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Ares de Guaramiranga

| ROTEIROS | A harmonia do badalado município da Serra de Baturité é um consolo para a mente agitada pelo cotidiano urbano, que repousa em beleza, charme e natureza

01:30 | 15/03/2018

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A “cidade das flores”. Tantas outras tentam arrogar esse título pra si – algo como o que acontece também com “terra do sol”, como é costume falar da Capital. Mas, postos os pés na serra, os sentidos aceitam que assim o Ceará reconheça Guaramiranga.


E não é bem porque, como se deduz inicialmente, as cores de flores pincelem o horizonte mais próximo dos olhos a cada metro quadrado – ou até mesmo pelo argumento histórico do cultivo de rosas no Maciço do Baturité. Elas estão expostas, sim, e dispensam investigação mais séria, mas não chegam a pulular o cenário. Para um visitante urbano, porém, o que vem a ser o caso deste que reporta, Guaramiranga respira perfume e essência de natureza.
 

É o caso também da maior parte dos turistas que vão à cidade – considerando que 95% dos 120 mil visitantes em 2017 foram fortalezenses, segundo a Prefeitura de Guaramiranga.
 

Os primeiros minutos na pequena região de 59 km² de Baturité parecem ordenar os ânimos, seja pelo clima ameno e fresco ou pelo consolo de vila silenciosa e de pouca intervenção humana. Em 2018, Guará (como é carinhosamente apelidada) ainda preserva também o cultivo de vida bucólica, sem abrir mão do que reluz na modernidade.
 

Mas Guaramiranga poderia muito bem ser a cidade cearense de outras atrações. Como o café, que é cultivado cerca de 400 fazendas no Maciço. 

 

Como da música, que monta palco quase permanente no Centro, em especial, para o tradicional jazz e blues durante as festas de Carnaval. Ou mesmo a gastronomia, rica tanto em diversidade de nacionalidades quanto em variedade de temperos.
 

E aí pode estar o segredo: Guaramiranga é uma cidade de ares harmônicos. O rural e o urbano. O velho e o novo. O tradicional e o moderno. 

 

Hoje o São Roque é administrado pelos sete filhos do fundador, sendo apenas um homem. Possui 20 hectares, que foram divididos dos 96 originais após repartição com os filhos. Durante a visita, além de conhecer maquinários pioneiros da década de 40, o público também pode encerrar o passeio com o café e doces do Sítio atração da Rota do Café. 


GASTRONOMIA
 

Sabores em equilíbrio
 

Guaramiranga também cresce no paladar do visitante. Equilibrando temperos de diversas nacionalidades, a cidade, localizada na Serra de Baturité, não deixa a desejar em refeições noturnas, mesmo ao público
mais exigente.
 

Inspiração do médico espanhol Juan Carlos León, natural de Andaluzia, o único objetivo do espaço Sabor Natural é surpreender e agradar. Por isso mesmo, o atendimento se restringe aos fins de semana e feriados: sexta-feira para jantar, sábado para almoço e jantar e domingo apenas almoço.
 

Já o Studio 70 mescla a culinária árabe em um espaço amplo e com cara de noite. Entre opções ricas de kibe, esfihas, homus, tabule e camponata de beringela, o destaque fica para a picanha suína ao molho de café – que também não deixa de casar bem com a produção de café em Guaramiranga. 

 

Quando o desejo é de cerveja, o bar e restaurante Hofbräuhaus, de influência alemã, chama a atenção. Os chopes de cerveja artesanal acompanham pratos de joelho de porco e salsichão alemão. (Daniel Duarte)   


ROTA DO CAFÉ


Sítio São Roque

Um dos pontos da Rota do Café na Serra de Baturité, o Sítio São Roque, mais precisamente no município de Mulungu, faz parte das quase 400 fazendas de café na Serra. O cultivo é um dos motores da economia local. O São Roque, em particular, completará, este ano, 105 anos de cultivo do chamado café de sombra, que cresce à sombra da matas e também contribuiu para a preservação ambiental da Serra.  

 

Como os demais pontos da Rota, o Sítio São Roque produz café puro, 100% arábico e orgânico, sem utilização de defensivos agrícolas. Antes da torra, e mesmo da coleta, o grão de café ainda leva pelo menos nove meses para amadurecer à sombra. Após todo o processo manual de colheita com luvas, para não interferir no sabor, os grãos são separados e torrados – e só aí o nariz consegue captar as propriedades características do conhecido café. 

DANIEL DUARTE

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