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A benção, Bahia

| BAHIA | Descobrir - ou redescobrir - a capital baiana pode ser uma boa opção de viagem a dois. Do acarajé na rua ao restaurante sofisticado, conheça a vertente mais romântica da cidade

01:30 | 19/07/2018
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A Bahia tem algo que mexe mesmo com a gente. Dorival Caymmi, poeta e andarilho das ruas da capital baiana, foi certeiro: "Tudo, tudo na Bahia/Faz a gente querer bem", cantou na clássica Você já foi à Bahia?. Salvador é uma bonita porção do Estado, que permite aos visitantes fazerem os mais diversos percursos, como os gastronômicos, etílicos, culturais, históricos, religiosos e litorâneos. Entre as muitas possibilidades, a Cidade pode ser, também, uma boa opção para viagem a dois.

 

Para quem sai pelo Aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza, em menos de duas horas (se for voo direto), o visitante poderá aterrissar na cidade destino. Percorrer os clichês da cultura baiana é indispensável em uma viagem à Capital, mas a dica aqui é ir com tempo elástico, passar, pelo menos, cinco dias, para que seja possível ir além do roteirão turístico, para flanar e descobrir a Cidade. E Salvador é, antes de tudo, ir além.

 

Em casal, este passeio se torna ainda mais prazeroso. Descobrir - ou redescobrir - a capital baiana com seu parceiro ou parceira pode ser surpreendente. Da cerveja com amendoim cozido na praia de água cristalina do Farol da Barra ao Acarajé da Cira e à boemia do Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, o roteiro pode ter sequência ainda pela Casa do Rio Vermelho (onde viveram Jorge Amado e Zélia Gatai), pela noite do bairro de Santo Antônio do Carmo, por achadinhos de restaurantes com menus surpreendentes. A gente pede "a benção, Bahia", como na música de Vinicius, e segue de coração aberto.

 

Dias de luz, festa de Sol

Uma caipirinha, uma cerveja, um sombreiro e um marzão de água tranquila e cristalina. Quem vai passar uns dias na capital baiana pode tirar um tempo para colocar os pés na areia e tomar um banho na água salgada da Praia do Porto da Barra. A faixa de areia é bastante concorrida até nos dias da semana e tem um insistente comércio ambulante. Mas, mesmo insistente, é possível fazer negócio e levar uma canga, um colar e até uma porção de amendoim cozido, que, dizem, pode ser um bom afrodisíaco. Dizem...

 

Por do Sol

À beira da Baía de Todos os Santos fica o Solar do Unhão, um passeio gratuito e bem bonito. Aos fins de tarde, casais, turistas, amigos e famílias vão assistir ao pôr do sol e apreciar a vista, como uma pausa no dia a dia. O Solar é parte de um conjunto arquitetônico do século 17, que abriga ainda o Museu de Arte Moderna da Bahia.

 

Date

Uma forma deliciosa de aproveitar as cidades é buscando opções de restaurantes. Em Salvador, uma dica é conhecer o Amado. Premiado pela revista Veja Comer & Beber Salvador como o Melhor e Mais Romântico restaurante da Cidade, o espaço (localizado no Corredor da Vitória) fica à beira da Baía de Todos os Santos. A cozinha contemporânea é a grande protagonista do restaurante, que divide a atenção do cliente ainda com a carta de vinhos, com a carta de drinks (o Moscow Mule é uma boa pedida) e o serviço atencioso, além, claro, da vista para o mar. A sugestão é para quem está disposto a gastar um pouco mais durante o passeio. Outros bons restaurantes para ir a dois são: Poró (em Santo Antônio do Carmo) e Casa de Tereza (no Rio Vermelho)

 

Fé colorida

O passeio é batido por entre os roteiros turísticos encontrados em guias. Mas a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim tem sempre uma aura mística da fé que pessoas do mundo todo depositam nas fitinhas amarradas nas grades que rodeiam o equipamento e na parte de dentro. A igreja é pequena e aconchegante, mas bastante visitada. O grande acontecimento da Igreja é a "lavagem do Bonfim", que acontece sempre no mês de janeiro, em festa que dura o dia inteiro.

 

Casa do Rio Vermelho

A rua Alagoinhas, no bairro Rio Vermelho, guarda um cantinho surpreendente e agradável. O local onde o casal de escritores Jorge Amado e Zélia Gatai viveu está aberto para visitação desde 2014. É a Casa do Rio Vermelho, comprada em 1960 com a renda arrecadada com a venda dos direitos do livro Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge, para a MGM. Pagando R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia), o público tem acesso ao universo criado pelo casal, em uma casa ampla, com dois jardins e diversos espaços afetivos, repletos de histórias. Muito bem preservada, a Casa é um passeio agradável e bonito pela história de Jorge e Zélia.

 

CAMILA HOLANDA

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