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O percurso da criação de um livro infantil

LITERATURA | O nascimento de Monteiro Lobato, 18 de abril, marca o Dia Nacional do Livro Infantil. O POVO conversou com escritoras para entender o percurso da criação

01:30 | 18/04/2018

Por trás das estantes de livros infantis existe uma figura laboriosa e imaginativa que é responsável pela criação das histórias: o escritor. Diferente do apontado pelo senso comum, as produções literárias feitas visando as crianças não são de fácil produção. Os textos curtos e as muitas ilustrações, possivelmente, são as razões para o público geral pensar que os livros infantis não exigem experiência, comprometimento e inteligência do autor. Neste Dia Nacional do Livro Infantil, O POVO conversou com três autoras de obras infantis para entender o percurso feito na criação das histórias.

A escritora Tyanne Maia explica que as produções destinadas ao público infantil exigem atenção especial com as palavras e com formas de fazer a criança entender o texto. Mas, nem por isso, a inteligência e a capacidade de compreensão dela devem ser desmerecidas. “Elas têm uma compreensão incrível, muitos adultos subestimam suas inteligências, mas elas são capazes de entender uma mensagem em um livro”. Tyanne é autora dos livros Telhado de Gatos e Animal de Estimação Não é Brinquedo Não, ambos tratando do respeito aos felinos e da importância de conviver com bichos.

Para Marília Lovatel, escritora e mestre em Literatura, esse preconceito não está relacionado apenas ao livro infantil ou infantojuvenil, mas também ao leitor. “A partir do momento que você considera esse livro raso e de qualidade inferior, você está automaticamente categorizando esse leitor como sendo um leitor que está em um patamar inferior, como se fosse um leitor de segunda. Coisa que ele não é”, enfatiza Marília, que se dedica à literatura desde 2012 e está prestes a lançar a décima obra da carreira.

Ela explica que é necessário pensar as palavras usadas na construção textual para oferecer uma experiência coerente com os pequenos, mas que não limite a experiência dos leitores principiantes. “Fazer a leitura que o vocabulário tem que ser simplório é traçar esse leitor como alguém que não tem capacidade, que não tem condição de ampliar o campo linguístico dele”, aponta. O importante, traça Marília, é produzir obras que façam sentido para as crianças, estimulando e trazendo novidades.

Tatiana Sátiro, escritora e psicopedagoga, explica que o processo de “despertar e prender” o interesse dos pequenos é de difícil execução. Por isso, para construir as histórias infantis, ela explica, é necessário estudar os interesses das crianças e as melhores formas de apresentar esses interesses. “Se não for colocada a essência que o público infantil gosta, não vai despertar interesse. Hoje é raro encontrar uma criança pegando livros para ler. Nós temos que fazer com que elas sintam interesse na leitura, com que elas aprendam a tocar no livro e imaginar o que está acontecendo”, finaliza Tatiana, que é autora de Meu Irmão É Um Repolho, (Editora Dummar).

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ISABEL COSTA