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Grande Sertão: Veredas traz instalação artística para o TJA

| TJA | Junto à encenação com grande elenco, a montagem de Grande Sertão: Veredas se converte em instalação aberta ao público. Fortaleza é a primeira cidade a receber circulação

01:30 | 23/05/2018
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Nas mãos da diretora Bia Lessa, Grande Sertão: Veredas ganha outras dimensões além-palavra. Munida de profundo conhecimento da obra de Guimarães Rosa — realizou exposição com o tema no Museu da Língua Portuguesa (SP) em 2006 —, Bia criou espetáculo e instalação cênica. Trata-se de uma grande estrutura tubular (que lembra uma gaiola) e 250 bonecos de feltro com tamanho humano, compondo uma cena permanente: a morte de Diadorim como um presépio. A obra fica aberta a visitação no sábado, 26, e domingo, 27, no TJA.


Da experiência com música, Bia trouxe o recurso de áudio expandido. Parte da plateia assiste ao espetáculo com fones de ouvidos, enquanto outra parte recebe de modo amplificado as vozes. “O som atravessa o teatro e é trabalhado em camadas com ruídos da água, do vento, dos animais, música e a própria voz dos atores. Isso permite que eles falem em volumes diferentes”, detalha a encenadora.


Além dos dez atores em cena, a equipe inclui outros dez profissionais. Toda essa grandiosidade custa caro, o que se reflete no preço do ingresso, que chega ao valor de R$ 120. “É uma produção grande, que é também uma exposição e se torna um ingresso caro, o que me entristece, porque a gente quer levar para todo mundo”, afirma, destacando a ausência de patrocínio para circulação. “A gente tinha opção de fazer por esse preço ou não fazer, preferimos fazer. Quem for não estará só comprando um ingresso, mas viabilizando para que aquele espetáculo aconteça”.


Na busca por democratizar essa plateia, o elenco fará ensaios abertos e rodas de conversa, entre outras programações gratuitas ao longo desses dois dias —um ensaio já está marcado para às 14 horas do sábado, 26.


Após temporadas de sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro, Grande Sertão: Veredas inicia agora circulação nacional por Fortaleza. “É um desafio muito grande viajar com uma produção como essa. Estamos saindo agora pela primeira vez, vamos descobrir como é contar para outros públicos, ver a percepção que a obra tem em outra região”, afirma Caio Blat.


“Tenho um amor imenso pelo Theatro José de Alencar”, resume Bia, que montou ópera no equipamento no início dos anos 1990, celebrando reabertura do prédio após reforma. “Fui a convite da então diretora Violeta Arraes (1926- 2008), ela tinha um entendimento de que o palco não é uma sala de visitas e, sim, um lugar de vivências, que tem marca das histórias que passaram por ali. O TJA tem isso”.

Renato Abê

 

 

GABRIELLE ZARANZA

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