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Exposição "Luciano Carneiro: o olho e o mundo" chega a Fortaleza

A exposição Luciano Carneiro: o olho e o mundo abre as portas hoje, como parte do I Encontro dos Festivais de Fotografia do Brasil

01:30 | 22/02/2018

Milhares de cearenses atravessam diariamente a avenida Luciano Carneiro sem atentar para a importância do personagem que a batiza. O fato de que a via dá acesso ao antigo aeroporto já traz uma pista: o sujeito vivia nos ares. Fotógrafo, jornalista, correspondente de guerra, piloto e paraquedista, Luciano Carneiro foi responsável por documentar importantes eventos da história nos quatro continentes.

Nesta quinta-feira, ocorre a abertura da exposição Luciano Carneiro: o olho e o mundo, que consolida a relevância da produção do cearense, por meio de uma parceria entre o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Instituto Dragão do Mar. Serão apresentadas fotografias realizadas entre 1948 e 1959, período em que atuou na revista O Cruzeiro.

Sérgio Burgi, coordenador de fotografia do IMS e curador da exposição, ressalta que Luciano Carneiro foi fundamental para definir as bases de um fotojornalismo humanista no Brasil. “Ele batalhou por um jornalismo objetivo, engajado com temas sociais, que não fizesse concessões a questões políticas e sempre fez críticas ao viés sensacionalista”, explica. Para Sérgio, ele tinha um sentido de missão, algo que só os jovens carregam, “Uma ideia definida sobre a contribuição que poderia trazer ao jornalismo. E trouxe em textos e imagens”, tenta definir.

O espírito aventureiro do fotógrafo é relembrado pelo irmão Antônio Carneiro, também jornalista. Durante a Guerra da Coreia, em 1951, Luciano saltava de paraquedas com as tropas norte-americanas. “Ele participou de operações de guerra em que jornalistas podiam escolher entre levar uma arma ou uma câmera fotográfica. Ele sempre escolheu a câmera”, narra. Antônio chama atenção para o fato de que esta exposição chega no momento em que ocorre uma sinalização de aproximação das Coreias, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul.

FOTÓGRAFO, jornalista, correspondente de guerra, piloto e paraquedista, Luciano Carneiro foi responsável por documentar importantes eventos da história nos quatro continentes LUCIANO CARNEIRO/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES
FOTÓGRAFO, jornalista, correspondente de guerra, piloto e paraquedista, Luciano Carneiro foi responsável por documentar importantes eventos da história nos quatro continentes LUCIANO CARNEIRO/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Em 22 de dezembro de 1959, aos 33 anos, Luciano foi vítima de um acidente aéreo quando voltava da cobertura do primeiro baile de debutantes do Brasil, em Brasília. Contam que não era para ele estar ali: apaixonado por aviação, mudou de avião para conhecer um novo modelo. Quando o pai morreu, o veterinário Luciano Carneiro Filho estava na barriga da mãe. Soube do pai pelos outros e pelas imagens. Conta, através dos relatos de um tio Fernando, que era competitivo no xadrez, no ping-pong, nas coisas da aviação. “Minha mãe também falava que ele era um sujeito encantador, mas isso é o olhar feminino”, sorri. “Fico imensamente feliz. É um anseio muito grande ver o filho da terra ter o reconhecimento que merecia”, diz, enquanto se prepara para vir à abertura.

Além das imagens que fazem parte da obra de Luciano Carneiro, haverá uma mostra com outros fotógrafos da revista O Cruzeiro, contextualizando o fotojornalismo humanista presente na publicação. José Medeiros, Luis Carlos Barreto, Flávio Damm, Pierre Verger e Marcel Gautherot são alguns dos fotógrafos que integram a exposição.

 

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO LUCIANO CARNEIRO: O OLHO E O MUNDO

Quando: 22 de fevereiro de 2018, às 19h

Onde: Museu da Cultura Cearense (Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)

Acesso gratuito

IANA SOARES