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Ivy Morais estreia em disco com participação de Lenine

| MÚSICA | Ivy Morais estreia com Na Ponta do Remo, CD com produção de Pantico Rocha e participação especial de Lenine

01:30 | 05/06/2018
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O mar de Caymmi, um quê de Clara Nunes, a malemolência de um arrastar de pés e bater de palmas ao som de pandeiros, cuícas, violões e percussão. Sob as bênçãos de Iemanjá, a cantora e compositora Ivy Morais adentra o mar em sua potência e anuncia, certeira: “Pelas águas e veredas/ Um país a percorrer/ Nas veias corre um sonho/ Nas mãos, um nada a perder...”. O sonho da mineira em voar solo, porém, permaneceu em segundo plano durante algum tempo, tendo como amparo as rodas de samba e locais conhecidos da boemia carioca, como o Bip Bip, além de blocos de Carnaval e grupos de percussão como o Rio Pandeiro (com o qual chegou a ir à Itália).


Ivy carrega no matulão uma bagagem oriunda, sobretudo, da profissão de produtora. Suas composições, no entanto, surgiram ainda à época da adolescência - vivida em Belo Horizonte – e sob a influência, mesmo que indireta, da família. “Me vem à mente a imagem da minha bisavó Ignez tocando sua flauta aos 100 anos de idade, num quintal suspenso nos tempos da paz. Nascida no século XIX, foi pianista de cinema mudo em Minas! Convivi tão pouquinho em vida, mas carrego essas lembranças comigo sempre”, relata ela que, aos 23 anos, largou tudo em direção à “cidade-sangue-quente-maravilha-mutante”, onde faz morada e trabalha já há dez anos.


“Senti o ímpeto de quebrar as paredes da casa noturna, viver a música ao ar livre, juntando o que cabia na mochila rumo ao desconhecido carioca. E foi embalada pelo samba - na pesquisa, nos projetos, na convivência - que brotou essa urgência de me expressar como artista, despontando a cantora de rodas e a compositora em guardanapos de bar”. Apostando num trabalho 100% autoral, Ivy Morais lança-se com Na Ponta do Remo. Com direção musical de Pantico Rocha e arranjos de Pedro Franco, o CD reúne 11 faixas alinhavadas pelo cheiro e as sensações trazidas com a proximidade do mar.


“Mineiro é um bicho deslumbrado com o mar, né? Imagine aportar no Rio de Janeiro, o que não brotou de ideias motivadas por seu bailado infinito, suas vozes noturnas, seu perfume salgado marcando o corpo? Toda a sensação de encantamento e liberdade se aflorou! Pode ter sido por coincidência, mas não por acaso”, reforçou. Partindo de referências que vão de Chico Buarque a Gonzaguinha, D. Ivone Lara, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro e Roque Ferreira, Ivy Morais – que acabou ganhando o apelido de “Iemanjá mineira” por alguns críticos da área – tem no samba o seu porto-seguro, mas também estende seu balançar para outros ritmos.


Boleros, maracatu, valsas e até um dolente lamento sertanejo encontram guarida em Na Ponta do Remo. O título do CD, a saber, é extraído de sua canção intitulada Canto de Esperança, que conta com a participação especial do pernambucano Lenine. “Tenho o privilégio de conviver com o grande ser humano que ele é no papel de produtora cultural. Com Lenine aprendo a cada encontro, a cada momento de cumplicidade. E a música fala justamente do desbravar de terras e mares que a arte dele me possibilitou, poética e fisicamente falando. Fala da força da união, dos milagres que somos capazes de promover”, explicou.


Zuza Zapata divide a parceria com Ivy em Terra Morena. “Zuza é um trovador do século XXI. Roubei uns versos de um de seus poemas urbanos e me transportei para o sertão nordestino em Terra Morena. Ele adorou”, revelou a cantora. Já Pedro Franco, tem a co-autoria em Drink Music. “Pedro é um desses fenômenos musicais. Por sorte, propôs de fazer os arranjos antes de tocar com nomes como Maria Bethânia e Zélia Duncan. A nossa parceria de composição surgiu de uma letra que não encontrava sua melodia. Vinho tinto e seco, pão de queijo e violão, nasceu Drink Music”, explicou a cantora.


Na Ponta do Remo encontra-se disponível em todas as plataformas digitais e, aos poucos, Ivy Morais vem conseguindo espaço para shows fora do eixo RJ-SP. “Estou fechando, no momento, em Governador Valadares (MG), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS)”, adiantou. Quanto ao mercado independente, afirma: “Tem sido um desafio diário! As expectativas das pessoas e as formas de consumo da música mudam a cada dia, assim como as próprias plataformas sociais. De repente você atua como designer, editora de vídeos, de conteúdo, fotógrafa, produtora e ainda quer dar atenção a cada comentário. Não é fácil, mas o sabor das pequenas conquistas é único”, conclui.


Na Ponta do Remo – Ivy Morais

Participação de Lenine

Independente

11 faixas

Preço médio: R$ 20


TERESA MONTEIRO

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