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Livro conta as histórias de sessenta feministas que mudaram o mundo

| BIOGRAFIAS | Livro de Laura Barcella e Fernanda Lopes conta as histórias de sessenta feministas que mudaram o mundo. Apanhado de perfis inclui quinze brasileiras e uma cearense

01:30 | 04/07/2018
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Rosa Parks, Leila Diniz, Marie Curie, Frida Kahlo, Alice Walker, Bell Hooks, Malala Yousafzai, Rose Marie Muraro e Roxane Gay são exemplos de mulheres que revolucionaram os seus tempos em diferentes áreas de atuação. A história delas e de outras mulheres é contada no livro Lute Como Uma Garota - 60 Feministas que Mudaram o Mundo, de Laura Barcella e Fernanda Lopes, publicado pela Editora Cultrix. “Eu acho extremamente importante contar nossas próprias histórias, porque esse é um lugar que não costuma ser dado gratuitamente pra nós. A gente teve e ainda tem que insistir para mostrar que nossas experiências, histórias e narrativas têm valor. Há ainda resquícios de um certo pré-conceito ou desprezo machista da sociedade, no sentido de achar que conteúdo e histórias de mulheres, ainda que sejam histórias reais, têm algo de mais frágil, mais suave, mais naquele estereótipo de ‘mulher sensível’”, pontua Fernanda em entrevista ao O POVO por email.


Os estudos da mulher, explica Fernanda, eram assunto visto com certa desconfiança. Mas, nos últimos anos, as bibliografias vêm se proliferando e as livrarias, inclusive, abriram espaços específicos para esse livros. É nesse contexto que nasce Lute Como Uma Garota. O livro reúne perfis biográficos de mulheres que se destacaram por seus engajamentos e se tornaram referências no movimento feminista. “Para mim não foi difícil encontrar mulheres que mudaram a história. De qualquer forma, eu não acho que as mulheres em geral têm tanto prestígio, prêmios ou consagração por suas realizações quanto os homens. Historicamente, as contribuições das mulheres para a cultura foram diminuídas ou até mesmo apagadas”, diz Laura. O livro tem prefácio de Mary Del Priori.


Uma das etapas mais difíceis, a curadoria da publicação precisou visitar revistas, livros, estudos acadêmicos, enciclopédias, bancos de pesquisa virtuais e presenciais, sites na internet e outras fontes até chegar aos nomes das 60 mulheres - destas, 15 são brasileiras. “A ideia foi selecionar mulheres que se destacaram por lutar mesmo pelos direitos da mulher de alguma forma, seja pelo voto feminino, pelo direito ao estudo ou simplesmente pelo direito de ser quem quiser, falar o que quiser e não ser condenada por isso por uma questão de gênero. A história do Brasil tem centenas de mulheres incríveis que fizeram mudanças valiosas para que pudéssemos evoluir, mas escolhemos essas pelo trabalho que fizeram e ainda fazem pelo feminismo, a equidade de gênero”, pontua Fernanda. Entretanto, a história, ela acredita, ainda guarda centenas de mulheres que fizeram mudanças valiosas em seus contextos.

 

Beyoncé

Uma das vozes mais poderosas do show bizz. Beyoncé Giselle Knowles foi criada em Houston, no Texas, e montou seu primeiro grupo aos 11 anos, o Destiny’s Child. Desde o início da carreira, a cantora já apostava em letras que focavam a passagem de poder às mulheres e continua levantando essa bandeira. A “Mrs. Carter”, como se denomina, acumula 20 Grammys e mais de 75 milhões de discos vendidos.

 

Clarice Lispector

Uma das 15 brasileiras integrantes do livro, Clarice foi uma romancista, contista e jornalista de grande peso no cenário nacional. Sua obra sugere - de forma escancarada ou discreta - que mulheres não precisam seguir padrões estabelecidos por homens. Ainda nos anos 1950, ela pediu o divórcio do marido - que trabalhava com embaixador do Brasil na Europa - para se dedicar integralmente a carreira de escritora. Morreu em 1977, vitimada por um câncer no ovário.

 

Angela Davis

A filósofa já figurou na lista dos dez mais procurados do FBI. Escritora, revolucionária, professora e ativista, Angela foi presa por acusações falsas de sequestro e assassinato. Uma campanha mundial pediu a soltura da filósofa, que só ganhou a liberdade após passar um ano e meio na prisão. Angela realiza palestras ao redor do mundo sobre feminismo.

 

Maya Angelou

A escritora americana escreveu sobre racismo, pobreza, machismo e sexualidade, lutando pelos direitos civis e outras causas de justiça social. Foi uma voz importante no sul dos Estados Unidos, que estava segregado legalmente na década de 1960. Maya Angelou também tem um relevante trabalho artístico com teatro e dança, foi a primeira mulher afro-americana a conduzir bondes em São Francisco e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, em 2010, considerada uma das maiores honrarias civis do país.

 

Maria da Penha

Única cearense figurando no livro, Penha motivou uma lei - sancionada em 2006 - que é a maior arma de luta contra a violência doméstica no País. Em 1983, a farmacêutica residia em Fortaleza com o marido e três filhas. Foi alvejada pelo então marido com um tiro de espingarda nas costas, que a deixou paraplégica e, mesmo assim, a justiça brasileira não garantiu a prisão dele. Maria da Penha apelou para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). A Lei Maria da Penha foi criada após o Brasil ser condenado por negligenciar a violência doméstica.

 

Djamila Ribeiro

Ela é escritora, ativista social e filósofa. Firmou-se como uma das intelectuais mais importantes do Brasil e publicou uma série de livros que suscitaram discussões, como Quem tem medo do feminismo negro? e O que é lugar de fala?. Além disso, desenvolve um importante trabalho nas redes sociais, onde sua voz ressoa entre milhares de jovens. “Se luto contra o machismo, mas ignoro o racismo, estou alimentando a mesma estrutura” é uma de suas falas mais famosas.

 

Lute como uma Garota – 60 feministas que mudaram o mundo

Autoras: Laura Barcella e Fernanda Lopes

Editora Cultrix

368 páginas

Quanto: R$ 45

 

ISABEL COSTA

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