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Barreiras para enfrentar antes de chegar ao equipamento cultural

01:30 | 10/07/2018

 

Até chegar ao equipamento cultural, uma pessoa com deficiência precisa cruzar diversas barreiras físicas. O ônibus, o estacionamento do carro, a calçada, o ato de atravessar a rua. Estágios simples para a maioria da população devem ser encaradas com cuidado. Por isso, sair de casa para assistir a um filme ou a um espetáculo que já não será acessível, torna-se pouco convidativo. Rayloma Pereira, estudante de Educação Física da  Universidade Federal do Ceará, gosta de músicas, filmes e livros. “Mas muitas vezes não consigo encontrar ou não encontro de forma adequada”, diz a estudante universitária, que tem baixa visão.

 

Rayloma prefere os filmes que possuem audiodescrição. “No caso, é pouco produzido. Muitas vezes assisto só por assistir  mesmo, pois muitos fatos
 não entendo dos filmes devido a não enxergar”, pontua. As idas ao cinema ainda acontecem, apesar dos obstáculos físicos. “Sempre preciso de um
 vidente, pois em alguns momentos de filmes é preciso ter visão para entender, as salas não são bem adaptadas e são cheias de batentes, não tem Braile para que consigamos nos virar sozinhos e não há pessoas trabalhando com audiodescrição”, detalha.

 

Izabeli Sales Matos trabalha com acessibilidade há 25 anos e explica que a  mobilidade continua sendo um entrave para o acesso. “Tanto que muitas vezes conseguimos levar um grupo da associação para um centro cultural, mas apenas se a gente conseguirum transporte”, pontua, lembrando que o acesso deve existir em diversas ocasiões e não apenas em momentos pontuais. “A acessibilidade física ainda prejudica muito”, garante.

 

SAIBA MAIS

 

Gailana Brasil, do Itaú Cultural, explica que a pessoa com deficiência é pensada geralmente como público, mas é preciso avançar e colocar esse grupo como artista também. Para ampliar esse acesso, la diz, é preciso pensar em editais e mecanismos de financiamento que garantam a inscrição. “Temos muitos trabalhos de artistas com deficiência que usaram ferramentas de acessibilidade para se inscrever nos editais”, pontua. Outro ponto tratado por Gailana é a estadia dos artistas com deficiência apenas como produtores de conteúdo para outras pessoas com deficiência. “É preciso quebrar essas caixinhas e barreiras. O artista sem deficiência produzindo para todos, o artista com deficiência produzindo para todos”, elucida. Na opinião de Gailana, outro trabalho necessário é com as barreiras atitudinais. Quem recebe o público, quem indica o caminho, quem ajuda na visitação - ela pontua - precisa estar preparado para as diversas situações. “Pensando locomoção e recepção. Não adianta oferecer o serviço e não ter como a pessoa chegar até ele”, finaliza.

 

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