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Espetáculo "Saudade" estreia no Sesc Iracema

Cearense radicado no Rio de Janeiro, o ator Marcos Bruno transformou a falta de casa em material para um "ritual de dança e canto". A montagem estreia amanhã no Sesc Iracema

01:30 | 01/02/2018
FOTO DANIEL BARBOZA/DIVULGAÇÃO
FOTO DANIEL BARBOZA/DIVULGAÇÃO

O cantor Otto versa: “Saudade quero ver para crer”. De tão íntimo, esse sentimento parece mesmo, como canta o pernambucano, ter uma definição muito própria para cada um— e, para além de qualquer significado do dicionário, precisa ser vivido para ser entendido. É o caso do ator cearense Marcos Bruno, que descobriu uma nova face dessa ausência quando mudou, há três anos, para o Rio de Janeiro. De lá, ele retorna agora para uma temporada da montagem Saudade, que fala justamente sobre a falta que Fortaleza faz. A peça estreia amanhã, às 20 horas, no Sesc Iracema.

“Eu sempre fui muito apegado a Fortaleza. Tenho uma relação afetiva muito intensa com o movimento cultural da Cidade, com o teatro cearense. E, claro, sofri por deixar minha família. Deixei aqui tudo o que eu amava”, comenta Marcos, apontando que encontrou nos palcos um caminho para reelaborar as distâncias físicas e simbólicas. Assim surge Saudade, que tem texto de Adanilo, amazonense radicado no Rio, e direção do carioca Anselmo Vasconcellos.

O espetáculo não se propõe a esgotar as reflexões sobre tema, pelo contrário, a proposta é refletir sobre o sentimento de forma muito íntima e poética. No solo, Marcos narra a história de dois irmãos, um que foi e um que ficou. A tensão entre essas duas escolhas, permanecer ou migrar, levam para o palco também as incoerências dos artistas por trás da obra. “É ficção, mas, ao mesmo tempo, é nossa verdade”, define Marcos.

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Graduado em Licenciatura em Teatro pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), Marcos mudou para a capital carioca para traçar novos projetos enquanto artista. Por lá, narra ter encontrado muitos forasteiros na mesma situação: a velha máxima de tentar a vida no Sudeste ainda parece vigorar, ele entendeu. “Ainda tem muito nordestino, principalmente nas artes, que vão para lá tentar uma carreira”, conta, apontando, porém, que o teatro carioca segue sendo ainda muito pautado por um viés comercial — o que acaba frustrando alguns migrantes. “Saudade também surge da vontade de fazer o teatro que eu fazia em Fortaleza. É um trabalho intimista, sincero”.

SERVIÇO

Saudade

Quando: de 2 a 25 de fevereiro, às sextas e sábados (20h) e domingo (19h). Obra não será apresentada no Carnaval.

Onde: Sesc Iracema (R. Bóris, 90 - Praia de Iracema)

Quanto: R$ 20 (inteira)

RENATO ABê