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Vivendo entre muitos bonecos

01:30 | 05/03/2018

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Indo ao encontro de alguns grupos locais na Cidade, chegamos a dois em particular. No Bairro de Fátima, a sede da Companhia Teatro Epidemia de Bonecos é também moradia do casal Izabel Vasconcelos e Cláudio Magalhães. Salas, quartos e malas - inúmeras delas - dão espaço para os grandes atores de seu ofício.

 

“Fazia animação de festa infantil, isso em 1983, quando a Zilda Torres me chamou para integrar o Folguedo que, na época, tinha o Augusto Bonequeiro. Trabalhei com eles de 1985 a 1988. O Cláudio, que tem essa ligação com o teatro de rua, foi incorporado depois (em 2002)”, explica Izabel. Influenciada por mestres como Pedro Boca Rica e Babi Guedes, ela - com o Epidemia - procura dar continuidade à pesquisa sobre o “Cassimiro Coco”. “O meu encantamento pelo boneco é também pelo fato da gente se ver nele. O boneco faz as denúncias. É uma arte popular voltada para a tradição”, ressalta ela.


Os materiais utilizados para a confecção dos bonecos são inúmeros e, por vezes, inusitados: isopor, papel machê, cola, esponja, caixa de ovo, látex. A mesma variedade encontram-se nas técnicas utilizadas para a manipulação: luva, vara e vara transversa, marionete (boneco de fio), manipulação direta (inspirada numa técnica tradicional japonesa), balcão (variação da manipulação direta), sombra (silhueta), habitável, entre outras mais.


No bairro Quintino Cunha, a pesquisa do Grupo Bricoleiros - tendo à frente o casal Cristiano Castro e Eliania Damasceno - vem desde 2004, o ano de sua fundação. Trabalhando com diversas técnicas em sua sede - que também funciona não só como residência, mas também espaço de ensaio, exposição e confecção dos mesmos para os espetáculos.


“Assisti a um espetáculo, isso em 1992, de um grupo francês chamado Flash Marionetes e comecei a gostar; eles faziam manipulação direta”, revela Cristiano que, com o Bricoleiros, já contabiliza espetáculos como Olha o Olho dos Meninos, O Intrépido Anãmari, Quatro Patas e Criaturas de Papel, este último que circulou pelo País via festival Palco Giratório, chegando também ao México, Chile e Cabo Verde.


Rainha de Nada, do Epidemia de Bonecos, será apresentado no dia 10, às 15 horas, no RioMar Fortaleza. Do Bricoleiros, as montagens Quatro Patas (dia 11) e Olha o Olho dos Meninos (dia 17) serão os destaques.

 

GABRIELLE ZARANZA

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