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Novo filme de Sang-Soo Hong estreia hoje no Dragão

DRAGÃO | Mestre do cinema de situações, o sul-coreano Sang-Soo Hong estreia hoje O Dia Depois, nova obra sobre o cotidiano de personagens aparentemente normais

01:30 | 12/04/2018
O DIA DEPOIS é o primeiro filme de Sang-Soo Hong em preto-ebranco desde 2011
O DIA DEPOIS é o primeiro filme de Sang-Soo Hong em preto-ebranco desde 2011

 

 

 

 

 

 

 

Em 22 anos de carreira, o diretor, produtor e roteiristas sul-coreano Sang-Soo Hong já dirigiu 23 longas-metragens. Só no ano passado foram três. O ótimo Na Praia à Noite Sozinha, exibido em Fortaleza em outubro, a co-produção francesa La caméra de Claire, ainda inédito no Brasil, e O Dia Depois”, que estreia hoje no Cinema do Dragão. É, sem dúvidas, um dos mais prolíficos cineastas contemporâneos do mundo, ainda que parte do público ainda não o conheça.

Sang-Soo Hong, no entanto, não é marcante só pelo número impressionante de filmes que lança anualmente. Só no festival de Cannes, principal festa cinematográfica da Europa, ela já exibiu nove longas, sendo quatro na mostra principal e outros quatro na mostra paralela Un Certain Regard. A mais recente participação foi justamente com este O Dia Depois, indicado à Palma de Ouro no ano passado. Entre suas principais obras estão Noite e Dia (2008), O Dia em que Ele Chegar (2011), Certo Agora, Errado Antes (2015), além do já citado Na Praia à Noite Sozinha (2017), que deu a Ming-hee Kim o leão de prata de melhor atriz no Festival de Berlim.

Mas, afinal, o que há de especial no sul-coreano? Sang-Soo Hong é, em essência, um diretor do banal. Pessoas aparentemente normais, com dilemas aparentemente reais. Em geral, há um diretor de cinema em crise, algum ser criativo se embebedando de soju (o saquê coreano) e um ou mais corações partidos. Há uma estética naturalista, diálogos quase improvisados e ora uma leveza refrescante, ora uma busca pelo experimentalismo. Com Sang-Soo Hong, você quase sempre sabe exatamente o que encontrar, o que pode soar repetitivo, mas é até tanto quanto reconfortante.

O Dia Depois, naturalmente, aposta nas mesmas fichas. No filme, Bongwan (Hae-hyo Kwon) é o confuso (e casado) dono de uma editora de livros. Todo dia, ele sai ainda de madrugada para o trabalho, onde tinha um caso com uma ex-funcionária. Já Areum (Ming-hee Kim) enfrenta uma nova oportunidade na vida: trabalhar na editora de Bongwan. Certa hora, a esposa de chefe invade o escritório após encontrar uma carta da amor na mesa do marido. E em meio a esse escândalo, Areum vira uma das pernas de um triângulo amoroso que nunca previra. E assim se desenrola uma autêntica comédia de situações.

Para o crítico David Ehrlich, do site IndieWire, O Dia Depois pouco desvia da proposta recorrente de Song-Hoo. “Mas não tem sentido em reclamar de ‘mais do mesmo’ quando o grande apelo da carreira de Hong é que é tudo mais do mesmo. O trabalho da sua vida é como um livro definido pelos mais minúsculos gradientes de mudanças entre os capítulos e seu último filme é um lembrete do porquê continuamos virando as páginas”, escreve, em crítica sobre Cannes.

No filme, Sang-Soo volta a trabalhar com Hae-hyo Kwon e Ming-hee Kwon, dupla que, somados os esforços, atua nos últimos seis trabalhos do diretor. Em coletiva em Cannes, no ano passado, o cineasta explicou essa cumplicidade. “Os atores têm um papel fundamental em um filme; eles são como o cenário ou o clima de uma determinada trama. Como meus trabalhos envolvem muito improviso, acho importante trabalhar com quem já conheço”. No final das contas, o cinema de Sang-Soo Hong é meio assim. Familiar mesmo para quem nada conhece sobre o cinema dele.