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Superman completa 80 anos como um sucesso na TV e no cinema

ANIVERSÁRIO | Super-Homem completa 80 anos de sua criação hoje, 18. Descubra algumas curiosidades sobre o personagem representado diversas vezes na TV e nos cinemas

01:30 | 18/04/2018

Criado para usar uma roupa azul, capa vermelha e cueca por cima da calça, o herói Super-Homem, personagem kriptoniano que tem os poderes de um deus, nasceu das páginas de Action Comics #1 em 1938. Nas telas, diferentemente dos quadrinhos, Clark Kent/Kal-El, que veio do planeta alienígena Kripton, dificilmente teria um carisma identificável com o público, logo que tem dilemas acima do problemas da humanidade.

Pensando nisso, a sua jornada em outras mídias foi criada para atender os que buscavam identificação. O primeiro passo foi a série de TV Superman de 1948, que tinha Kirk Alyn como o primeiro astro a interpretar o personagem. O sucesso da série aconteceu devido à novidade, uma vez que não existiam programas ou filmes influenciados por heróis de quadrinhos na época.

Dez anos depois, estreava As Aventuras de Superman, estrelada por George Reeves. O programa se tornou um sucesso graças ao talento dos astros e dos efeitos especiais de ponta, que surpreenderam os fãs acostumados somente com as séries de gênero noir e faroeste.

Entretanto, apesar do pioneirismo na televisão, a grande mudança no mercado audiovisual aconteceu com Superman – O Filme, com Christopher Reeve no papel. O astro, que não é parente de George Reeves, teve o intuito de colocar esperança, humanidade e responsabilidade no coração do público norte-americano, que vivia a depressão de ideais em 1970, as consequências da Guerra do Vietnã, a Guerra Fria e o mandato de Jimmy Carter, presidente pouco popular no país.

Não por acaso que Reeve e seu carisma inexplicável mudaram o gênero de blockbuster. Lado a lado de Tubarão e Star Wars, que estrearam anos antes, Superman, de 1978, serviu de base para o surgimento do gênero de super-herói, popular até hoje. Com o longa, outros diretores entenderam que os heróis servem para divertir e enaltecer o sentido de tolerância e altruísmo.

A partir disso, o personagem fortaleceu o gênero que criou. O filme teve três continuações, venceu um Oscar de efeitos visuais e foi um sucesso de bilheteria, faturando mais de US milhões diante de um orçamento de somente US$ 50 milhões. Já na década de 1990, quando o gênero de heróis já estava mais popular, Superman voltou para a TV com As Aventuras de Lois e Clark, série romântica que apresentou a jornada amorosa do herói - vivido por Dean Cain - e Lois Lane (Teri Hatcher), repórter do Planeta Diário.

O programa serviu como entretenimento adolescente e referência para tantas outras séries que surgiriam em seguida, como Smallville, uma das mais populares da história da televisão americana. Já em 2006, quando o diretor Bryan Singer resolveu homenagear a obra de Richard Donner e Christopher Reeve, com Superman: O Retorno, o herói sofreu as consequências de uma geração exigente e apaixonada por ação. Com aventuras cinematográficas dos X-Men, Homem-Aranha, Batman e tantos outros, Superman se afastou da pancadaria para focar no drama. O público e a crítica não reagiram bem. Os motivos: falta de ação, filme morno, história repetida.

Anos depois e o estúdio Warner Bros. apresenta um herói mais adulto. O filme Homem de Aço marcou a entrada do diretor Zack Snyder, que necessitava ser diferente da concorrente Marvel Studios e de sua franquia Os Vingadores. Para isso, ele criou uma obra adulta e sombria sobre o herói.

O resultado: o filme conta um arco extremamente dramático sobre o kriptoniano, que possui problemas pessoais e sintomas de depressão. Isso pode ser notado na continuação Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, de 2016, que oferece uma versão obscura do personagem. No filme, ele surge como vilão até determinado ponto, como o estrangeiro que serve de ameaça. Uma visão crítica em tempos pós-governo Bush, quando qualquer forasteiro pode ser expurgado antes de realizar algum crime. Isso é apontado, inclusive, pelas cores do personagem, que ficaram mais escuras que o normal. Até a cueca por cima da calça, uma de suas marcas registradas, sumiu. Para o futuro, torcemos que a esperança, as cores e o herói voltem a representar a paz novamente.

Talvez seja por causa dessa esperança que o personagem nunca envelheceu. Com essas obras bem-sucedidas, o herói se tornou fundamental dentro do universo dos cinemas. Tal grandiosidade se deve muito ao que foi criado pelos magníficos quadrinhos há 80 anos.

 

GABRIEL AMORA