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Programas conduzidos por mulheres crescem em representatividade

| COMUNICAÇÃO | Da TV ao YouTube, passando pelo rádio e redes sociais, o protagonismo feminino tem crescido em produções conduzidas exclusivamente por elas. Os assuntos são os mais variados, mas têm algo em comum: a representatividade

01:30 | 21/05/2018
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Quebrar estereótipos sobre a mulher e romper com opressões e desigualdades históricas ainda se faz necessário. Ainda. Televisão, rádio, YouTube, Instagram, podcasts e outras tantas plataformas de mídias recebem programas feitos por mulheres para dialogar, principalmente, com mulheres, abrangendo a audiência para o mais diversos públicos.


Na contramão de programas de receitas culinárias e de artesanato “para as donas de casa”, em 1993, a jornalista Maísa Vasconcelos estreou o Na Boca do Povo, que foi ao ar durante 16 anos na TV Jangadeiro. Atualmente, ela é a apresentadora do Papo de Mulher na rádio O POVO/CBN, sempre às quintas-feiras.


“Eu fui chamada para trabalhar na televisão, porque eles queriam uma mulher para equilibrar. Isso não é à toa, porque já existia a percepção de que é preciso ter a voz da mulher”, narra.

 

“Eu confesso que nunca gostei dessa definição de ‘programa feminino’. Sempre encarei que o programa é feito para pessoas. O que é um programa feminino? É aquele que a gente vai voltar no tempo, no passado, quando o rádio surgiu, e a gente vai falar para as donas de casa? Eu não queria fazer esse programa. E, na rádio, eu também não faço”, demarca.


Na TV, programas como Saia Justa (GNT) amplificam vozes e discursos de igualdade, mudando a configuração do que se conhecia por “programas femininos”. O mercado de comunicação ganha fôlego com novas percepções sobre a forma de abordar a mulher. “É uma diferença de comportamento”, resume Maísa.


Para além das mídias mais tradicionais, a internet também traz um respiro importante para as discussões, como o canal no YouTube Jout Jout Prazer e o podcast Mamilos. Utilizando YouTube, blog e Instagram como ferramentas principais, Clara Dourado divide o projeto Desenroladas com a irmã Gabriela Dourado. Por ali, elas falam, principalmente, sobre moda, comportamento e feminismo.


Clara ressalta que existe uma perspectiva histórica na qual as mulheres foram caladas e tolhidas de espaços de liderança. “Essa questão de reconhecimento de lugar de privilégio é também algo que sempre falamos”, comenta Clara. “Achamos também tão importante usar nosso lugar de privilégio, enquanto comunicadoras, para falar de assuntos urgentes e que não encontramos tanta representatividade ou profundidade na mídia em geral”.

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Na TVC, recentemente foi lançado o programa Roda de Mulher, conduzido pelas jornalistas Camilla Lima e Lana Soraya. Camilla acredita que a mulher já teve diversos avanços na sociedade, mas são processos que ainda acontecem de forma lenta. “Em vários momentos do programa, a gente se vê debatendo sobre o nosso lugar da sociedade. E percebo que ainda é necessário ter um programa de TV para falar sobre isso. Queremos que seja um assunto superado, inclusive. Mas ainda não é, então, precisamos falar sobre”, comenta.


A jornalista observa que ainda existe um raciocínio “de cotas” para que mulheres ocupem posições que são majoritariamente designadas a homens, como programas protagonizados por elas. “Estamos bem representadas, mas ainda é em um modelo em esquema de cota. Não acontece de forma natural. Por outro lado, isto tem sido importante. Estamos aparecendo mais, tendo mais voz”.

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Professora do Departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal do Ceará (UFC) e blogueira do projeto Escreva, Lola, Escreva, Lola Aronovich comenta que este movimento de mudanças nos perfis de programas feitos por mulheres também chega nas revistas femininas. “Nos últimos cinco anos, eu noto que estas revistas têm mudado. Elas falam, por exemplo, sobre assédio sexual. Até pouco tempo atrás, estas mesmas revistas diziam ‘vista uma roupa justa e passe na frente de uma construção’ para melhorar a autoestima. Eu não vejo mais esse tipo de discurso”, observa.

FACEBOOK

O programa, além de estar na rádio, também é transmitido na live do Facebook do O POVO Online. Abaixo, o vídeo do último programa, que está disponível na rede social junto com outras edições.

 

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CAMILA HOLANDA

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