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Orgulho e Paixão entra na lista de novelas inspiradas em clássicos

Estreia amanhã Orgulho e Paixão, nova novela da seis.Ao propor um mergulho na obra da inglesa Jane Austen, a trama entra para lista de histórias que têm a literatura como referência

01:30 | 19/03/2018
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Consumidor ávido de modelo folhetim, o público brasileiro espera atento pelas informações acerca da novela do momento. São muitas as curiosidades: Quem vai se apaixonar por quem? A história tem duas fases? Algum personagem morre? Não à toa, as revistas que antecipam esses detalhes seguem sendo consumidas. Essas publicações, porém, não são as únicas que dão pistas futuras da narrativa: elas pode estar na literatura clássica. Pelo menos em tramas como Orgulho e Paixão, que bebem de obras já consagradas. A nova novela das seis estreia amanhã, 20, e chega ao público tendo como referência Orgulho e Preconceito, título escrito pela autora inglesa Jane Austen (1775 - 1817).


“Eu me permiti mergulhar nessa fonte e criar personagens originais, porém vindos deste mesmo universo, com este mesmo perfume de romance, comédia e leveza”, afirma Marcos Bernstein, autor da obra, apontando encantamento pela forma poética de narrar fatos corriqueiros de Jane. “Todo esse jeito de se comunicar e trazer o romance em primeiro plano me lembra bastante o universo da dramaturgia diária e, sobretudo, uma trama das seis”, completa.

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Orgulho e Paixão, assim como a obra lançada em 1813, narra a história de uma mãe que busca casar suas cinco filhas num contexto em que o matrimônio era considerado o único futuro possível para uma jovem. Na novela, a mãe Ofélia Benedito (Vera Holtz) tem como principal fonte dos seus problemas a filha Elisabeta (Nathalia Dill), jovem libertária e cheia de sonhos que almeja viajar pelo mundo, não tendo um marido como foco.


Segundo o autor, a trama é conduzida por personagens femininas fortes, o que traça paralelo com as mulheres da atualidade. “A novela traz a mulher do início do século XX no plano principal, mas com questionamentos que são universais e atemporais. A personagem da Elisabeta, por exemplo, poderia ser naturalmente uma mulher dos dias atuais”. Sobre tendências feministas das personagens, ele pondera: “Não é a minha intenção colocar esses questionamentos em uma forma de manifesto, porém os temas de ontem acabam se misturando com a atualidade. Trazer isso para a tela com leveza e naturalidade é um grande desafio”.

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Para o diretor artístico Fred Mayrink, ter essas obras clássicas como referenciais convidam para despertar novas formas de contar. “Podemos lidar de uma maneira diferente com o romantismo, a vilania pode ser trazida em um tom diferenciado. Creio que no mundo em que vivemos hoje, em que ninguém tem tempo pra mais nada, muita coisa bonita se perdeu”, afirma.


A nova novela não é a única atual a ter a literatura como âncora. O outro lado do paraíso, folhetim das nove, tem inspirações explícitas em O Conde de Monte Cristo, lançado pelo romancista francês Alexandre Dumas. Apesar de a referência não ter sido anunciada a priori, recentemente o autor Walcyr Carrasco comentou a influência e falou da novela como um convite ao livro. “Quem não leu, eu recomendo. É de grudar e não parar mais”, postou em suas redes sociais.

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O CRAVO E A ROSA (2000)


WILLIAM SHAKESPEARE

A história de Catarina e Petruchio é uma releitura da peça teatral A megera Domada (publicada pela primeira vez em 1888). Criada por Shakespeare, a narrativa de uma mulher de gênio forte que se apaixona rendeu uma novela das seis cheia de momentos hilários.

 

ESSAS MULHERES (2005)


JOSÉ DE ALENCAR

Exibida pela Rede Record, o folhetim foi baseado em três personagens femininas do escritor cearense. As protagonistas dos livros Senhora, Lucíola e Diva conviviam no mesmo ambiente na novela cheia de romantismo, cujo enredo manteve com fidelidade a obra alencarina.

 

ÊTA MUNDO BOM! (2016)


VOLTAIRE

A obra é inspirada no conto Cândido, ou O Otimismo, publicado em 1759 pelo filósofo iluminista Voltaire. Na novela, o personagem Candinho seguia os conselhos do professor Pancrácio, personagens com personalidades e nomes tirados da obra clássica.

 

RENATO ABÊ

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