano Antonio Luiz Sampaio é um dos principais atores do País, com participações históricas e de peso no cinema, no teatro e na televisão. O nome "Pitanga", pelo qual ficou conhecido, veio a partir do personagem que interpretou em seu primeiro trabalho, o longa Bahia de Todos os Santos (1960), de Trigueirinho Neto.

 

Em 2017, o artista foi retratado no documentário Pitanga, dirigido por sua filha, a atriz Camila Pitanga, e pelo o cineasta Beto Brant. O filme resgata memórias do ator em conversas com nomes importantes da cultura brasileira, como Maria Bethânia, Tonico Pereira, Jards Macalé, Zé Celso Martinez, Elisa Lucinda e Ruth de Souza, entre diversos outros.

 

Figura carismática, o artista teve forte atuação política ao longo de sua trajetória, sendo um dos únicos atores negros da época do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro da década de 1960. O percurso na atuação culminou na direção do filme Na boca do mundo (1979), um dos pioneiros do Cinema Negro brasileiro. Antes de trabalhar politicamente por meio de sua carreira no audiovisual, Pitanga começou a se envolver com questões do tipo ainda no início dos anos 1960, no Centro Popular de Cultura, organização associada à União Nacional dos Estudantes (UNE).

 

Hoje à noite, o ator será homenageado com o troféu Eusélio Oliveira, concedido pelo Cine Ceará. Na abertura do evento, sábado passado, a comenda também foi entregue ao ator e diretor cearense Renato Aragão e ao professor e reitor da Universidade Federal do Ceará Henry de Holanda Campos.

 

A honraria entregue no evento cearense segue uma série de outras homenagens prestadas ao ator desde o ano passado: o documentário Pitanga foi exibido no Festival de Tiradentes de 2017, para o qual ele foi convidado. Mais tarde, também participou da Mostra de Cinema de Ouro Preto e ainda recebeu troféu no Festival de Gramado.

 

O Cine Ceará segue até o próximo sábado, 11, prestando ainda homenagens aos 10 anos de criação do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza, aos 10 anos de criação do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará e ao diretor do Canal Brasil Paulo Mendonça.

 

Destaques da filmografia

 

Barravento (1962)

Protagonizado por Pitanga, é o primeiro filme do diretor baiano Glauber Rocha, com quem ele estabeleceu parceria. A trama se passa em uma vila de pescadores e discute religião e crenças.

 

Ganga Zumba (1963)

Dirigido por Cacá Diegues, o filme histórico foi baseado na obra de João Felício dos Santos e retrata a vida do primeiro líder do Quilombo dos Palmares. No elenco, Léa Garcia, Zózimo Bulbul, Cartola e Nara Leão

 

Câncer (1972)

Longa experimental de Glauber Rocha, baseado em improvisos. No elenco, além de Pitanga, estão os atores Hugo Carvana e Odete Lara, os cineastas Eduardo Coutinho e Zelito Viana e o artista Hélio Oiticica

 

JOãO GABRIEL TRéZ