PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Espetáculo Fio a Fio reflete sobre o corpo na maturidade

Giselle Rodrigues e Édi Oliveira refletem sobre a beleza e os limites do corpo na maturidade em Fio a Fio. A montagem brasiliense fica em cartaz neste fim de semana no Dragão

01:30 | 02/03/2018

Sessões livres de improvisação serviram como ponto de partida para Giselle Rodrigues e Édi Oliveira elaborarem Fio a Fio DIEGO BRESANI/ DIVULGAÇÃO
Sessões livres de improvisação serviram como ponto de partida para Giselle Rodrigues e Édi Oliveira elaborarem Fio a Fio DIEGO BRESANI/ DIVULGAÇÃO
 

O teatro, a dança, o gestual, o tempo. O movimento que embala corpos outrora cheios de viço, hoje mergulhados em sabedoria e maturidade, entra em cena na contramão do agora, do urgente. Sobre um novo corpo que se define, uma nova descoberta surge vigorosa - tão bela e significativa quanto –, tendo como estopim o encontro de dois intérpretes-criadores. Giselle Rodrigues e Édi Oliveira elaboraram, em 2015, um espetáculo a partir de sessões livres de improvisação. Batizada de Fio a Fio, a montagem brasiliense chega a Fortaleza para apresentações neste sábado, 3, e domingo, 4, às 20 horas, no Teatro Dragão do Mar (Praia de Iracema).

 

“Nos últimos anos, a gente ficou muito como diretor, colaborador, e muito pouco como bailarinos - sobretudo a Giselle, que ficou 20 anos longe dos palcos. Pensando nisso, decidimos simplesmente nos encontrar, sem nenhum compromisso de criar alguma coisa. Simplesmente para se encontrar, improvisar juntos, experimentar coisas de movimentação e, a partir disso, o tema do envelhecimento acabou surgindo, se impondo e dominando a nossa vontade de trabalhar com o tema”, afirmou Édi, 43, fundador e diretor artístico do dançapequena – grupo de dança contemporânea fundado em 2000 - e ex-integrante da BaSiraH (dirigida à época por Giselle).

Fio a Fio utiliza-se do formato de teatro-dança para dar vazão a reflexões acerca desse processo. “A maneira de se relacionar com o tempo, com o movimento, com o espaço e a oralidade, anteriormente pouco usada em nossos processos criativos, era como uma nova descoberta para nós dois. Explorar as mudanças do corpo, que traz um vigor e uma qualidade totalmente diferente de antes, e uma compreensão menos ansiosa do tempo das coisas foi o que norteou nossa criação”, explica Giselle, 50, coreógrafa e bailarina, mestre em Artes pela UnB. A montagem é realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) e Governo Federal, tendo o patrocínio da Petrobras.

Para além dos movimentos, Fio a Fio amplifica sua narrativa com a presença da palavra. A poesia enquanto tempo estendido. “Esse trabalho tem uma potencialidade de uma narrativa sobre o detalhe mesmo. Sobre as coisas que são mais sensíveis, mais delicadas e que foram sugeridas e direcionadas pela temática. Talvez se a gente tivesse trabalhado outro tema, não chegasse nesses aspectos, nesse tipo de movimentação que constrói o espetáculo”, pontuou Édi. “É um espetáculo bastante poético, que dialoga muito com o tempo do próprio envelhecimento”, reforça.

De sua estreia para cá, Fio a Fio participou de festivais como o Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília (DF) e, durante a Mostra Prêmio Sesc do Teatro Candango (2016), saiu-se premiado como Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Atriz, entre outras categorias. Qual a medida da dança em sua maturidade? “Não sei. Talvez diferente! Acho que, para mim, a idade trouxe uma certa ‘calma’ ou, pelo menos, uma noção de respeito ao tempo das coisas, pois sempre fui muito inquieta”, revela Giselle, que recentemente estreou o solo Caipora quer dormir - Um espetáculo infantil para adultos (dramaturgia e direção a cargo de Jonathan Andrade).

Édi, por sua vez, não vislumbra parar tão cedo. “Eu não consigo prever. Mas o desejo de parar, assim do fundo do coração, eu acho que vai demorar muito a vir porque a dança é o meio de me expressar artisticamente, de colocar os meus discursos para fora e de trabalhar a minha criatividade, o meu potencial criativo enquanto artista. Então acho bem difícil que ele venha. Acho que quem vai dizer o momento de parar vai ser o meu corpo. Vamos ver até onde ele consegue elaborar, criar a dança dele por mais pessoal que ela seja”, conclui.

SERVIÇO

Espetáculo Fio a Fio

Quando: hoje, 2, às 16 horas (sessão gratuita de formação de plateia para público específico)/ sábado, 3, e domingo, 4, às 20 horas (sessões abertas ao público)

Onde: Teatro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)

Quanto: R$ 10 (inteira)

Classificação: 12 anos

Telefone: 3488 8600

TERESA MONTEIRO