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Desafio tipo exportação

| Projeto | Artistas destacam avanços para a cena autoral com projeção nacional e apontam melhorias para o Conexão Dragão do Mar de Música Cearense

01:30 | 18/07/2018
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A noite desta quarta-feira vai ser muito especial para um coletivo de músicos cearenses. É o projeto Mandacaru Jazz, que levará união de clássicos da bossa, do samba, do chorinho e do jazz ao Sesc 24 de maio, em São Paulo. Os artistas estão entre os selecionados para circular pelo projeto Conexão Dragão do Mar de Música Cearense.

 

"O Sesc SP é uma importante vitrine, talvez a mais importante da música instrumental. Isso deixa todo mundo muito feliz. Estamos desfrutando dessa possibilidade", celebra Carlinhos Patriolino, nome à frente do violão e do bandolim no grupo. Ao lado de alguns dos mais importantes instrumentistas do Estado, Patriolino relata ser a proposta do Mandacaru Jazz reunir "elementos musicais que não conhecem barreira de tempo, geração ou território".

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O bandolinista comemora a possibilidade de apresentar pelo País um projeto que tem a cara da música cearense justamente por equilibrar bem os desejos artísticos de quem compõe o coletivo. "A concepção é de todos, a gente chega juntos num lugar comum. É democrático, se um não gosta de um acorde, a gente repensa".

 

A cantora Nayra Costa participa do Mandacaru e também está na capital paulista para se apresentar esta noite. "O Sesc é muito concorrido, até para os artistas daqui (São Paulo). Então é um ganho muito grande termos a chance de mostrar mais uma vez para o Brasil que a galera do Ceará é foda", afirma. Nayra salienta a importância da continuidade do projeto para que muitos outros artistas locais sejam contemplados. "Conexão é um projeto maravilhoso e que poderia já ter existido há um bom tempo. Estou muito feliz".

 

Abrindo o projeto, em maio último, a cantora Soledad subiu ao palco do Sesc Pompeia, na Zona Oeste da capital paulista, ao lado de Fernando Catatau e Jonnata Doll. "O Ceará tem se expandido culturalmente a cada dia e as pessoas estão atentas a isso. O que acontece é que muitas vezes o artista fica 'preso' em seu estado por não ter condições de se espalhar", avalia a artista, radicada em São Paulo desde 2016. Para ela, a oportunidade de desbravar outros cenários e públicos acaba enriquecendo o trabalho artístico em muitas frentes.

 

Na avaliação de Soledad, o Conexão progride ao se alinhar cada vez mais com as demandas de quem está na linha de frente de toda essa cadeia da economia criativa: os próprios artistas. "Os avanços sempre acontecem bem quando existe um diálogo, quando é bem tecido. Ser um ouvinte ativo, saber das necessidades e estar concatenado com o artista são um bom caminho".

 

As atrações dos próximos meses amplificam ainda mais o caráter múltiplo da cena cearense. Em agosto, no Sesc Belezinho, o rapper Don L convida Doinston, Carlos Gallo e Côro MC para apresentação conjunta. Já em setembro será a vez do Projeto Rivera, Selvagens à Procura de Lei e Daniel Groove.

 

"Para a gente, é muito importante ter conhecimento desses artistas, ainda mais com a possibilidade de shows inéditos, pensados juntos com o Dragão do Mar. É uma via de mão dupla: renovamos a cena dos espaços e os artistas tocam em palcos consagrados, onde os principais artistas do País se apresentam", finaliza Henrique Rubin, da Gerência de Ação Cultural do Sesc.

Renato Abê

 

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