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Ana Cañas traz a turnê Tô na Vida para Fortaleza

| MÚSICA | Encerrando a turnê Tô Na Vida, Ana Canãs fala sobre o show que traz a Fortaleza e sobre as lutas que a fazem mais forte

01:30 | 15/03/2018
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Se sabe ser doce na hora de pedir um pouco mais de cuidado, Ana Cañas também sabe ser forte quando algo a incomoda. Violência contra a mulher, preconceito, operação Lava-Jato, golpe... Esses e outros assuntos vão estar presentes no palco na Caixa Cultural no show Tô na Vida, que a cantora e compositora paulistana traz a Fortaleza neste fim de semana. Acompanhada de Fábio Sá (baixo), André Lima (teclado) e Thiago Barromeu (guitarra/ violão), Ana faz um apanhado de mais de 10 anos de carreira, dando destaque ao disco lançado em 2015, e que batiza a turnê cearense. Abaixo, Ana fala ao Vida&Arte, sobre o doce e o amargo do seu momento.

 


O POVO – Na turnê, você vai incluir uma faixa de Belchior. Esse é um presente para Fortaleza ou você já vem cantando essa música?

 

Ana Cañas– Eu amo o Belchior! Acho que ele captura a loucura, o amor rasgado, a sarjeta, a sublime poesia da vida real como ninguém. Ele me toca de maneira ímpar e cantá-lo, sem dúvida, é sempre uma catarse muito grande. Essa canção (Velha roupa colorida) faz parte, especialmente, dessa turnê de encerramento do Tô Na Vida e cantá-la em Fortaleza será muito, muito emocionante.

 

OP – Um assunto cada vez mais presente no teu trabalho é o feminismo. De que forma você acha que a sociedade vem reagindo em relação a esse tema?

 

Ana – No Brasil, a cada 11 minutos, uma mulher é violentada, estuprada (casos denunciados). É uma realidade muito triste e dura para as todas mulheres – vítimas ou não. Nós precisamos reverter esse quadro e isso só acontecerá através da nossa luta, da conscientização e da imposição do respeito. Estamos vivendo uma primavera feminista, onde as mulheres têm se conscientizado da sua força e do papel decisivo no protagonismo de sua própria luta e conquistas.

 

OP – Você também vem apoiando abertamente o ex-presidente Lula. Você sofreu algum tipo de crítica ou represália por se posicionar politicamente?

 

Ana – Como a Nina Simone já dizia: “Como ser artista e não refletir o seu tempo?” Eu escolhi apoiar um ser humano que acredito e admiro. Um presidente que deu oportunidade a 8 milhões de universitários. Escolhi defender a democracia, que hoje, fragilizada, enfrenta um golpe orquestrado pelo judiciário, por um congresso comprado e uma Lava-Jato totalmente arbitrária. Escolhi apoiar um réu condenado sem provas. Enquanto houver esperança, lutarei, pois ela – a luta – realmente traz mudanças.

 

SHOW ANA CAÑAS – TÔ NA VIDA

 

Quando: sexta, 16, e sábado, 17, às 20h, e domingo, 18, às 19h


Onde: Caixa Cultural (av. Pessoa Anta, 287 – P. Iracema)


Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)


Info: 3453 2770

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