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B-boy fortalezense vence disputa nacional

| HIP HOP | B-boy fortalezense conquista título nacional e se prepara para representar o Brasil na Europa em setembro. No feminino, o prêmio foi para uma b-girl de Belém

01:30 | 13/06/2018
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O berço do hip hop brasileiro é São Paulo, onde o movimento se fortaleceu já em 1980. Não por acaso, a cidade foi escolhida para sediar a final do Red Bull BC One Brazil Cypher, versão nacional de um dos maiores eventos mundiais de breakdance. Os vencedores nas categorias masculina e feminina, porém, não são paulistas. Nem mesmo do Sudeste. O cearense Bart e a paraense Mini Japa serão o Brasil na final global, que coroará o melhor do mundo em setembro na Suíça. Os dois conquistaram o prêmio no último fim de semana em disputadas batalhas realizadas no Red Bull Station.


“É uma honra vir do Ceará e representar o Brasil, porque é difícil sobreviver da arte em Fortaleza”, aponta Bart, cujo nome de batismo é Mateus de Sousa Melo. Aos 20 anos, o dançarino já conta mais de uma década de experiência – começou aos 9, unindo capoeira e breakdance. “O hip hop está crescendo em Fortaleza. Tem muita movimentação, muita originalidade, muito b-boy bom e no rap também temos muitos nomes grandes”, acrescenta o dançarino, que comemorou a vitória com o conterrâneo Cleiton Till, também destaque entre os 16 finalistas do País.

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O campeão brasileiro ressalta sua busca por viver do hip hop. Por isso, ele está sempre competindo e realizando performances de street show por onde vai. “Tive um filho com 16 anos e sustento ele só pelo breakdance. Essa é a dificuldade maior que eu tenho, porque dançar é só prazer para mim”, aponta o jovem, que mostrou desenvoltura, bom humor e parceria com os oponentes nas batalhas. Cheio de prêmios no currículo e viagens para competir (esse ano ele já foi ao Chile), o cearense ressalta a importância de um treinamento contínuo — e não só do corpo. “Exige preparação mental. Na final, estava com o psicológico muito firme” explica.


Na arena, a especialidade de Bart é o chamado “power movie”, movimento considerado mais difícil e que exige muita força e equilíbrio do dançarino. “Tem muito giro, muita acrobacia. Esse deve ser o diferencial na Suíça”, aposta, ressaltando o trabalho realizado pelos seus oponentes na final brasileira. “Todos representaram muito bem seus estados”.

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Quem ficou até o fim e disputou o troféu diretamente com Bart foi o maranhense Allef Santos, 24. “Antes da batalha de b-boy, vem a nossa humanidade, o sentimento, a comunhão. Para mim, essa é a mensagem que eu quero deixar através da minha dança”, destacou, emocionado, o vice-colocado.


Membro do júri que elegeu o cearense, o b-boy mexicano Roxrite frisou a genialidade do vencedor. “Bart realizou movimentos muito avançados, muito difíceis e o Aleff tinha muito estilo, carisma. Foram apresentações bonitas de ver. O Brasil é uma comunidade que tem muitas formas de breakdance e é bom ver que todos são bons no que fazem”, elogia o dançarino, detentor do título mundial do Red Bull BC One em 2011.

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Campeã brasileira, a b-girl Mayara Colins, conhecida como Mini Japa, aponta o machismo como um impedimento do crescimento das mulheres na modalidade. “O principal desafio é ser aceita. É você ganhar de um homem e ele ter que aceitar que você ganhou, porque ainda tem isso de não perder para uma menina. Admito que a nossa evolução do corpo é um pouco mais demorada do que dos meninos, mas não é impossível”, aponta, ressaltando que o breakdance exige um preparo corporal complexo. “Uma eliminatória para um evento fora é muito raro, para mulheres então uma oportunidade dessas para nós é única”, completa, empolgada para conhecer a Suíça.



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