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Top Model Cearense Valentina Sampaio estreia como atriz no cinema

| FILME | Top model trans de projeção internacional, a cearense Valentina Sampaio estreia no cinema em Berenice Procura.Confira entrevista exclusiva!

01:30 | 27/06/2018
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Filha de uma professora com um pescador, Valentina Sampaio nasceu e cresceu em uma vila praieira na cidade de Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza. Aos 21 anos, a cearense tem projeção pelas passarelas mundo afora e é embaixadora da marca francesa L’Oréal Paris no País, ao lado de Grazi Massafera, Taís Araújo e Juliana Paes. Além do vínculo com a campanha publicitária, a modelo tem mais uma semelhança com as três celebridades citadas. Valentina mergulha agora na carreira de atriz e estreia seu primeiro longa-metragem, Berenice Procura, de Allan Fiterman. Chegando aos cinemas do País amanhã, o filme acompanha a história de uma taxista (vivida por Cláudia Abreu), que se envolve em investigação sobre a morte da travesti Isabelle (personagem de Valentina).


O POVO - O que foi mais surpreendente e o que foi mais difícil dentro do set de filmagens?

Valentina Sampaio - O mais desafiador foram as cenas de fortes emoções, que exigem bastante da gente. Aquelas onde temos que ir mais a fundo e sentir as emoções à flor da pele.

 

OP - Isabelle é uma personagem-chave dentro da trama. Como você definiria essa mulher? Vocês têm semelhanças?

Valentina - A Isabelle é uma mulher forte, do bem e sonhadora, mas que apanha muito da vida. Ela foi expulsa de casa pela família e, na rua, não tem oportunidades de trabalho ou de ser alguém na vida. Ela encontra na prostituição uma forma de sobreviver, porém ela acredita no amor. A rua acaba sendo a família da Isabelle, que ela aprende a amar e também recebe este amor, com todos unidos pela dificuldade. A nossa semelhança pode estar na força e na coragem em lutar pelos sonhos, mesmo com tantas barreiras pela frente.

 

OP - Você já revelou em entrevista ao O POVO que está focada na carreira de modelo, mas que quer encarar outras experiências atuando. Que papel gostaria de fazer nessa função?

Valentina - Eu gosto de personagens que incentivam a sair da zona de conforto. Adoraria viver uma vilã bem perigosa! (risos) Ou então atuar em uma comédia. Admiro muito personagens como a Nazaré Tedesco e a Tereza Cristina. São vilãs mas também transitam pelo humor. Gosto muito de comédia e de drama.

 

OP - Você identifica haver preconceitos nessa transição modelo/atriz? Teme esse tipo de desconfiança?

Valentina - Eu fico segura porque sei que vou fazer o meu melhor, estudar e me preparar. Acredito que ninguém deve temer pré-julgamentos.

 

OP - Como você avalia a prática de personagens trans serem interpretadas por artistas cis?

Valentina - Eu acredito que uma atriz pode ser o que ela quiser. Pode transitar em vários universos, pode viver personagens e contar histórias muito diversas.

 

OP - Assim como a personagem Isabelle, muitas meninas trans são assassinadas no Brasil. O que você acredita que falta para o País começar a reverter essa situação?

Valentina - Sem dúvidas falta mais amor e respeito pelo próximo. Ninguém nasce preconceituoso. Não é algo natural que vem com a gente. Nascemos puros e sem maldade. Quem somos nós para julgar o próximo? A coisa mais bonita que cada um de nós pode fazer é amar ao próximo e poupá-lo de julgamentos.

 

RENATO ABÊ

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