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Vida, morte e o que há entre elas

| HOMENAGEM | Um dos principais nomes do cinema europeu de autor do século XX, o sueco Ingmar Bergman completaria, hoje, 100 anos. O Vida&Arte relembra destaques da obra do cineasta

01:30 | 14/07/2018

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Há exatamente um século nascia na cidade de Upsália, na Suécia, Ernest Ingmar Bergman. Um dos principais nomes da arte cinematográfica do século XX, o diretor e roteirista morreria exatos 89 anos e 16 dias depois, em 2007. Ao longo de sua trajetória - não apenas como cineasta, mas também no teatro -, Bergman se destacou por suas constantes abordagens sobre temas como religião, problemas familiares e psicologia. O diretor produziu mais de 60 obras audiovisuais que seguem sendo debatidas e analisadas até hoje.

 

Apesar de ligado constantemente à temáticas pesadas e ao cinema, Bergman prova-se múltiplo. O fato de, desde a década de 1950 até os últimos anos de carreira, ter produzido com constância para televisão é um exemplo desse caráter. Outro ponto de destaque nesse sentido é que, antes de começar no cinema - onde estreou como roteirista em 1944, em Tortura do Desejo, e só depois na direção, em 1946, com Crise -, dedicou-se à dramaturgia teatral, a qual também seguiu produzindo até o final da vida. Muitos roteiros de cinema que escreveu, inclusive, vieram inspirados por peças dramatúrgicas de sua autoria. Entre os textos de teatro, cinema e TV, ainda é possível destacar que o artista não contou apenas dramas densos.

 

Ao longo das seis décadas de carreira, também tratou de romances (Juventude, 1951), comédias (O Olho do Diabo, 1960), terrores (A Hora do Lobo, 1967) e suspenses (O Ovo da Serpente, 1977), por exemplo. São os filmes "difíceis", no entanto, que garantiram a Bergman o status alcançando - tanto em termos de aclamação do público cinéfilo quanto da crítica e das premiações. Entre eles, Morangos Silvestres (1957), que faz um tratado sobre memória; O Sétimo Selo (1957), cuja trama se baseia num jogo de xadrez entre um homem e a morte; Gritos e Sussurros (1972) e Sonata de Outono (1978), que focam em repressões familiares. Há ainda como destaque a chamada "trilogia do silêncio", formada por Através de Um Espelho (1961), Luz de Inverno, (1963) e O Silêncio (1963), que traz debates sobre religião, fé, sexualidade e saúde mental.

 

É uma obra de peso e profundidade que, com o centenário do diretor, pode ser visitada e revisitada por diferentes meios. Ao longo do mês de julho, a Unidade Fortaleza do Sesc vem promovendo mostra em homenagem a Bergman. As exibições ocorrem às terças, quartas e quintas do mês, às 18h30 (no dia 25, a sessão é às 18 horas). Na lista, Vergonha (17/07), A Hora do Lobo (18/07), Face a Face (19/07), Sonata de Outono (24/07), Fanny & Alexander (25/07) e Na Presença de Um Palhaço (26/07).

 

Além dessa mostra especial, filmes de Bergman também podem ser encontrados no streaming. Entre eles, Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres, O Sétimo Selo (todos disponíveis no Looke) e Sede de Paixões (disponível no Flat). O canal Telecine Cult é outra opção para ter acesso à obra do cineasta. Hoje, a partir das 12h45, o canal vai dedicar mais de 12 horas de sua programação a uma maratona dedicada a Bergman, exibindo seis longas do diretor. Finalmente, tem previsão de estreia para a próxima quinta, 19, o documentário Bergman 100 anos, de Jane Magnusson. Em Fortaleza, no entanto, o Cinema do Dragão irá promover hoje, às 20h10, exibição especial do longa.

Para ver Bergman em Fortaleza

 

Mostra Bergman no Cine Sesc

Quando: dias 17 a 19 e 24 a 26

Onde: Sesc Fortaleza (rua Clarindo de Queiroz, 1740)

Entrada gratuita

Infos: www.sesc-ce.com.br

 

Exibição de Bergman 100 Anos

Quando: hoje, às 20h10

Onde: Cinema do Dragão (rua Dragão do Mar, 81)

Quanto: R$ 14 / R$ 7

Infos: www.dragaodomar.org.br/

 

JOÃO GABRIEL TRÉZ

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